O Conselho nomeado pelo papa Francisco, para preparar o Sínodo para a Amazônia, que será realizado em outro de 2019, está reunido nesses dias 12 e 13 de abril, em Roma. A proposta do encontro é discutir e analisar as linhas de ação e o instrumento de trabalho, que vai ajudar na elaboração dos materiais que servirão para as contribuições das comunidades amazônicas ao Sínodo.

 

Um grupo de especialistas foi convidado pelo Conselho para preparar o texto base para a escuta aos povos da panamazonia. Desse coletivo de espertos, como são chamados, 3 brasileiros fazem parte: a leiga Márcia Oliveira, e os padres Paulo Suess e Justino Rezende. Os três são assessores da REPAM-Brasil. Justino é o único indígena de toda a equipe de preparação do Sínodo.

 

Missionário salesiano há 34 anos e sacerdote há 24 anos, Justino Rezende é indígena da etinia Tuyuca e natural de São Gabriel da Cachoeira/AM. Na reunião realizada na manhã dessa quinta-feira (12/04), durante a apresentação da primeira parte do documento sinodal, padre Justino teve a oportunidade de falar ao Conselho e ao papa Francisco. Na sua apresentação, ele manifestou a alegria de ser um dos participantes da equipe e de representar os indígenas. “Eu estou aqui falando em nome dos povos da Amazônia e em especial em nome dos povos indígenas. Vocês estão vendo que eu sou o único indígena que tem aqui, mas um dia serão mais também, um pouquinho mais, mas hoje esse é o rosto da Amazônia”, afirmou o padre.

 

Para Justino, com o Sínodo, a Igreja está olhando para a Amazônia e para o povo da região. “Com gratidão digo que a Igreja está olhando para nós, com o coração e a mente voltados para nós. Está depositando em nós, povos da Amazônia, esperança de receber contribuições importantes para que a Igreja seja cada vez mais universal. Nós povos indígenas, fomos evangelizados, evangelizadores hoje, também vamos contribuir para o enriquecimento da nossa Igreja”, completou Justino.

 

Para o padre, membro da equipe de especialistas que ajudou na preparação do material que servirá de subsídio para a consulta ás bases sobre o sínodo, o povo da Panamazônia tem muito o que contribuir com a igreja e fez um pedido: “peço que os senhores bispos, o cardeal Baldisseri e o nosso Papai, Papa Francisco, como disseram lá no Peru, nos olhem como filhos seus, irmãos seus, porque o senhor é irmão maior nosso, o senhor é nosso guia, nosso pastor” – enfatizou Justino.

 

Ele lembrou, ainda, os muitos missionários que doaram suas vidas na missão na Amazônia. Segundo o padre, muitos missionários entregaram suas vidas na evangelização em solo amazônico. “Se não fosse a Igreja já teríamos acabado. A Igreja está presente, muitos missionários adquiriram o rosto indígena, aprendendo a cultura, o idioma, as tradições e não quiseram mais retornar. Estão sepultados conosco. Graças ao nosso bom Deus, pelo trabalho missionário surgiram muitos leigos comprometidos com a Igreja – catequistas, ministros extraordinários, religiosos e sacerdotes. E este é o rosto que temos a oferecer enquanto Igreja. Estamos lá, mas também aqui no coração da nossa Igreja”.