Povos indígenas debatem crise climática e mercado de carbono no 2º Seminário da Terra em Altamira (PA)

Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima participou do encontro e reforçou a importância da escuta aos povos originários rumo à COP30 Territórios em diálogo: Amazônia em foco Entre os dias 15 e 19 de julho de 2025, cerca de 80 lideranças indígenas de diferentes territórios do Pará e de outros Estados da Amazônia se reuniram em Altamira (PA) para participar do 2º Seminário da Terra, promovido pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI). O encontro teve como foco central a crise climática e seus impactos diretos nos povos indígenas, além de debater os desafios e armadilhas do mercado de carbono e o cenário de preparação para a COP30, marcada para 2025, em Belém (PA). O evento foi um espaço de partilha, resistência e articulação, reunindo vozes diversas em defesa da vida nos territórios e da Mãe Terra. REPAM apresenta o ABC das COPs A Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, iniciativa da Articulação REPAM rumo à COP30, esteve presente no seminário, dialogando com os participantes sobre os desafios e as perspectivas de participação na conferência do clima. Durante a programação, a equipe apresentou a Cartilha ABC das COPs, um material didático que explica o histórico, o funcionamento e os objetivos da Conferência das Partes da ONU. A cartilha foi recebida com entusiasmo pelas lideranças indígenas, que destacaram a importância de compreender o processo internacional para fortalecer sua presença e incidência política nos espaços globais de decisão. Povos indígenas são chave para enfrentar a crise Durante o encontro, Eduardo Soares, da Secretário da Articulação COP30, reforçou a urgência de construir soluções reais para a crise socioambiental a partir da escuta e do protagonismo dos povos originários: “A população indígena, além de ser uma das principais impactadas, é também a chave para que possamos superar os impactos climáticos, por essa relação integral de cuidado e compromisso com a Casa Comum”, afirmou Eduardo. A programação também abordou os efeitos concretos das mudanças climáticas nos modos de vida indígenas, como a alteração dos ciclos da água, a perda de biodiversidade e as dificuldades na produção de alimentos, além de denunciar os assédios do mercado de carbono nos territórios, que prometem compensações financeiras às custas do controle sobre a terra e a cultura dos povos. Caminhos rumo à COP30 O Seminário da Terra foi mais um passo importante na construção de uma participação ativa e crítica dos povos da Amazônia na COP30. A Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima reafirma seu compromisso com a escuta dos territórios, a defesa dos direitos indígenas e a promoção de um debate público sobre justiça climática que valorize os saberes tradicionais e enfrente as falsas soluções do mercado.

Articulação COP30 participa de seminário sobre proteção de lideranças socioambientais na Amazônia

Encontro reforça importância de estratégias duradouras para a segurança de defensoras e defensores de direitos humanos rumo à COP30 Um ano decisivo para a Amazônia e seus povos No dia 16 de julho, a Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, articulação da REPAM Brasil rumo à COP30, participou do Seminário “Proteção e segurança de lideranças socioambientais”, realizado no Ministério Público Federal do Pará. A atividade integrou um processo de escuta, articulação e mobilização em torno dos direitos humanos e ambientais na Amazônia, como parte do esforço coletivo para proteger quem está na linha de frente das lutas socioambientais: defensoras e defensores de direitos humanos, comunicadores populares, ambientalistas e lideranças tradicionais. O seminário foi coordenado pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), reunindo organizações da sociedade civil, movimentos sociais e representantes de instituições públicas. Segurança para além da COP30 Com foco central na proteção urgente das lideranças que atuam nos territórios e “maretórios” amazônicos, o evento buscou construir estratégias de segurança e justiça que perdurem além da COP30, marcada para 2025 em Belém (PA). A REPAM compartilhou sua experiência de atuação territorial no projeto Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, que tem promovido rodas de conversa, escuta ativa e elaboração de cartas de demanda em diversas comunidades da Amazônia Legal. A participação da REPAM somou-se à de organizações como o Instituto Zé Cláudio e Maria, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), entre outras, que vêm denunciando ameaças crescentes contra lideranças populares e ambientalistas. Vozes que resistem e articulam Para a articuladora da Articulação COP30, Joana Menezes, o seminário foi um momento crucial para fortalecer redes de proteção, em um contexto de crescente vulnerabilidade dos povos da floresta: “Proteger a Amazônia começa por proteger quem a defende. A cada escuta que fazemos nos territórios, percebemos o quanto as lideranças estão expostas. Precisamos garantir que essas vozes continuem existindo e sendo ouvidas. A construção coletiva desse seminário aponta caminhos concretos para que a proteção não seja apenas emergencial, mas uma política permanente de justiça e dignidade”, afirmou Joana. Compromissos que se expandem A articulação da REPAM para a COP30 segue mobilizada, ampliando espaços de diálogo e incidência com foco nos direitos dos povos e da Mãe Terra. O seminário reforça a necessidade de ações coordenadas, multissetoriais e permanentes para enfrentar a violência nos territórios amazônicos — e faz um chamado à sociedade para que a defesa da vida seja prioridade nas agendas locais, nacionais e internacionais.