Entre os dias 03 e 04 de abril, presbíteros da Prelazia do Xingu, juntamente com o bispo da Igreja Local, Dom João Muniz Alves, estiveram reunidos no Centro de Formação Betânia, em Altamira/PA. No encontro, que antecedeu a reunião do Conselho de Pastoral do prelado, padres e bispo tomaram maior conhecimento sobre a prisão e as últimas informações sobre padre Amaro.

Após as informações, os presbíteros, com o apoio do bispo, escreveram uma carta em que manifestam apoio ao padre que há 14 dias encontra-se encarcerado. No texto, eles afirmam que “a prisão tem o claro objetivo de criminalizar, ridicularizar e desmoralizar” padre Amaro e todo o trabalho por ele desenvolvido por cerca de 20 anos.

A carta, de acordo com os padres, é uma manifestação de ”total solidariedade e fraterna comunhão” com o irmão de sacerdócio. Eles exigem o esclarecimento das acusações e “total transparência nas investigações”.

 

Confira a carta na íntegra:

CARTA DE APOIO DOS PRESBÍTEROS DA PRELAZIA DO XINGU AO Pe. AMARO
“SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS”, (At. 1,8)

Nós, presbíteros da Prelazia do Xingu, reunidos, no Centro de Formação Betânia, nos dias 03 e 04 de abril, juntamente com nosso bispo Dom João Muniz Alves, tomamos conhecimento da prisão de nosso irmão de presbitério, Padre José Amaro Lopes de Souza, que por 20 anos, desenvolve seu trabalho junto ao Povo de Deus da Paróquia Santa Luzia de Anapu e da CPT, Núcleo Xingu. Sabemos que sua prisão tem o claro objetivo de criminalizar, ridicularizar e desmoralizar sua pessoa e consequentemente todo seu trabalho, sempre voltado à promoção da dignidade e da vida das famílias de pequenos agricultores e sem terras daquele município. Por isso, requeria a regularização fundiária e promoção da Reforma Agrária, em terras da União, como meio de justiça e garantia dos direitos humanos daquela gente menos favorecida pelo poder público. Uns poucos poderosos querem cada vez mais se apoderar de imensas áreas, promovendo violência e destruição do eco sistema. Esse ataque à pessoa de padre Amaro, com sua prisão, feita de maneira arbitrária, tenta calar a voz da Igreja que sempre clama por justiça e igualdade para todos e todas.

Manifestamos, através desta carta, nossa total solidariedade e fraterna comunhão ao Padre Amaro e ao mesmo tempo repudiamos as acusações imputadas a ele pelo Estado, através de seus órgãos de repressão.

Conhecemos Padre Amaro e seu trabalho em Anapu, e, por isso, manifestamos apoio a ele, pois sempre desenvolveu seu trabalho de acordo com a missão da Igreja, que é a de estar do lado e em defesa dos menos favorecidos.

Exigimos esclarecimentos das acusações e total transparência nas investigações. Endossamos todas as notas que já foram publicadas em defesa de Padre Amaro e seu trabalho e reafirmamos nosso apoio e solidariedade a esse nosso irmão.

A missão da Igreja não cessará, pois, como Jesus Cristo venceu toda maldade e injustiça, assim também confiamos na vitória da verdade sobre a difamação e sobre todas as mentiras.

Continuamos vivendo e anunciando o Evangelho na defesa da justiça e da vida, conforme o próprio Jesus disse: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância.” Jo, 10,10.

 

Que Nossa Senhora de Nazaré, Padroeira do Pará e do Xingu, interceda junto a Deus por todos nós.

 

Altamira, 04 de abril de 2018.

Quarta feira da oitava da Páscoa.