Marabá-PA, 23 de outubro de 2016.

 

Carta Compromisso - Seminário Laudato Si’ e REPAM

Dialogando com o apelo do Papa Francisco, na Laudato Si’, para o cuidado da Casa Comum, a Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM, idealizou uma série de Seminários na Amazônia Legal para dar eco ao chamado do Papa à Conversão Ecológica, em vista da fraternidade universal. O sexto destes seminários aconteceu na cidade de Marabá/PA, nos dias 21, 22 e 23 de outubro de 2016, no Centro de Pastoral da Diocese de Marabá, reunindo mais de 100 pessoas, representantes das Dioceses de Marabá, de SSa. Conceição do Araguaia e da Área do Alto Xingu, pertencente à Prelazia do Xingu. Contamos também com a participação de movimentos camponeses, quilombolas, indígenas, dos trabalhadores, organizações não governamentais, representantes das secretarias de governo do município e de órgãos federais de proteção ambiental.
O inicio do encontro foi marcado por uma celebração eucarística presidida por Dom Vital Corbellini, seguida de um ato público na Praça Nossa Senhora da Conceição. O tom profético do ato se fortaleceu pelo espírito da Encíclica Laudato Si’, como também pelas falas dos representantes indígenas presentes no nosso encontro. Denuncias contra a ‘economia da morte’ que tanto tem sido marca da ação do homem na Amazônia.
Na manhã de sábado, a partir da experiência eclesial latino-americana do método Ver-Julgar-Agir-Celebrar, começamos o dia em caminhada até o Rio Itacaiúnas, que está prestes a morrer. Com atitude de humildade, rezamos sobre o rio, pedindo perdão e nos comprometemos com a vida daquele e de tantos outros rios que dão vida aos nossos povos. No painel da realidade, contamos com a presença do Prof. Msc. Fernando Michelotti, da Unifesspa, que nos apresentou um panorama do que está em jogo na Amazônia. Entender que os interesses presentes aqui não são desconectados dos interesses macroeconômicos e internacionais das grandes corporações nos abriu os olhos para a necessidade de ações articuladas com todos os sujeitos construtores do bem viver, não só aqui na Amazônia, mas de maneira escalar e global. Destacamos a presença dos movimentos sociais que denunciaram as violações dos povos e da natureza e anunciaram a boa nova que temos aqui, percebendo que nossas ações, mesmo que locais, tem ressoado como luzes para novas articulações. A presença e as denúncias feitas pelos povos Guarani Mbyá, Suruí Aikewara e Guajajara deixaram claro que as lutas deles também são as nossas. Contamos também com a presença e a troca de experiências da CPT, MST, Quebradeiras de Coco, Mosaec, Professores da rede pública de ensino, ICMBio, IPAR e das CEBs.
Em seguida, no momento do Julgar, houve exposição sobre história da Igreja na Amazônia pela defesa dos povos que aqui vivem, sobretudo dos pobres e excluídos. A exposição foi importante e necessária para percebermos que muito foi feito e que a Laudato Si’ vem para fortalecer as experiências existentes e provocar ainda mais uma mudança radical na compreensão que temos sobre a defesa da Criação. Os assessores nos ajudaram a ter a dimensão que esse importante marco da Igreja no mundo tem para nossa ação como seguidores e seguidoras de Jesus Cristo aqui no nosso chão e nos provocaram a firmar compromissos na defesa da vida e na articulação de ações que nos levem a modificar esse cenário de morte para dar vida e vida com Deus.
Nossos compromissos para defender a vida na Amazônia:
• Conhecer a realidade e questionar sobre os acontecimentos, tomar consciência e ter atitude).
• Ser exemplo no cotidiano como alguém que defende a vida: testemunho de vida
• Resgatar a cidadania para lutar pelos direitos com formação em fé e política.
Como resultado das reflexões para a atuação da Repam em nossa região, criamos três eixos com ações para cada um deles:
Formação
• Usar a Laudato Si’ como subsídio para catequese, grupo de jovens e demais grupos de Igrejas e sociedade. (paróquias, pastorais, movimentos, grupos, ONGs)
• Entender o que é uma organização em forma de REDE.
• Trabalhar a formação por meio de estudos da Laudato Si’, por meio de encontros nas casas, nas Pastorais e Movimentos, utilizando o Roteiro com 18 Encontros e outros materiais.
Comunicação
• Divulgar nas Redes Sociais as ideias da Laudato Si’.
• Alcançar estudantes, por meio de palestras e panfletagem, utilizando projetos dentro das escolas.
• Criar uma divulgação sistêmica do que é a REPAM, junto aos líderes religiosos, organizações públicas e Terceiro Setor.
• Comunicação entre movimentos, organizações, em nível diocesano, Regional Norte 2 e Nacional
• Criar de um canal de comunicação geral da Rede (e-mail, por exemplo) que seria utilizado para troca de experiência e informações da atuação da REPAM
Articulação
• Formar grupos por Áreas Pastorais da Diocese.
• Trabalhar em parceria com os Movimentos Sociais e Igreja (unir por aproximação as Pastorais Sociais e Movimentos Sociais).
• Realizar um levantamento de possíveis parceiros para ampliar a REPAM em cada localidade.
• Consultar quais são as outras Igrejas abertas para essa discussão temática de Rede.
• Levar ao conhecimento das bases para o povo das CEBs saberem do que se trata;
• Ter alguém da Equipe da REPAM para contribuir na base, no caso de formulação de denúncias.
Nossas ações
• A partir do Estudo da Laudato Si’ fazer a conscientização para a reciclagem dos resíduos sólidos, proteção das nascentes dos rios e evitar os desperdícios em forma geral (água, Luz, alimentos)
• Divulgar a Laudato Si’, utilizando os temas ambientais (coleta de lixo, preservação das águas e floresta, redução do consumismo, etc.) por meio de encenações e teatros, nas comunidades, grupos, transporte coletivo, com criatividade.
• Cobrar a elaboração do Plano de Saneamento Básico nos Municípios, de forma participativa, a partir de um diagnóstico da realidade, com a prioridade do tema da Água.
• Onde houver Plano de Saneamento Básico, cobrar sua execução nos quatro âmbitos (água potável, tratamento de esgoto, resíduos sólidos e drenagem de águas pluviais).
• Incentivar arborização dos Bairros, criar hortas e hortos comunitários, com troca de sementes crioulas e Quintal Vivo, reflorestar áreas rurais com plantas nativas.
• Viabilizar as denúncias e defesa dos membros da rede que forem ameaçados, com formação e orientação no âmbito dos DDHH, com parcerias e entidades que apoiem a REPAM.
• Articular a REPAM em nível local para desenvolver atividades na Região.
• Reforçar e apoiar os Movimentos que defendem a vida, no ambiente social, político e econômico.
• Ser presença (inserir-se mais) nas aldeias, assentamentos e comunidades rurais para trabalharem juntos.
• Buscar parcerias com os Conselhos Paritários municipais, Universidades (IFPA, UEPA e UNIFESSPA), Grupos Sociais e Igrejas.
• Criar Fóruns como iniciativa da REPAM sobre temas ambientais (por exemplo, tema da água e suas interfaces com os vários segmentos sociais).
Por fim, celebramos a eucaristia lembrando que ela é sempre a fonte primeira de nossa ação como missionários na Amazônia.
Participantes do Seminário Laudato Si’ – REPAM do Sul e Sudeste do Pará