Terminou na tarde dessa sexta-feira, em Roma, a primeira reunião de preparação do Sínodo para a Amazônia. Durante dois dias (11 e 12/04), o papa Francisco, juntamente com o conselho pré-sinodal e uma equipe de assessores trabalharam no documento que servirá de base para as reuniões, reflexões e escuta dos povos da Amazônia no caminho até o Sínodo. O texto apresentado pelos especialistas foi aprovado pelo grupo reunido.

A REPAM esteve presente no encontro por meio de seus membros, entre eles bispos, religiosos e leigos. Levar para a equipe de preparação as vozes, os clamores, as esperanças e as experiências dos povos amazônicos foi a principal tarefa desse grupo. Márcia Oliveira, leiga e assessora da REPAM-Brasil participou da elaboração do documento que foi apresentado durante a reunião. Para ela, foi uma surpresa a acolhida e abertura do Conselho para as questões que foram levadas. “Eu tinha uma expectativa totalmente equivocada, com relação à receptividade do nosso trabalho, da nossa contribuição mais teórica, e fui surpreendida de maneira positiva, no sentido das ideias, das propostas, das análises que nós fizemos, por parte de pessoas que também são especialistas na área, mas que acolheram com bastante abertura e diálogo aquilo que nós trouxemos desde a Amazônia para contribuir nesse documento do pré-sínodo”, afirmou Márcia.

Os dois dias de trabalho foram divididos em quatro sessões. No final da tarde desta sexta-feira, a equipe reunida conseguiu concluir as discussões e aprovar o documento. Para Dom Neri, bispo da diocese de Juína/MT e membro da REPAM, o resultado da reunião significa um grande passo nos preparativos do Sínodo. “Nós avançamos bastante e aprovamos o texto para ser depois publicado, mais adiantes, com a orientação para escutar as comunidades da Amazônia, principalmente os povos indígenas, os ribeirinhos, os povos que constituem essa porção do povo de Deus. É uma alegria imensa chegarmos a esse momento”, enfatizou o bispo.

O papa Francisco esteve presente durante toda a reunião. Porém, como destaca Dom Erwin, prelado emérito do Xingu e membro da REPAM-Brasil, de forma silenciosa. “O que me impressionou demais foi a presença do papa, silencioso. Ele só falou no final. Ele disse que veio simplesmente para ouvir, escutar. Então nós experimentamos e vimos um papa ouvinte, não apenas falante”, falou Dom Erwin. Ir. Irene Lopes, secretária executiva da REPAM-Brasil e delegada da Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas (CLAR) para o Conselho do Sínodo, apontou a alegria do papa na preparação do encontro para a Amazônia. “Nós ficamos encantados de vê-lo sempre sorrindo. Ele me disse que tem sido uma alegria muito grande a preparação desse Sínodo, o que nos enche de orgulho de perceber o tanto que ele está empenhado em fazer acontecer esse Sínodo”, enfatizou a religiosa.

Único indígena presente na reunião, padre Justino Rezende, disse ser esse momento muito importante para a sua vida pessoal e vocacional. Justino está ansioso para que as comunidades tenham acesso ao documento e possam contribuir com o Sínodo. “Eu estou bastante ansioso para ver como as comunidades vão trabalhar esses temas e, com certeza, elas estão esperando para contribuir com todos os saberes, experiências, práticas pastorais, que para cá (na Europa) não se conhece. Virão muitas coisas boas que irão enobrecer e enriquecer a nossa Igreja.”, destacou o padre.

 De acordo com Justino, é papel da equipe presente em Roma levar para as comunidades da Amazônia a alegria e o espírito que congregou o grupo de trabalho para o Sínodo. “Nós, como assessores, estamos aqui ouvindo dos bispos e do próprio papa para levar essa mensagem de alegria e esperança e dizer para todos que temos um caminho aberto para novas coisas que virão da nossa Amazônia. É o Espirito Santo que irá iluminar. E, como o papa Francisco disse, entreguemos nossos trabalhos nas mãos de Deus”, finalizou.

O Sínodo para Amazônia foi convocado pelo papa Francisco em outubro do ano passado. “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral" é o título do encontro que será realizado em outubro de 2019. Segundo papa Francisco, um dos objetivos do Sínodo é “identificar novos caminhos para a evangelização daquela parte do Povo de Deus, especialmente os indígenas, muitas vezes esquecidos e sem perspectiva de um futuro sereno”. Uma equipe foi nomeada para organizar os trabalhos desse grande encontro e membros da REPAM fazem parte.

 

Confira alguns depoimentos dos brasileiros que participaram da reunião:

Márcia Oliveira, leiga, assessora da REPAM-Brasil

"Esse trabalho foi um dos mais exigentes dos últimos tempos, mas com um resultado muito positivo. Eu tinha uma expectativa totalmente equivocada, com relação à receptividade do nosso trabalho, da nossa contribuição mais teórica, e fui surpreendida de maneira positiva, no sentido das ideias, das propostas, das análises que nós fizemos, por parte de pessoas que também são especialistas na área, mas que acolheram com bastante abertura e diálogo aquilo que nós trouxemos, desde a Amazônia, para contribuir nesse documento do pré-Sínodo. Acho que é um instrumento de trabalho muito importante que virá contribuir bastante com a Igreja. Para mim, uma questão que fica muito forte é ser a única mulher da equipe, de conseguir ser ouvida e ser acolhida a partir do conhecimento, mas, também, da condição de ser mulher e como leiga. Me parece que essa foi uma contribuição importante, que de fato traz presente também essas dimensões da Igreja: uma Igreja que também tem uma contribuição, um papel importante dos leigos, no sentido de ajudar a pensar os caminhos e as propostas para ela. Para mim foi uma experiência fantástica de poder compartilhar e contribuir nesse processo."

 

Dom Neri José Tondello, Bispo de Juína/MT

Com a presença do papa Francisco, nós avançamos bastante e aprovamos o texto para ser depois publicado, mais adiante, com a orientação para escutar as comunidades da Amazônia, principalmente os povos indígenas, os ribeirinhos, os povos que constituem essa porção do povo de Deus. É uma alegria imensa chegarmos a esse momento, de termos concluído os trabalhos dessa primeira etapa, digamos, que nos prepara para aprofundar e preparar o Sínodo que vai acontecer no ano que vem, no mês de outubro. Grato a todos, Deus abençoe o Sínodo, abençoe os que estão trabalhando.

 

Dom Erwin Krautler, prelado emérito do Xingu/PA

Foi uma experiência ímpar e agradeço a Deus por poder participar desse evento. Foi uma sintonia impressionante entre os participantes. O que me impressionou demais foi a presença do papa, silencioso. Ele só falou no final. Ele disse que veio simplesmente para ouvir, escutar. Então nós experimentamos e vimos um papa ouvinte, não apenas falante. O documento que elaboramos vai ser guia para as nossas reuniões, nossos encontros, para aprofundar todos esses temas. Eu estou muito feliz com o resultado que alcançamos, cada um podia dizer o que achava. O Cardeal Baldissere me impressionou também, pela abertura e pela facilidade com que a gente podia relacionar os diversos temas.

 

Padre Justino Rezende, assessor da REPAM

Minha experiência aqui, nessa assembleia pré-sinodal foi muito importante para mim, para a minha vida pessoal, para a minha vida de religioso e de padre. Experimentar a abertura dos bispos, dos assessores e principalmente do papa Francisco, que estava presente com o coração muito aberto, como ele mesmo disse, para ouvir, escutar e sentir com o coração aquilo que nós estamos sonhando como Igreja Católica para a Amazônia. Eu estou bastante ansioso para ver como as comunidades vão trabalhar esses temas e, com certeza, eles estão esperando para contribuir com todos os saberes, experiências, práticas pastorais, que para cá (Europa) não se conhece, mas virão muitas coisas boas que irão enobrecer e enriquecer a nossa Igreja. E nós, como assessores, estamos aqui ouvindo dos bispos e do próprio papa para levar essa mensagem de alegria e esperança e dizer para todos que temos um caminho aberto para novas coisas que virão da nossa Amazônia. É o Espirito Santo que irá iluminar. E como o papa Francisco disse, entreguemos nossos trabalhos nas mãos de Deus.