{"id":16135,"date":"2025-05-30T16:06:32","date_gmt":"2025-05-30T19:06:32","guid":{"rendered":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/?p=16135"},"modified":"2025-05-30T16:08:42","modified_gmt":"2025-05-30T19:08:42","slug":"amazonia-recebe-reuniao-internacional-da-cupula-dos-povos-rumo-a-cop-30-com-ato-politico-no-dia-30-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/amazonia-recebe-reuniao-internacional-da-cupula-dos-povos-rumo-a-cop-30-com-ato-politico-no-dia-30-de-maio\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia recebe reuni\u00e3o internacional da C\u00fapula dos Povos rumo \u00e0 COP 30 com ato pol\u00edtico no dia 30 de maio."},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>REPAM e mais de 60 organiza\u00e7\u00f5es do Brasil e do mundo est\u00e3o em Bel\u00e9m para <\/em><\/strong><em>tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de resist\u00eancia global e exigir justi\u00e7a clim\u00e1tica<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>De 30 de maio a 2 de junho, Bel\u00e9m do Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia brasileira, ser\u00e1 o centro de uma articula\u00e7\u00e3o global por justi\u00e7a clim\u00e1tica. A cidade sedia pela <strong>primeira vez o encontro presencial da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica da C\u00fapula dos Povos rumo \u00e0 COP 30<\/strong>, reunindo mais de <strong>60 organiza\u00e7\u00f5es, redes e movimentos sociais do Brasil, da Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica, \u00c1sia e Europa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A agenda come\u00e7a com um ato pol\u00edtico no dia 30, \u00e0s 16h, na Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), sob o tema &#8220;Da Amaz\u00f4nia para o Mundo: Justi\u00e7a Clim\u00e1tica J\u00e1!&#8221;. Com o lema &#8220;Todos os rios levam a Bel\u00e9m. \u00c9 hora de ouvir as vozes dos territ\u00f3rios. N\u00e3o h\u00e1 futuro sem n\u00f3s&#8221;, o ato ser\u00e1 um chamado internacional \u00e0 a\u00e7\u00e3o e \u00e0 den\u00fancia contra o racismo ambiental, as falsas solu\u00e7\u00f5es e o colapso clim\u00e1tico que avan\u00e7a sobre os territ\u00f3rios e corpos mais vulnerabilizados.<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o ocorre em um cen\u00e1rio cr\u00edtico para o planeta. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM), 2024 foi o ano mais quente j\u00e1 registrado, com uma temperatura m\u00e9dia global de 1,55\u00b0C acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. Este aumento representa um marco preocupante, pois ultrapassa pela primeira vez o limite de 1,5\u00b0C estabelecido como meta no Acordo de Paris para evitar os piores impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, as Confer\u00eancias da ONU (COPs) falham em garantir financiamento clim\u00e1tico real para os pa\u00edses mais impactados. A COP 29, realizada em Baku, aprovou um financiamento muito abaixo do necess\u00e1rio e abriu espa\u00e7o para empr\u00e9stimos que podem endividar ainda mais o Sul Global.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva em janeiro de 2025 para retirar o pa\u00eds do Acordo de Paris pela segunda vez, refor\u00e7ando o isolamento dos EUA nas iniciativas globais contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a trag\u00e9dia clim\u00e1tica no Rio Grande do Sul, com mais de 160 mortes por enchentes em 2024, evidencia a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas de adapta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o recente avan\u00e7o do Projeto de Lei 364\/19 no Congresso brasileiro amea\u00e7a povos ind\u00edgenas, flexibiliza licenciamentos ambientais e abre ainda mais espa\u00e7o para o agroneg\u00f3cio e o garimpo ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia, cresce o n\u00famero de projetos que, sob o discurso de \u201ctransi\u00e7\u00e3o verde\u201d, expulsam comunidades tradicionais de seus territ\u00f3rios em nome da compensa\u00e7\u00e3o de carbono e da bioeconomia de mercado. A viol\u00eancia contra defensoras e defensores ambientais tamb\u00e9m aumenta: em 2023, foram 177 assassinatos de ativistas ambientais no mundo, 88 deles na Am\u00e9rica Latina, segundo a Global Witness.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Den\u00fancias das Periferias Escancarar\u00e3o Contradi\u00e7\u00f5es da COP30<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Ato Pol\u00edtico na UFPA se prop\u00f5e n\u00e3o apenas como um momento simb\u00f3lico, mas como um espa\u00e7o concreto de den\u00fancia das falsas solu\u00e7\u00f5es apresentadas nos f\u00f3runs oficiais da COP30. Lideran\u00e7as de diversos territ\u00f3rios estar\u00e3o presentes para mostrar que as respostas reais \u00e0 crise clim\u00e1tica j\u00e1 est\u00e3o sendo constru\u00eddas nas periferias urbanas, nas comunidades tradicionais e nos quilombos \u2014 e que ignorar essas solu\u00e7\u00f5es \u00e9 perpetuar os problemas. A C\u00fapula se afirma, assim, como um contraponto popular e leg\u00edtimo \u00e0 narrativa institucional que privilegia grandes obras e interesses econ\u00f4micos em detrimento das vidas nos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os casos que ser\u00e3o denunciados no ato est\u00e3o os das comunidades da Vila da Barca e do territ\u00f3rio quilombola do Abacatal, que ilustram com clareza o que movimentos sociais e ambientais t\u00eam chamado de racismo ambiental: decis\u00f5es tomadas sem consulta, que deslocam os impactos negativos para popula\u00e7\u00f5es negras, perif\u00e9ricas e vulnerabilizadas, enquanto se promove uma imagem \u201cverde\u201d voltada ao exterior.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vila da Barca: Racismo Ambiental em Nome da Revitaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na Vila da Barca, uma das maiores comunidades de palafitas da Amaz\u00f4nia, os moradores t\u00eam convivido com os impactos diretos das obras da Nova Doca \u2014 um dos projetos de infraestrutura urbana vinculados \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m para sediar a COP30. Entulhos e esgoto oriundos de bairros nobres v\u00eam sendo despejados pr\u00f3ximos \u00e0 comunidade, sem di\u00e1logo ou qualquer processo de consulta. O que \u00e9 apresentado como revitaliza\u00e7\u00e3o tem significado, na pr\u00e1tica, degrada\u00e7\u00e3o ambiental, remo\u00e7\u00f5es e viola\u00e7\u00e3o de direitos. \u201c\u00c9 racismo ambiental, sim, porque s\u00f3 despejam o que n\u00e3o presta nos lugares onde moramos\u201d, afirma Suane Barreirinhas, educadora popular e lideran\u00e7a comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa realidade ser\u00e1 levada ao ato como exemplo do abismo entre o discurso de sustentabilidade promovido internacionalmente e as a\u00e7\u00f5es concretas implementadas nas cidades amaz\u00f4nicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quilombo Abacatal: A Estrada Que Amea\u00e7a um Territ\u00f3rio Quilombola<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m ser\u00e1 denunciado no ato o caso do quilombo Abacatal, localizado em Ananindeua, que ser\u00e1 diretamente impactado pela constru\u00e7\u00e3o da Avenida Liberdade \u2014 uma rodovia de 14 km planejada para \u201cmelhorar a mobilidade urbana\u201d na regi\u00e3o metropolitana de Bel\u00e9m. A estrada cortar\u00e1 \u00e1reas do territ\u00f3rio quilombola, comprometendo fontes de \u00e1gua, espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e locais de valor hist\u00f3rico e espiritual para a comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a elabora\u00e7\u00e3o de um Estudo do Componente Quilombola (ECQ), que apontou que 100% dos moradores s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 obra, o governo do Par\u00e1 seguiu com o projeto sem cumprir a Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT, que exige consulta pr\u00e9via, livre e informada. A den\u00fancia da viola\u00e7\u00e3o de direitos ser\u00e1 um dos pontos centrais trazidos pelas lideran\u00e7as quilombolas \u00e0 C\u00fapula.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os Territ\u00f3rios Apresentar\u00e3o Solu\u00e7\u00f5es Reais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As experi\u00eancias e den\u00fancias que ser\u00e3o compartilhadas durante o ato refor\u00e7ar\u00e3o o prop\u00f3sito da C\u00fapula: desmascarar as solu\u00e7\u00f5es de mercado apresentadas como sustent\u00e1veis e afirmar as pr\u00e1ticas ancestrais, comunit\u00e1rias e populares como caminhos concretos e vi\u00e1veis para enfrentar a crise clim\u00e1tica com justi\u00e7a social. As solu\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o sendo constru\u00eddas nos territ\u00f3rios \u2014 em forma de agroecologia, reflorestamento comunit\u00e1rio, gest\u00e3o popular da \u00e1gua, economia solid\u00e1ria, saberes ind\u00edgenas e quilombolas. Tornar essas vozes protagonistas \u00e9 o que dar\u00e1 legitimidade \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es que a Amaz\u00f4nia e o mundo precisam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da Amaz\u00f4nia para o mundo: os povos t\u00eam as solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A C\u00fapula dos Povos prop\u00f5e uma agenda enraizada nos territ\u00f3rios, conectando as lutas por justi\u00e7a clim\u00e1tica com bandeiras hist\u00f3ricas: reforma agr\u00e1ria, agroecologia, soberania alimentar, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, combate ao racismo e ao colonialismo clim\u00e1tico. Mais de 700 organiza\u00e7\u00f5es e redes sociais j\u00e1 aderiram ao processo desde 2023, incluindo coletivos de mulheres, povos ind\u00edgenas, juventudes, movimentos urbanos e sindicais.<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro de maio marca a consolida\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias coletivas para o evento principal em novembro, quando a C\u00fapula espera reunir cerca de 15 mil pessoas em Bel\u00e9m para uma ampla programa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de plen\u00e1rias para a constru\u00e7\u00e3o de uma carta de propostas a ser encaminhada \u00e0s lideran\u00e7as globais, j\u00e1 est\u00e1 definida a realiza\u00e7\u00e3o de barqueata (esp\u00e9cie de passeata no rio) na abertura, Ato Global com marcha nas ruas dia 15 e feiras com participa\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina, Caribe, \u00c1frica, \u00c1sia, Europa e Oceania.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica da C\u00fapula dos Povos<\/strong><br>30 de maio a 2 de junho de 2025, com reuni\u00e3o pela manh\u00e3 no dia 30.<br>Bel\u00e9m (PA)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ato Pol\u00edtico \u201cDa Amaz\u00f4nia para o Mundo: Justi\u00e7a Clim\u00e1tica J\u00e1!\u201d<br><\/strong>30 de maio, \u00e0s 16h<br>Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coletiva de imprensa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>02 de junho, \u00e0s 11h, no Parque dos Igarap\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Sandra Rocha | C\u00fapula dos Povos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REPAM e mais de 60 organiza\u00e7\u00f5es do Brasil e do mundo est\u00e3o em Bel\u00e9m para tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de resist\u00eancia global e exigir justi\u00e7a clim\u00e1tica De 30 de maio a 2 de junho, Bel\u00e9m do Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia brasileira, ser\u00e1 o centro de uma articula\u00e7\u00e3o global por justi\u00e7a clim\u00e1tica. A cidade sedia pela primeira vez o encontro presencial da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica da C\u00fapula dos Povos rumo \u00e0 COP 30, reunindo mais de 60 organiza\u00e7\u00f5es, redes e movimentos sociais do Brasil, da Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica, \u00c1sia e Europa. A agenda come\u00e7a com um ato pol\u00edtico no dia 30, \u00e0s 16h, na Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), sob o tema &#8220;Da Amaz\u00f4nia para o Mundo: Justi\u00e7a Clim\u00e1tica J\u00e1!&#8221;. Com o lema &#8220;Todos os rios levam a Bel\u00e9m. \u00c9 hora de ouvir as vozes dos territ\u00f3rios. N\u00e3o h\u00e1 futuro sem n\u00f3s&#8221;, o ato ser\u00e1 um chamado internacional \u00e0 a\u00e7\u00e3o e \u00e0 den\u00fancia contra o racismo ambiental, as falsas solu\u00e7\u00f5es e o colapso clim\u00e1tico que avan\u00e7a sobre os territ\u00f3rios e corpos mais vulnerabilizados. A mobiliza\u00e7\u00e3o ocorre em um cen\u00e1rio cr\u00edtico para o planeta. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM), 2024 foi o ano mais quente j\u00e1 registrado, com uma temperatura m\u00e9dia global de 1,55\u00b0C acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. Este aumento representa um marco preocupante, pois ultrapassa pela primeira vez o limite de 1,5\u00b0C estabelecido como meta no Acordo de Paris para evitar os piores impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Enquanto isso, as Confer\u00eancias da ONU (COPs) falham em garantir financiamento clim\u00e1tico real para os pa\u00edses mais impactados. A COP 29, realizada em Baku, aprovou um financiamento muito abaixo do necess\u00e1rio e abriu espa\u00e7o para empr\u00e9stimos que podem endividar ainda mais o Sul Global. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva em janeiro de 2025 para retirar o pa\u00eds do Acordo de Paris pela segunda vez, refor\u00e7ando o isolamento dos EUA nas iniciativas globais contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. No Brasil, a trag\u00e9dia clim\u00e1tica no Rio Grande do Sul, com mais de 160 mortes por enchentes em 2024, evidencia a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas de adapta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o recente avan\u00e7o do Projeto de Lei 364\/19 no Congresso brasileiro amea\u00e7a povos ind\u00edgenas, flexibiliza licenciamentos ambientais e abre ainda mais espa\u00e7o para o agroneg\u00f3cio e o garimpo ilegal. Na Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia, cresce o n\u00famero de projetos que, sob o discurso de \u201ctransi\u00e7\u00e3o verde\u201d, expulsam comunidades tradicionais de seus territ\u00f3rios em nome da compensa\u00e7\u00e3o de carbono e da bioeconomia de mercado. A viol\u00eancia contra defensoras e defensores ambientais tamb\u00e9m aumenta: em 2023, foram 177 assassinatos de ativistas ambientais no mundo, 88 deles na Am\u00e9rica Latina, segundo a Global Witness. Den\u00fancias das Periferias Escancarar\u00e3o Contradi\u00e7\u00f5es da COP30 O Ato Pol\u00edtico na UFPA se prop\u00f5e n\u00e3o apenas como um momento simb\u00f3lico, mas como um espa\u00e7o concreto de den\u00fancia das falsas solu\u00e7\u00f5es apresentadas nos f\u00f3runs oficiais da COP30. Lideran\u00e7as de diversos territ\u00f3rios estar\u00e3o presentes para mostrar que as respostas reais \u00e0 crise clim\u00e1tica j\u00e1 est\u00e3o sendo constru\u00eddas nas periferias urbanas, nas comunidades tradicionais e nos quilombos \u2014 e que ignorar essas solu\u00e7\u00f5es \u00e9 perpetuar os problemas. A C\u00fapula se afirma, assim, como um contraponto popular e leg\u00edtimo \u00e0 narrativa institucional que privilegia grandes obras e interesses econ\u00f4micos em detrimento das vidas nos territ\u00f3rios. Entre os casos que ser\u00e3o denunciados no ato est\u00e3o os das comunidades da Vila da Barca e do territ\u00f3rio quilombola do Abacatal, que ilustram com clareza o que movimentos sociais e ambientais t\u00eam chamado de racismo ambiental: decis\u00f5es tomadas sem consulta, que deslocam os impactos negativos para popula\u00e7\u00f5es negras, perif\u00e9ricas e vulnerabilizadas, enquanto se promove uma imagem \u201cverde\u201d voltada ao exterior. Vila da Barca: Racismo Ambiental em Nome da Revitaliza\u00e7\u00e3o Na Vila da Barca, uma das maiores comunidades de palafitas da Amaz\u00f4nia, os moradores t\u00eam convivido com os impactos diretos das obras da Nova Doca \u2014 um dos projetos de infraestrutura urbana vinculados \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m para sediar a COP30. Entulhos e esgoto oriundos de bairros nobres v\u00eam sendo despejados pr\u00f3ximos \u00e0 comunidade, sem di\u00e1logo ou qualquer processo de consulta. O que \u00e9 apresentado como revitaliza\u00e7\u00e3o tem significado, na pr\u00e1tica, degrada\u00e7\u00e3o ambiental, remo\u00e7\u00f5es e viola\u00e7\u00e3o de direitos. \u201c\u00c9 racismo ambiental, sim, porque s\u00f3 despejam o que n\u00e3o presta nos lugares onde moramos\u201d, afirma Suane Barreirinhas, educadora popular e lideran\u00e7a comunit\u00e1ria. Essa realidade ser\u00e1 levada ao ato como exemplo do abismo entre o discurso de sustentabilidade promovido internacionalmente e as a\u00e7\u00f5es concretas implementadas nas cidades amaz\u00f4nicas. Quilombo Abacatal: A Estrada Que Amea\u00e7a um Territ\u00f3rio Quilombola Tamb\u00e9m ser\u00e1 denunciado no ato o caso do quilombo Abacatal, localizado em Ananindeua, que ser\u00e1 diretamente impactado pela constru\u00e7\u00e3o da Avenida Liberdade \u2014 uma rodovia de 14 km planejada para \u201cmelhorar a mobilidade urbana\u201d na regi\u00e3o metropolitana de Bel\u00e9m. A estrada cortar\u00e1 \u00e1reas do territ\u00f3rio quilombola, comprometendo fontes de \u00e1gua, espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e locais de valor hist\u00f3rico e espiritual para a comunidade. Mesmo com a elabora\u00e7\u00e3o de um Estudo do Componente Quilombola (ECQ), que apontou que 100% dos moradores s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 obra, o governo do Par\u00e1 seguiu com o projeto sem cumprir a Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT, que exige consulta pr\u00e9via, livre e informada. A den\u00fancia da viola\u00e7\u00e3o de direitos ser\u00e1 um dos pontos centrais trazidos pelas lideran\u00e7as quilombolas \u00e0 C\u00fapula. Os Territ\u00f3rios Apresentar\u00e3o Solu\u00e7\u00f5es Reais As experi\u00eancias e den\u00fancias que ser\u00e3o compartilhadas durante o ato refor\u00e7ar\u00e3o o prop\u00f3sito da C\u00fapula: desmascarar as solu\u00e7\u00f5es de mercado apresentadas como sustent\u00e1veis e afirmar as pr\u00e1ticas ancestrais, comunit\u00e1rias e populares como caminhos concretos e vi\u00e1veis para enfrentar a crise clim\u00e1tica com justi\u00e7a social. As solu\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o sendo constru\u00eddas nos territ\u00f3rios \u2014 em forma de agroecologia, reflorestamento comunit\u00e1rio, gest\u00e3o popular da \u00e1gua, economia solid\u00e1ria, saberes ind\u00edgenas e quilombolas. Tornar essas vozes protagonistas \u00e9 o que dar\u00e1 legitimidade \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es que a Amaz\u00f4nia e o mundo precisam. Da Amaz\u00f4nia para o mundo: os povos t\u00eam as solu\u00e7\u00f5es A C\u00fapula dos Povos prop\u00f5e uma agenda enraizada nos territ\u00f3rios, conectando as lutas por justi\u00e7a clim\u00e1tica com bandeiras hist\u00f3ricas: reforma agr\u00e1ria, agroecologia, soberania alimentar, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, combate ao racismo e<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":16138,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[13,14,15,16,17,19,7,8],"class_list":["post-16135","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-amazonia","tag-conferencia-do-clima-da-onu","tag-cop-30","tag-cupula-dos-povos","tag-mudanca-climatica","tag-povos-indigenas","tag-repam","tag-repam-brasil"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_4716-scaled-e1748631761785.jpg",2330,1894,false],"landscape":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_4716-scaled-e1748631761785.jpg",2330,1894,false],"portraits":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_4716-scaled-e1748631761785.jpg",2330,1894,false],"thumbnail":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_4716-scaled-e1748631761785-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_4716-scaled-e1748631761785-300x244.jpg",300,244,true],"large":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_4716-scaled-e1748631761785-1024x832.jpg",800,650,true],"1536x1536":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_4716-scaled-e1748631761785-1536x1249.jpg",1536,1249,true],"2048x2048":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_4716-scaled-e1748631761785-2048x1665.jpg",2048,1665,true]},"rttpg_author":{"display_name":"Comunica\u00e7\u00e3o Cop30","author_link":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/author\/comunicacaocop30\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/category\/noticias\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcias<\/a>","rttpg_excerpt":"REPAM e mais de 60 organiza\u00e7\u00f5es do Brasil e do mundo est\u00e3o em Bel\u00e9m para tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de resist\u00eancia global e exigir justi\u00e7a clim\u00e1tica De 30 de maio a 2 de junho, Bel\u00e9m do Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia brasileira, ser\u00e1 o centro de uma articula\u00e7\u00e3o global por justi\u00e7a clim\u00e1tica. 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