Por Luis Miguel Modino

 

O Cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, visitou recentemente a diocese de Alto Solimões. A presença de uma das figuras mais conhecidas da Igreja do Brasil serviu para se fazer presente na prática totalidade das paróquias, conhecendo as diversas realidades com as que a Igreja convive na região da fronteira brasileira com a Colômbia e o Peru: periferias das cidades, comunidades ribeirinhas e indígenas, sobretudo da etnia ticuna.

A diocese de Alto Solimões tem uma superfície de 131.614 km quadrados e uma população de 216.000 habitantes, uma terceira parte indígenas, e está dividida em 8 paróquias, com uma presença de 14 padres, a metade deles religiosos capuchinhos, que assumiram a diocese desde sua fundação em 1910. Junto com os padres, se fazem presentes em Alto Solimões umas trinta religiosas, além de muitos catequistas que realizam o trabalho pastoral nas 252 comunidades da diocese.

Num artigo publicado neste 17 de Janeiro em “O São Paulo”, o jornal de Arquidiocese paulistana, o cardeal afirma que “a Amazônia está no foco das atenções missionárias da Igreja Católica e já era tempo que isso acontecesse de maneira mais efetiva!”. Dom Odilo Scherer relata o trabalho que a Igreja do Brasil desenvolve na região por meio da Comissão Episcopal para a Amazônia, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) e o Projeto Igrejas irmãs, com o qual o Regional Sul 1 da Conferencia Nacional dos Bispos de Brasil (CNBB), do qual faz parte a Arquidiocese de São Paulo envia missionários no Regional Norte 1, que compreende as dioceses dos estados de Amazonas e Roraima, também a diocese de Alto Solimões.

Junto com isso, o Arcebispo ressalta o Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia, que vai ser realizado em 2019, e na visita do Papa na região amazônica, concretamente em Puerto Maldonado, onde vai se dar o pontape inicial da preparação de um evento que sem dúvida vai marcar decisivamente o futuro da evangelização num dos pulmões do Planeta.

O motivo da visita, em palavras do cardeal Scherer é “o desejo de também estar mais próximo da Igreja na Amazônia”. Nos dias de estância em Alto Solimões, percorrendo as paróquias e comunidades, conhecendo a realidade, tem descoberto que os “grandes desafios e urgências da diocese são a formação de um clero próprio, a evangelização aprofundada do povo para se manter unido à Igreja e a formação de lideranças para as comunidades”.

Junto com isso, diz que as “dificuldades maiores são as distâncias e a precariedade dos meios materiais para fomentar devidamente a vida e a missão da Igreja. A paróquia mais distante fica a quase 500 km da sede da diocese, Tabatinga! O combustível representa uma despesa significativa para visitar as comunidades, sempre de barco”.

Dom Adolfo Zon agradece a visita do Arcebispo de São Paulo, destacando a eucaristia celebrada com o Povo Ticuna na Paróquia de Belém do Solimões. Mas acima de tudo ele fica com uma frase de Dom Odilo: “os bispos devem vir até aqui e conhecer diretamente esta realidade”.