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Religiosos manifestam solidariedade a Padre Amaro

Religiosos manifestam solidariedade a Padre Amaro

Reunidos em Tabatinga/AM, por ociasiao do  Encontro de Congregações Religiosas com Projetos em Perspectiva Pan-Amazônica, organizado pela Confederação Caribenha e Latino Americana de Religiosas /os (CLAR) e Rede Eclesial Panamazônica (REPAM) – entre os dias 20 e 24 de abril, onde refletiram sobre “A missionariedade Pan-Amazônica na ótica da ecologia integral”, os quase 100 religiosos e religiosas manifestaram apoio e exigiram a libertação do Padre Amaro Lopes. Em uma moção de solidariedade, os religiosos denunciam a criminalização do sacerdote, preso desde o dia 27 de março. Confira o texto na íntegra:   “Continuemos a afirmar a nossa esperança sem esmorecer” (Hb 10,23) Nós, 90 religiosos e religiosas, de 30 Congregações , leigos e leigas, e padres diocesanos dos países Panamazônicos reunidos em Tabatinga, AM (Brasil), no Encontro de Congregações Religiosas com Projetos em Perspectiva Pan-Amazônica, organizado pela Confederação Caribenha e Latino Americana de Religiosas /os (CLAR) e Rede Eclesial Panamazônica (REPAM) – nos dias 20-24 de abril de 2018, onde  refletimos sobre “A missionariedade Pan-Amazônica na ótica da ecologia integral”,  manifestamos nosso apoio com a Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur, e nosso repudio sobre a detenção arbitraria e a criminalização contra o Pe. José Amaro Lopes Sousa que faz parte da equipe pastoral da Prelazia de Xingu e ao mesmo tempo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que vem dando continuidade aos trabalhos e atividades que vinha realizando a Ir. Dorothy Stang e que foi assassinada brutalmente em 12 de fevereiro de 2005.          Reconhecemos que o Pe. Amaro vem dando continuidade com muito empenho aos projetos de desenvolvimento sustentável que foram criados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e tiveram seu melhor êxito na região de Anapu-PA, graças ao esforço e ao trabalho incansável da Ir. Dorothy, seria o motivo de sua perseguição e consequente prisão injusta.          Denunciamos a detenção arbitraria e a criminalização contra o Pe. Amaro, vítima de um complô dos poderes políticos e econômicos, e exigimos sua libertação imediata e incondicional, assim como se ponha um fim as perseguições a nível judicial contra ele. Reiteramos as autoridades brasileiras para que adotem medidas mais apropriadas para garantir a segurança, a integridade física e psicológica do Pe. Amaro e assim como de todas as pessoas defensoras dos direitos humanos no Brasil. Tabatinga, AM – Brasil, 24 de abril de 2018   Com informações do Site da CEBs do Brasil
                                Assassinatos no campo batem novo recorde e atingem maior número desde 2003

Assassinatos no campo batem novo recorde e atingem maior número desde 2003

Por Ascom/CPT A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulga hoje os dados de assassinatos em conflitos no campo no Brasil em 2017 – o maior número desde o ano de 2003. A CPT também denuncia ataques hackers que sofreu no último ano, provavelmente dentro do processo de criminalização contra as organizações sociais que tem se intensificado, e que acabou impossibilitando a conclusão e o lançamento nessa data de seu relatório anual, o “Conflitos no Campo Brasil”.  Mesmo com o atraso em sua publicação, a CPT torna públicos hoje os dados de assassinatos em conflitos no campo ocorridos no ano de 2017. Novamente esse tipo de violência bateu recorde, e atingiu o maior número desde 2003, com 70 assassinatos (confira aqui a tabela). Um aumento de 15% em relação ao número de 2016. Dentre essas mortes, destacamos 4 massacres ocorridos nos estados da Bahia, Mato Grosso, Pará e Rondônia. Destacamos, ainda, a suspeita de ter ocorrido mais um massacre, de indígenas isolados, conhecidos como “índios flecheiros”, do Vale do Javari, no Amazonas, entre julho e agosto de 2017. Seriam, pelas denúncias, mais de 10 vítimas. Contudo, já que o Ministério Público Federal no Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), não chegaram a um consenso, e diante das poucas informações a que a CPT teve acesso, por se tratar de povos isolados, o caso não foi inserido na listagem por ora apresentada (Confira aqui a política e regras de uso dos dados da CPT).    A CPT ressalta, todavia, que, além dos dados de assassinatos que constam nesta relação, há muitos outros que acontecem na imensidão deste país e que só a dor das famílias é que os registram. “A publicação da CPT é apenas uma amostra dos conflitos no Brasil”, dizia Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás (GO) e um dos fundadores da Pastoral. Os assassinatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais sem-terra, de indígenas, quilombolas, posseiros, pescadores, assentados, entre outros, tiveram um crescimento brusco a partir de 2015. O estado do Pará lidera o ranking de 2017 com 21 pessoas assassinadas, sendo 10 no Massacre de Pau D’Arco; seguido pelo estado de Rondônia, com 17, e pela Bahia, com 10 assassinatos. Dos 70 assassinatos em 2017, 28 ocorreram em massacres, o que corresponde a 40% do total. Em agosto de 2017, a CPT lançou uma página especial na internet (https://cptnacional.org.br/mnc/index.php) sobre os massacres no campo registrados de 1985 a 2017. Foram 46 massacres com 220 vítimas ao longo desses 32 anos. Na página é possível consultar o histórico e imagens dos casos. O estado do Pará também lidera esse ranking, com 26 massacres ao longo desses anos, que vitimaram 125 pessoas.   Assassinatos e Julgamentos A CPT registra os dados de conflitos no campo de modo sistemático desde 1985. Entre os anos de 1985 e 2017, a CPT registrou 1.438 casos de conflitos no campo em que ocorreram assassinatos, com 1.904 vítimas. Desse total de casos, apenas 113 foram julgados, o que corresponde a 8% dos casos, em que 31 mandantes dos assassinatos e 94 executores foram condenados. Isso mostra como a impunidade ainda é um dos pilares mantenedores da violência no campo. Nesses 32 anos, a região Norte contabiliza 658 casos com 970 vítimas. O Pará é o estado que lidera na região e no resto do país, com 466 casos e 702 vítimas. Maranhão vem em segundo lugar com 168 vítimas em 157 casos. E o estado de Rondônia em terceiro, com 147 pessoas assassinadas em 102 casos (Confira aqui a tabela).   Ataques hackers atrapalham conclusão do relatório anual da CPT A partir do segundo semestre de 2017, a Secretaria Nacional da CPT, situada em Goiânia (GO), sofreu seguidos ataques hackers, orquestrados e direcionados a setores estratégicos,que forçaram a limitação do funcionamento de seus servidores na tentativa de manter a segurança do sistema, o que acabou comprometendo o desempenho das tarefas diárias da Pastoral. O Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, responsável pela catalogação e compilação dos dados de conflitos no campo divulgados pela entidade, foi prejudicado, atrasando o fechamento do relatório anual da CPT, o “Conflitos no Campo Brasil”, e impossibilitando o seu lançamento na data costumeira, a semana do 17 de abril, Dia Internacional de Luta Camponesa, em memória aos trabalhadores rurais sem-terra assassinados na Curva do S, em Eldorado dos Carajás, Pará, em 1996. Esses ataques podem, também, fazer parte do processo de criminalização empreendido contra organizações e movimentos sociais de luta. O caso foi denunciado às instâncias policiais competentes e segue sob investigação. De qualquer forma, a CPT julga de extrema importância denunciar, ainda que de forma incompleta, algumas das diversas formas de violência exercidas contra os povos do campo em 2017 e chamar a atenção para os dados alarmantes que agora analisamos. Em breve será divulgado, enfim, o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2017”, completo. A CPT aproveita para reafirmar seu compromisso com as causas do povo pobre do campo, e que não conseguirão nos calar!