{"id":15334,"date":"2024-11-21T15:17:42","date_gmt":"2024-11-21T18:17:42","guid":{"rendered":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/?p=15334"},"modified":"2024-11-21T15:18:02","modified_gmt":"2024-11-21T18:18:02","slug":"liderancas-amazonicas-criticam-a-ferrograo-durante-a-cop29","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/liderancas-amazonicas-criticam-a-ferrograo-durante-a-cop29\/","title":{"rendered":"Lideran\u00e7as Amaz\u00f4nicas criticam a Ferrogr\u00e3o durante a COP29"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a Confer\u00eancia das Partes sobre o Clima (COP29), realizada em Baku, Azerbaij\u00e3o, lideran\u00e7as amaz\u00f4nicas expressaram duras cr\u00edticas ao projeto da Ferrogr\u00e3o e a outras grandes obras de infraestrutura que amea\u00e7am o bioma e as popula\u00e7\u00f5es tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O painel <strong>\u201cInfraestrutura sustent\u00e1vel na Amaz\u00f4nia: caminhos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e ecol\u00f3gica\u201d<\/strong> contou com a participa\u00e7\u00e3o de vozes como Alessandra Korap Munduruku, lideran\u00e7a ind\u00edgena do M\u00e9dio Tapaj\u00f3s e ganhadora do Pr\u00eamio Goldman 2023, e Cleidiane Vieira, do Movimento dos Atingidos por Barragens ( MAB). Ambas denunciaram os impactos sociais e ambientais dos empreendimentos log\u00edsticos na regi\u00e3o e defenderam alternativas sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPe\u00e7o que n\u00e3o deixem a Ferrogr\u00e3o destruir o Tapaj\u00f3s\u201d, afirmou Alessandra Korap. Segundo ela, a ferrovia, projetada para escoar gr\u00e3os do Centro-Oeste pelo Rio Tapaj\u00f3s, amea\u00e7a n\u00e3o apenas o territ\u00f3rio de seu povo, mas tamb\u00e9m o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico da regi\u00e3o. Alessandra destacou a gravidade do cen\u00e1rio: \u201cS\u00f3 no Rio Tapaj\u00f3s, h\u00e1 41 projetos de portos, 27 j\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o, sendo que apenas cinco est\u00e3o licenciados. Pedimos respeito: paremos com a Ferrogr\u00e3o e todos os empreendimentos que destroem nossos rios e nossa cultura\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cleidiane Vieira chamou aten\u00e7\u00e3o para as desigualdades geradas pelo modelo de desenvolvimento na Amaz\u00f4nia: \u201cTemos grandes hidrel\u00e9tricas, mas nossas comunidades vivem sem energia. Pagamos a tarifa mais cara do Brasil enquanto nossos recursos s\u00e3o saqueados para atender outras regi\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ricardo Baitelo, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), refor\u00e7a a necessidade de um planejamento mais inclusivo e sustent\u00e1vel para projetos de infraestrutura. \u201cCorredores log\u00edsticos, como a Ferrogr\u00e3o, s\u00e3o decididos sem que as comunidades possam incidir de verdade. Isso precisa mudar. Precisamos de solu\u00e7\u00f5es que beneficiem as comunidades, n\u00e3o apenas os grandes neg\u00f3cios\u201d, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto da Ferrogr\u00e3o (EF-170), promovido por empresas do agroneg\u00f3cio e apoiado pelo Governo Federal, prev\u00ea 933 quil\u00f4metros de trilhos conectando Sinop (MT) a Miritituba (PA). As estimativas indicam que a ferrovia pode aumentar em seis vezes o transporte de gr\u00e3os pelo Rio Tapaj\u00f3s at\u00e9 2049, mas suas consequ\u00eancias socioambientais geraram oposi\u00e7\u00e3o crescente entre as comunidades locais e ambientalistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As lideran\u00e7as encerraram o painel pedindo que a voz dos povos da Amaz\u00f4nia seja ouvida e que alternativas mais justas e sustent\u00e1veis \u200b\u200bsejam priorizadas para a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Aspas das lideran\u00e7as:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Alessandra Korap Munduruku:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>&#8220;S\u00e3o hidrovias, hidrel\u00e9tricas, portos e ferrovias, grandes obras de log\u00edstica que n\u00e3o funcionam para o bioma Amaz\u00f4nia e impactam desempenhos na vida dos povos tradicionais.&#8221;<\/li>\n\n\n\n<li>&#8220;S\u00f3 no Rio Tapaj\u00f3s, h\u00e1 41 projetos de portos, 27 j\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o, sendo que apenas cinco est\u00e3o licenciados. N\u00e3o deixem a Ferrogr\u00e3o destruir nosso territ\u00f3rio. Nossa riqueza est\u00e1 no rio limpo, na floresta em p\u00e9.&#8221;<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cleidiane Vieira (MAB):<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>&#8220;O que foi pensado para a Amaz\u00f4nia \u00e9 sempre para atender \u00e0 demanda do pa\u00eds, nunca para as pessoas.&#8221;<\/li>\n\n\n\n<li>&#8220;A Amaz\u00f4nia est\u00e1 sitiada, saqueada. Nunca se extraiu tanta riqueza sem retorno para quem vive aqui. Nada para a Amaz\u00f4nia sem os amaz\u00f4nidas.&#8221;<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ricardo Baitelo (IEMA):<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>&#8220;Corredores log\u00edsticos, como a Ferrogr\u00e3o, s\u00e3o decididos sem que as comunidades possam incidir de verdade. Isso precisa mudar.&#8221;<\/li>\n\n\n\n<li>\u201cPrecisamos de uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que garanta acesso e beneficie diretamente as comunidades locais.\u201d<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transforma\u00e7\u00e3o come\u00e7a aqui e agora, com as vozes de quem vive e cuida da Terra. A REPAM-Brasil exerce um papel crucial na C\u00fapula dos Povos, liderando a Mobiliza\u00e7\u00e3o dos Povos pela Terra e pelo Clima como parte dos preparativos para a COP30, em Bel\u00e9m-PA. Sua articula\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para unir vozes diversas e engajadas na constru\u00e7\u00e3o de uma transi\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e na defesa da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante a Confer\u00eancia das Partes sobre o Clima (COP29), realizada em Baku, Azerbaij\u00e3o, lideran\u00e7as amaz\u00f4nicas expressaram duras cr\u00edticas ao projeto da Ferrogr\u00e3o e a outras grandes obras de infraestrutura que amea\u00e7am o bioma e as popula\u00e7\u00f5es tradicionais. O painel \u201cInfraestrutura sustent\u00e1vel na Amaz\u00f4nia: caminhos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e ecol\u00f3gica\u201d contou com a participa\u00e7\u00e3o de vozes como Alessandra Korap Munduruku, lideran\u00e7a ind\u00edgena do M\u00e9dio Tapaj\u00f3s e ganhadora do Pr\u00eamio Goldman 2023, e Cleidiane Vieira, do Movimento dos Atingidos por Barragens ( MAB). 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Pagamos a tarifa mais cara do Brasil enquanto nossos recursos s\u00e3o saqueados para atender outras regi\u00f5es\u201d. Ricardo Baitelo, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), refor\u00e7a a necessidade de um planejamento mais inclusivo e sustent\u00e1vel para projetos de infraestrutura. \u201cCorredores log\u00edsticos, como a Ferrogr\u00e3o, s\u00e3o decididos sem que as comunidades possam incidir de verdade. Isso precisa mudar. Precisamos de solu\u00e7\u00f5es que beneficiem as comunidades, n\u00e3o apenas os grandes neg\u00f3cios\u201d, destacou. O projeto da Ferrogr\u00e3o (EF-170), promovido por empresas do agroneg\u00f3cio e apoiado pelo Governo Federal, prev\u00ea 933 quil\u00f4metros de trilhos conectando Sinop (MT) a Miritituba (PA). 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