Por Luis Miguel Modino

 

A Amazônia é um imenso território que vai alem dos limites entre osdiferentes países, muitas vezes traçados sem ter em conta quem sempre morou lá. É comum que indígenas que dividem línguas, culturas e costumes, hoje estejam separados por linhas imaginarias que, na maioria dos casos, pouco representam para eles.

Desde essa perspectiva, as problemáticas da Amazônia devem ser enfrentadas juntos, pois a maioria das vezes são comuns nos diferentes países e as soluções a serem encontradas serão mais eficazes na medida em que sejam procuradas por todos, independentemente do país em que cada um vive. Daí podemos dizer que a visita do Papa Francisco em Puerto Maldonado, mais do que uma visita num local situado no Peru, é a chegada do Bispo de Roma na Amazônia.

Pelo fato de ser um sentimento comum aos povos amazônicos, esperasse a chegada de representantes dos povos indígenas de diferentes países, também de cem indígenas brasileiros dos estados de Rondônia e Acre. Segundo Rose Padilha, Coordenadora do CIMI, Conselho Indigenista Missionário na Amazônia Ocidental, serão representados os povos Shanenawa, Huni kui, Ashaninka, Madha,Yaminaua, Apurinã y Auanaua.

Junto dos povos indígenas vão se fazer presente alguns bispos da Amazônia, Dom Edson Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira, Dom Joaquím Pertíñez, bispo de Rio Branco, capital do estado do Acre, e Dom Roque Paloschi, Arcebispo de Porto Velho e Presidente do CIMI.

Para dom Roque Paloschi, “a presença do Papa Francisco nesta região amazônica, concretamente em Puerto Maldonado, no Peru, é uma oportunidade ímpar para toda nossa região amazônica”. Segundo ele, a chegada do Papa, é uma grande oportunidade para que possa ouvir “os povos indígenas, tendo em conta suas dores, sofrimentos, sonhos e a busca do Bem Viver”.

Em termos similares, dom Joaquím Pertíñez não duvida em afirmar que “para nós é motivo de alegria, de orgulho, de satisfação, o fato de ver a preocupação do Papa pela nossa região, pela nossa realidade, pelos nossos povos”. Ao mesmo tempo, remarca que “mesmo sendo pouco tempo é um sinal importante”. O encontro pode provocar mudanças, por isso “esperamos que a partir daqui novas iniciativas, novas idéias, novos projetos venham nos ajudar diante dos grandes desafios que temos em nossa região amazônica”, segundo o bispo de Rio Branco.

O Presidente do CIMI, opina que “o Papa vem não para ser o dono da verdade, mas vem para juntos construir caminhos de esperança e solidariedade”, numa atitude sempre presente nas viagens do Bispo de Roma, acostumado escutar os clamores dos mais pobres, daqueles que o mundo despreza, para assim poder ser voz que ressoa e interpela as
consciências da humanidade, especialmente de quem detenta o poder político e econômico.

“A expetativa é sobretudo de um encontro de fraternidade, de esperança e também de desejo de nós podermos construir caminhos de fidelidade a Jesus, aos sonhos e às esperanças dos povos originários desta região” afirma Dom Roque, um sentimento compartilhado por aqueles que realizam sua missão na Amazônia.

Junto com isso, “o encontro vai nos ajudar a redimensionar a nossa visão e nosso compromisso com a Casa Comum, cada vez mais destruída, depredada, contaminada. A natureza geme e sofre com dores de parto diante da nossa indiferença, ganância, egoísmo e sobretudo de um consumismo exacerbado”, reconhece o Arcebispo de Porto Velho, nos levando a refletir sobre nossas atitudes, muitas vezes só preocupadas em satisfazer interesses particulares.