REPAM envia carta, em 4 idiomas, a caminho da COP30

A COP 30 representa uma oportunidade crucial para discutir e proteger a Pan-Amazônia. A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), como uma instituição que conecta diversas comunidades com suas visões de cuidado socioambiental, tem um papel fundamental em apoiar e promover movimentos que busquem a sustentabilidade e a justiça na região. Por Comunicação REPAM A Amazônia é um dos maiores biomas do mundo, que abriga uma imensa biodiversidade. A COP 30 representa uma oportunidade para abordar questões críticas sobre a preservação desse ecossistema vital, bem como para discutir estratégias para sua proteção e recuperação. Dentro deste espaço é possível desenvolver e fortalecer compromissos para a mitigação das mudanças climáticas, que são especialmente relevantes para as comunidades amazônicas que já sofrem os graves efeitos dessas transformações. A missão da REPAM está profundamente ligada à promoção da justiça social e da ética ambiental. Em uma carta com 7 eixos, a REPAM mobiliza e incentiva que o direito dos povos e da natureza sejam protegidos e respeitados. A carta sobre a Repam a caminho da COP 30 Pan-Amazônica está disponível em quatro idiomas e pode ser descarregado no link abaixo. 2024.09.10-PT-Doc-Incidencia-REPAM-COP-30-1 2024.09.10-ES-Doc-Incidencia-REPAM-COP-30-1 2024.09.10-EN-Doc-Incidencia-REPAM-COP-30 2024.09.10-FR-Doc-Incidencia-REPAM-COP-30 Revisão: Ir. Hugo Bruno Mombach, FSC – Jornalista, tradutor e revisor de textos. Reprodução: REPAM-Pan
Reunião do Operativo Nacional da Cúpula dos Povos fortalece mobilização para a COP 30

A articulação da REPAM-Brasil e da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima participou, entre os dias 18 e 20 de setembro, da Reunião do Operativo Nacional da Cúpula dos Povos, em Belém-PA. O encontro, que reuniu lideranças de diversos movimentos sociais e populares, teve como foco a construção da metodologia, dos planos de trabalho e da mobilização de recursos em preparação para a COP 30, que ocorrerá na capital paraense em 2025. O evento, realizado ao longo de três dias, foi um marco no processo de organização da Cúpula dos Povos, que visa garantir a participação ativa de diferentes segmentos da sociedade civil no debate global sobre mudanças climáticas e justiça social. “Esse encontro foi um momento de avanço para as águas mais profundas que nos interligam rumo à COP 30 (…) A REPAM, como igreja a serviço da vida junto aos povos amazônicos, acredita e tem apoiado, caminhando com mais de 400 organizações na Cúpula dos Povos para a grande mobilização de povos, redes, movimentos e organizações da terra pelo clima, na defesa da vida do planeta. Continuaremos a trilhar esse caminho, caminhando junto com os povos para que eles sejam protagonistas dessa ação”, afirmou Doris Vasconcellos, articuladora da REPAM-Brasil. A atividade teve início na quarta-feira (18) com um resgate histórico das experiências vividas em eventos como a Rio+20, a Eco 92 e os Diálogos Amazônicos. O objetivo foi refletir sobre os aprendizados e desafios desses marcos históricos para embasar o processo atual de organização da Cúpula dos Povos. Na quinta-feira (19), os participantes se dedicaram à construção dos planos de trabalho dos Grupos de Trabalho (GTs) e à consolidação da metodologia da Cúpula. O último dia, sexta-feira (20), foi marcado por uma reunião conjunta entre o Operativo Nacional e o Comitê Local Ampliado da Cúpula dos Povos. Juntos, os grupos definiram a agenda de atividades, os eixos temáticos e as bandeiras de luta, baseadas nas 16 diretrizes estabelecidas em agosto de 2024. Entramos em temas como a necessidade de rever e construir uma nova governança global do clima, a partir do Sul Global, aproveitando o fato de que a COP será no Brasil, na Amazônia. Discutimos também a transição energética justa e a eliminação gradual da queima de combustíveis fósseis, que representa mais de 80% das emissões globais. Abordamos a questão dos povos e territórios, o desmatamento zero, a soberania e o bem viver dessas populações, além da cultura, espiritualidade, reforma agrária, e a demarcação de novas áreas indígenas, quilombolas e extrativistas. Tratamos também de eixos importantes como o racismo ambiental e as questões de gênero e dos direitos das mulheres, entre outros”, disse Caetano Scannavino, membro da coordenação da Rede Observatório do Clima. O encontro foi encerrado com o compromisso de seguir mobilizando recursos e articulando parcerias para fortalecer a Cúpula dos Povos, que se consolidará como uma plataforma de resistência e construção coletiva durante e após a COP 30. A expectativa é que o evento em 2025 seja um marco na luta global por um futuro mais justo e sustentável. “Saímos animados com os encaminhamentos feitos, já traçando os próximos passos e articulando com entes internacionais. Afinal, esta não é uma COP apenas do Brasil ou da Amazônia, mas da agenda global”, acrescentou Scannavino. A REPAM-Brasil faz parte da Cúpula dos Povos, que conta com mais de 400 organizações. A articulação também inclui a participação local da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, um movimento que reforça o compromisso com a defesa dos territórios e da biodiversidade amazônica, alinhado com a preparação para a COP 30. “Todo processo de mobilização precisa nascer do chão que o impulsiona e é por isso que a REPAM se insere no Operativo Local para que possamos pensar globalmente e agir localmente na construção de uma Cúpula verdadeiramente dos Povos. O território é o igarapé que se encontra com os rios de organizações populares e desaguam no grande oceano dos desafios e possibilidades na luta por justiça climática”, conclui Eduardo Soares, secretário da Mobilização dos Povos pela Terra e Pelo Clima, articulação da Repam-Brasil rumo à COP 30. Participe da Carta Política e da Adesão de Novas Organizações e Movimentos Desde agosto de 2023, movimentos sociais, coletivos, redes e organizações da sociedade civil brasileira vêm unindo forças para construir uma convergência entre mulheres, indígenas, quilombolas, agricultores, povos tradicionais, juventudes, ambientalistas, trabalhadores, movimentos de direitos humanos, LGBTQIAPN+, entre outros. Essa articulação é parte da organização da Cúpula dos Povos, um espaço autônomo frente à COP 30 da ONU sobre Mudanças Climáticas, que acontecerá na Amazônia. A Cúpula dos Povos convoca organizações e movimentos de diversos segmentos para construir um evento capaz de mobilizar a opinião pública, fortalecer a democracia participativa e pressionar tomadores de decisões no Brasil e no mundo. Inscreva-se para participar
Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima e Movimento Popular de Mulheres realiza formação sobre a COP 30

A Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, articulação da REPAM rumo à COP 30 em Belém, apoiou no último sábado, 14, a realização de uma formação virtual sobre a COP 30, em parceria com o Movimento Popular de Mulheres, que reúne mulheres do Pará, Maranhão e Tocantins. Ao todo, 75 pessoas dessas e de outras regiões do país participaram do encontro, que discutiu temas como: O que é a COP? Como ela é organizada? Como participar? E como as populações em seus territórios e os movimentos sociais de base podem se envolver e se mobilizar para a Conferência Climática que acontecerá em Belém no próximo ano. A formação contou ainda com os parceiros da FASE e Comitê COP 30, ambos compondo a Cúpula dos Povos, e o Movimento Popular de Mulheres. “Foi um momento muito importante e significativo para a agenda de debates sobre a importância e a necessidade da COP 30 no Brasil, esse evento que chega trazendo debates importantíssimos e que precisa do engajamento da sociedade, principalmente nas agendas que dizem respeito à mobilização dos atores necessários para a sensibilização da criação das novas NDCs no brasil e de todos os documentos que serão negociados ao longo do evento. Então esse encontro foi de muita importância principalmente porque nós conseguimos esse debate de forma ampliada e descentralizada”, afirma Marcos Wesley, representante do Comitê COP 30. COP significa Conferência das Partes. Partes, nesta sigla, se refere aos países que fazem parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, tratado internacional que costuma ser referenciado pela sua sigla em inglês: UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change). A Convenção-Quadro foi aberta para assinaturas em 1992, durante a Conferência Rio-92, mas entrou em vigor apenas em 1994. Por isso, desde 1995, as Partes se reunem anualmente para avançar na implementação das medidas e compromissos definidos no tratado internacional. Mais do que uma reunião entre partes de um tratado internacional de mudanças climáticas, a COP é hoje o principal fórum de debates sobre meio ambiente em escala global. A conferência reune representantes de mais de 196 países para tratar de questões ambientais de modo geral e das mudanças climáticas em específico. “Quem padece com a crise, com os efeitos dessa crise? Temos reflexos econômicos, sociais, culturais e políticos. as desigualdades sociais, de raça, etnia, de gênero e classe se reproduzem na área ambiental. Esses efeitos são sentidos na população mais pobre, na população negra, nos quilombos, nos territórios indígenas, nas periferias das cidades. Entramos num nível de injustiça ambiental muito grande quando falamos de crise climática”, ressalta Sara Pereira, representante da FASE. Joana Menezes, articuladora da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima ainda destacou a importância de estabelecer esse processo de articulação dos povos, movimentos, redes, fóruns, antes, durante e depois da COP 30, fortalecendo as lutas, nos territórios, com extrativistas, ribeirinhos, quilombolas, quebradeiras de coco e povos indígenas. “A gente precisa valorizar e potencializar essas diversidades de luta e de experiencias que os povos compartilham conosco, buscando aglutinar essas forças em diversos espaços”, conclui.