Por Luis Miguel Modino - CEBs do Brasil

 

O arcebispo destaca que as CEBs têm sua inspiração no Concilio Vaticano II, especialmente em alguns documentos, que se tornaram base do trabalho pastoral, sobretudo das Comunidades Eclesiais de Base. Nesse sentido destacou a importância da Lumen Gentium, que mostra a Igreja como Povo de Deus a caminho, nas vicissitudes históricas, na esperança de construir um mundo novo, a Gaudium et Spes, que aborda a relação da Igreja com o mundo, onde nada deve ser estranho para a Igreja, e a Dei Verbum, que trata sobre a Palavra de Deus, mostrando que continua se autorrevelando à humanidade. Ao mesmo tempo, destacava que as CEBs, se fundamentam em alguns elementos: comunidade, Palavra de Deus e transformação social.

Junto com dom Steinmetz, estava Celso Carias, assessor aacional da ampliada das CEBs e do Setor CEBs da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), quem retomava a história dos Intereclesiais, como algo que “nasce a partir de setores da Igreja Católica mais comprometida com a realidade social, procurando uma forma de vivência da fé que estivesse mais próxima da transformação social, como um apelo que nasce da própria experiência de fé”. Não podemos esquecer, segundo Carias, que “a questão urbana desafia nossa experiência de fé”.

Segundo dom Geremias, “a grande maioria da população vive a cultura urbana, que determina o modo de compreender a própria vida e a própria realidade”. Nesse sentido, “o homem e a mulher da cultura urbana pensa a realidade desde si mesmo, se colocando no centro”. O Intereclesial vai ajudar a refletir sobre os problemas da cidade, destacando o acesso à moradia, mobilidade, mudanças no mundo do trabalho e os impactos que provoca nas comunidades, pluralismo religioso, democratização e participação na política partidária, evitando que as cidades sejam comandadas por grupos econômicos, juventude, violência contra mulheres e crianças, genocídios, pessoas abandonadas, direito à saúde, ecologia, saneamento básico, educação, acesso e participação da cultura e do lazer.

A imprensa foi informada sobre o funcionamento do Intereclesial, onde vão se fazer presentes 3200 pessoas, contando com uns 60 bispos, dorganizados na grande plenária, que será realizada no Ginásio de Esportes Moringão, as mini plenárias em diferentes paróquias e espaços da cidade, a fila do povo e celebrações, o que vai ajudar, em palavras do arcebispo de Londrina a ter uma "visão da realidade da cidade no Brasil todo", insistindo em que “o Brasil precisa de luzes, de líderes comprometidos com a situação nesse momento da nossa história”.

“A Igreja não trabalha sozinha, e sim junto com a sociedade, temos que caminhar enquanto sociedade, dialogar para que todas as pessoas possam sentir-se contempladas e ninguém esperar que o outro faça as coisas por si, todo mundo tem que lutar pela vida, pela organização”, enfatizava Dom Geremias, afirmando seu “não ao assistencialismo, mas sim à participação, ao diálogo e à solução de problemas comuns que passa pelas discussões democráticas”.

Por isso, segundo o arcebispo que acolhe o Intereclesial, é preciso “estar no meio da discussão, das questões, na luta efetivamente, esse é o melhor culto que nós podemos prestar a Deus”. Por isso, segundo ele, “temos que clarear mais o que são as CEBs, uma opção de Igreja que valoriza muito essa questão da caminhada do Povo de Deus, procurando construir o Reino para que todas as pessoas tenham vida”.

“O Papa Francisco está desafiando a Igreja para muitas novas questões, inclusão dos migrantes, teto, terra, trabalho”, destaca Dom  Steinmetz, “mas sempre sem esquecermos de Jesus para não ser uma ONG piedosa”. Temos que ser seguidores de nosso Senhor, verdadeiros discípulos.

A partir da celebração do Intereclesial, o fruto que o Arcebispo de Londrina espera para sua arquidiocese, é “abrir uma discussão sobre as questões urbanas em todas as cidades da nossa Arquidiocese, abrir um bom diálogo com as câmaras de vereadores, secretários, prefeitos para ver os problemas que nós enfrentamos. Ver o que pode ficar para nossa pastoral, para nosso trabalho continuar aqui em Londrina”, destacando que “o Intereclesial nos ajudara muito na definição do caminho que deveremos percorrer nos próximos anos, na próxima década”.

O Intereclesial também vai fazer suas contribuições para a Igreja e a sociedade do Brasil, especialmente naquilo que tem a ver com a “metodologia de trabalho, tanto de evangelização como também política, como abordar hoje a questão das periferias”, segundo Dom Geremias. Ao mesmo tempo, refletiu sobre o “problema da democracia, a cidade hoje não é mais lugar para decisões isoladas dentro de um escritório, precisamos de decisões cada vez mais democráticas, inclusive nas questões econômicas, onde investir, como investir”.