Eliane Gentil: o trabalho coletivo que floresce no Maranhão 

Entre os campos e manguezais do norte do Maranhão, a comunidade de São Domingos, em Paulino Neves, vive um renascimento silencioso. Lá, a força da agricultura familiar se mistura à vontade de proteger a natureza. No centro desse movimento está Eliane Gentil, mulher de fala firme e olhar acolhedor, que há quatro anos lidera o Grupo Produtivo e o Sindicato de Paulino Neves, unindo economia solidária e defesa ambiental.  “Desde 2020 a gente se juntou pra trabalhar de forma coletiva. Foi quando percebemos que, se cuidássemos do território e da natureza, o retorno vinha pra todos”, conta Eliane. À frente de dezenas de famílias, ela organiza a produção de artesanatos e doces de buriti, feitos com técnicas tradicionais e matéria-prima local. “O nosso doce de buriti, o nosso artesanato, tudo vem da terra. A gente aprende com ela e devolve com cuidado.”  O grupo tem o apoio de editais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), que investem em projetos de fortalecimento comunitário e valorização das práticas sustentáveis. O grupo também teve acompanhamento do programa Maranhão Mais Justo e Solidário, em 2020, e neste ano executou o primeiro projeto apoiado pelo Fundo Casa Socioambiental, voltado à piscicultura e oficinas sobre mudanças climáticas e COP30. Para Eliane, esse apoio foi decisivo. “A REPAM acreditou na gente quando ninguém mais acreditava. Hoje a gente vende, gera renda e mostra que é possível viver da natureza sem destruir.” Com o avanço do trabalho coletivo, Eliane passou a integrar a Comissão do CADSOL Maranhão, responsável por analisar empreendimentos da economia solidária no estado, mais um reconhecimento do protagonismo que vem construindo a partir de São Domingos. Com malas cheias de produtos e o coração cheio de expectativa, Eliane embarca para a COP30, em Belém. Ela será uma das representantes da Amazônia Legal a participar da Cúpula dos Povos, espaço que reúne movimentos sociais paralelamente às negociações oficiais. “A gente vai pra representar nossa comunidade, levar o que é nosso. E mostrar que o pequeno também tem voz”, diz.  A realidade de São Domingos reflete os desafios da Amazônia Maranhense, uma região de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado, marcada por queimadas, desmatamento e escassez hídrica. Ainda assim, Eliane acredita que a solução passa pelo coletivo. “Defender o território não é só protestar. É plantar, é colher, é cuidar. Isso também é resistência”, afirma.  Na COP, ela quer mostrar que o futuro sustentável do planeta começa nas pequenas comunidades. “O que a gente faz aqui, com as nossas mãos, é um recado pro mundo: se cada um cuidar do seu pedaço, a floresta vive.”