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Começa o reencontro de missionários que atuam na Amazônia

Começa o reencontro de missionários que atuam na Amazônia

“Vocês foram escolhidos para se vincularem, participarem da mesma missão de Jesus”. Com essas palavras, na celebração eucarística de abertura, padre Jaime Luiz Gusberti deu início, na noite dessa segunda-feira (14), ao reencontro de missionários e missionárias que atuam na Amazônia. Cerca de 40 pessoas participam da atividade que pretende avaliar, partilhar experiências, estudar e  projetar a atuação de futuros missionários para a Amazônia. O evento acontece no Centro Cultural Missionário/CCM, em Brasília, e é organizado pela Comissão Episcopal para a Amazônia/CEA da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil/CNBB, Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil e CCM. A celebração foi presidida pelo padre Jaime e concelebrada por dois missionários estrangeiros que fazem curso de português no CCM. Durante a homilia, o presidente da celebração lembrou aos missionários da Amazônia do vínculo que Jesus espera deles: amizade e fraternidade. “Jesus quer que se unam a ele como amigos e irmãos. Ele quer cultivar essa amizade para que produza frutos e em abundância”, afirmou Jaime. De acordo com o padre há ainda uma exigência de Jesus aos missiónários de serem bons samaritanos. “ É preciso fazer-se próximo dos excluídos, abandonados, marginalizados. Fazer-se próximo do caído é tornar prática aquilo que Jesus ordena: ‘amai-vos uns aos outros como eu vos amei’. Um desafio, principalmente quando somos tentados a não viver essa fraternidade”, concluiu padre Jaime. O reencontro é realizado com missionários e missionárias que fizeram, ao longo dos últimos anos, curso de preparação para atuarem na Amazônia. Agora, é uma oportunidade de se reverem, partilharem experiências, sonhos e desafios que vêem enfrentado e contribuírem para a formação de futuros missionários. Ir. Irene Lopes, assessora da CEA e secretária executiva da REPAM-Brasil, coordenou, após a missa de abertura, um momento de partilha e apresetação. Os diferentes olhares, sorrisos, pés e mãos puderam se reconhecer e entrosar numa grande teia que será tecida até o próximo domingo (20). Para o padre Massimo Ramundo, missionário comboniano que há cerca de 10 anos atua na Amazônia, o encontro é uma oportunidade de trocas e partilhas. “Nossa atuação precisa ser partilhada para crescermos e aprendermos sempre mais”, destacou o padre. Ir Ângela Moraes nasceu na Amazõnia, em meio a floresta, no estado do Pará. A expectativa dela para o reencontro é que, nas partilhas, possa aprender mais sobre a missão nas áreas urbanas. “Quero poder contribuir mais na missão urbana na Amazônia e ajudar meus irmãos a entenderem que a cidade também é Amazônia”, reforçou a religiosa. A programação da atividade prevê análise de conjuntura, com olhar especial para a Amazônia, avaliação das formações que tiveram antes de seguirem para as missões, estudo e contribuições com o Documento de Estudo 100 da CNBB “Missionários/as para a Amazônia, palestras e retiro.  Haverá, ainda, um momento específico para ser discutido o Sínodo para a Amazônia e de como os missionários e missionárias podem contribuir junto às bases. Esse momento será conduzido pelo Cardeal Cláudio Humes, arcebispo emérito de São Paulo/SP, presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia/CEA da CNBB.  
                                Seminário no Xingu mobiliza lideranças

Seminário no Xingu mobiliza lideranças

Teve início na manhã de sexta-feira (11), no Auditório Petrini Girardeli, no Campus da Universidade Federal do Pará/UFPA, em Altamira/PA o primeiro Seminário “Xingu, terra de resistências”. A atividade, organizada pelo Comitê Repam – Xingu, organizações sociais, populares e a universidade federal, pretende aprofundar a temática da terra, do território e dos povos, refletindo os desafios, conquistas e resistências no processo de enfrentamento e na articulação de novas resistências diante do contexto histórico e atual na Transamazônica e no Xingu. A abertura do seminário foi realizada com uma mistica à margem do rio Xingu, lembrando o solo sagrado de cada comunidade presente, os mártires, a terra cultivada e a água que  banha e dá vida, além de simbolo de resistências como povo Xinguara. Houve, ainda na abertura, um grito pela liberdade de padre Amaro Lopes. Participaram do seminário Ribeirinhos, assentados, pescadores, posseiros, quilombolas, atingidos por barragens (campo e cidade), povos indígenas, pesquisadores, comunidade acadêmica, movimentos sociais, autoridades jurídicas e gestores dos órgãos públicos e entidades não governamentais. Para Dorismeire Vasconcelos, membro da REPAM-Xingu e uma das organizadoras do evento, o seminário foi uma oportunidade de reafirmarem a territorialidade, o sentido de pertença, a resistência e a ação. “Foi sinal de esperança, união  e comunhão”, completou Dorismeire. Pela manhã do primeiro dia, na mesa de debate coordenada pela professora doutora Carla Rocha  da UFPA, o tema em discussão foi “Terra, território e povos da Amazônia”. O objetivo da mesa era apresentar um quadro representativo da conjuntura atual de crises pela disputa da terra e do território envolvendo as populações camponesas, tradicionais, atingidos por grandes projetos e povos indígenas. Participaram do debate o professor mestre Mário Hencher, da UFPA, o professor doutor Maurício Torres, da Universdiade de São Paulo/USP, apresentando um quadro geral dos conflitos territoriais, a CPT Nacional, com uma análise de conjuntura da realidade agrária, expansão do agronegócio, portos e  soja; Danilo Chammas, da Justiça nos Trilhos, apresentando questões relacionadas à mineração e projetos de empresas mineradoras, José Cleanton Curioso  do Conselho Indigenista Missionário/Cimi abordando a demarcação das terras indígenas e a liderança indígena e, ainda, doutora Thais Santi do Ministério Público Federal/MPF e doutora Andreia Barreto da Defensoria Pública do Estado/DPE. À tarde, a mesa foi coordenda por Mônica Brito e Analaide e o tema “Conflitos, violência e lutas por direitos na Transamazônica e Xingu”. O objetivo da discussão foi apresentar o quadro regional dos conflitos por regularização fundiária, por reassentamento, por demarcação de terras, pela consolidação da posse e uso das terras das populações tradicionais, camponesas, atingidos por grandes projetos e a criminalização dos defensores da vida e territórios. Participarão das discussões atores sociais locais. Em seguida houve trabalhos em grupos, onde os presentes sistematizaram os debates realizados, em vista da construção do documento síntese. À noite, na Praça da Bandeira, foi realizado um sarau de poesia, cultura e resistências. O seminário continuou no sábado (12), com um ato público, Manifesto por Vida, Liberdade, Direitos, Paz e Justiça. Em seguida, os participantes retomaram o seminário com finalização do documento síntese, apontando as estratégias de luta e os compromissos assumidos. A proposta do Seminário também incluiu mobilizar as populações regionais e movimentos sociais como estratégia de resistência às pressões dos megaprojetos e fundiárias, proporcionar espaço de apresentação e debate de experiências e estudos relacionados aos conflitos agrários e o contexto nacional e regional de disputas; oportunizar espaço para a manifestação das populações e povos da região sobre os conflitos de disputa pela terra e território e suas demandas; problematizar o processo de criminalização de lideranças dos movimentos sociais, construir projetos para o enfrentamento e, ainda, elaborar um documento síntese com propostas e compromissos, em relação às questões abordadas.