{"id":16162,"date":"2025-06-02T17:44:40","date_gmt":"2025-06-02T20:44:40","guid":{"rendered":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/?p=16162"},"modified":"2025-06-02T17:48:00","modified_gmt":"2025-06-02T20:48:00","slug":"mulheres-do-mab-vozes-da-resistencia-por-justica-e-direitos-para-os-atingidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/mulheres-do-mab-vozes-da-resistencia-por-justica-e-direitos-para-os-atingidos\/","title":{"rendered":"Mulheres do MAB: vozes da resist\u00eancia por justi\u00e7a e direitos para os atingidos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Com diferentes hist\u00f3rias de resist\u00eancia, as mulheres do MAB levam para Bras\u00edlia a for\u00e7a de um Brasil que luta contra crimes ambientais, privatiza\u00e7\u00f5es e os efeitos da intensifica\u00e7\u00e3o da crise clim\u00e1tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>por&nbsp;<a href=\"https:\/\/mab.org.br\/autor\/coletivo-nacional-de-comunicacao-do-mab\/\">Coletivo Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o do MAB<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Publicado 30\/05\/2025 &#8211; Atualizado 01\/06\/2025<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 02 de junho, Bras\u00edlia ser\u00e1 palco de uma importante&nbsp;Jornada de Lutas,&nbsp;que reunir\u00e1 mais de mil mulheres de diversas regi\u00f5es do Brasil. Elas v\u00e3o \u00e0 capital federal para reivindicar seus direitos, visibilizar suas causas e denunciar as viola\u00e7\u00f5es sofridas em seus territ\u00f3rios. Mais do que isso, essa jornada \u00e9 um grito coletivo por um futuro mais justo, onde a vida e o bem-estar das comunidades n\u00e3o sejam submetidos ao lucro. Entre as principais reivindica\u00e7\u00f5es, est\u00e1 o arquivamento do PL da Devasta\u00e7\u00e3o (PEC 65\/2012), que busca desregulamentar a prote\u00e7\u00e3o ambiental em todo o pa\u00eds. A Jornada tamb\u00e9m debater\u00e1 a implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Direitos das Popula\u00e7\u00f5es Atingidas por Barragens (PNAB), sancionada em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, afinal, quem s\u00e3o essas mulheres que integram o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que, em sua ess\u00eancia, abra\u00e7a tamb\u00e9m os atingidos pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas? Elas s\u00e3o as vozes da resist\u00eancia, cada uma com uma hist\u00f3ria de luta e resili\u00eancia que se entrela\u00e7a na busca por um pa\u00eds mais justo, em que os direitos de todos \u00e0 vida, \u00e0 terra e \u00e0 sa\u00fade sejam respeitados. S\u00e3o mulheres como Missay, que viu sua cidade ser isolada por uma enchente agravada por usinas, ou Dalila, que transformou sua hist\u00f3ria de luta em pesquisa acad\u00eamica e milit\u00e2ncia. S\u00e3o tamb\u00e9m como Cida, enfrentando os alagamentos urbanos intensificados pela crise clim\u00e1tica, ou D\u00e9bora, que se solidariza com a dor de quem sofre com as enchentes no Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem s\u00e3o as mulheres do MAB e o que as une?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/mulheres-2-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59221\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Pedro Salvador \/ MAB<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As mulheres do MAB v\u00eam de realidades diversas: s\u00e3o m\u00e3es, agricultoras, professoras, quilombolas, pescadoras, ind\u00edgenas, negras, moradoras de periferias urbanas e \u00e1reas rurais. Embora as comunidades tradicionais sejam frequentemente as mais impactadas por barragens e grandes projetos, a crise clim\u00e1tica e o modelo econ\u00f4mico predat\u00f3rio afetam mulheres de todas as origens, idades e perfis em todo o pa\u00eds. Algumas nasceram dentro do Movimento, outras foram impelidas a participar dele depois de terem sido v\u00edtimas dos mais diferentes tipos de viol\u00eancias de grandes hidrel\u00e9tricas e outros empreendimentos. H\u00e1, ainda, aquelas que perderam familiares ou companheiras de lutas, v\u00edtimas do feminic\u00eddio e de crimes pol\u00edticos, e lutam tamb\u00e9m como forma de manter suas hist\u00f3rias vivas.<\/p>\n\n\n\n<p>O que as une \u00e9 a experi\u00eancia avassaladora de ter suas vidas e seus direitos violados por grandes empreendimentos e eventos extremos, como as secas na Amaz\u00f4nia, os rompimentos de barragens em Minas Gerais, as enchentes no Rio Grande do Sul ou os deslizamentos de S\u00e3o Sebasti\u00e3o (SP).<\/p>\n\n\n\n<p>Em muitos casos, elas enfrentam a perda de renda, trabalho e autonomia financeira, com a interrup\u00e7\u00e3o de seus modos de vida e a contamina\u00e7\u00e3o do solo e das \u00e1guas por res\u00edduos t\u00f3xicos da minera\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a sobrecarga do trabalho dom\u00e9stico e de cuidados geralmente se intensifica ap\u00f3s eventos de deslocamento for\u00e7ado e crimes ambientais, pois a impossibilidade de atuar na ro\u00e7a ou na pesca, por exemplo, for\u00e7a muitas mulheres a trabalhos informais e prec\u00e1rios. Isso intensifica as desigualdades de g\u00eanero e viol\u00eancias, que atingem as mulheres nas dimens\u00f5es econ\u00f4micas, ecol\u00f3gicas, pol\u00edticas e culturais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O protagonismo das mulheres no Movimento<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>As mulheres do MAB, no entanto, n\u00e3o s\u00e3o apenas v\u00edtimas; s\u00e3o protagonistas ativas. Elas integram o Coletivo de Mulheres do movimento e se organizam de diversas formas: em reuni\u00f5es, atos p\u00fablicos e oficinas. Por est\u00edmulo do Movimento, passam a estudar na academia temas relacionados aos direitos humanos, ao modelo energ\u00e9tico e a alternativas econ\u00f4micas mais justas e inclusivas para o pa\u00eds. Dedicam-se, portanto, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, \u00e0 articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas relacionadas \u00e0 luta.<br><br>Elas tamb\u00e9m se unem e se expressam por meio das oficinas de arpillera, telas bordadas que se tornam um poderoso instrumento de den\u00fancia das viola\u00e7\u00f5es de direitos, transformando a dor em arte e visibilidade. Atualmente, as mulheres do MAB assinam a exposi\u00e7\u00e3o \u201cMulheres Atingidas por Barragens: Bordando Direitos\u201d, que est\u00e1 em cartaz no Museu de Arte de S\u00e3o Paulo Assis Chateaubriand (MASP), um dos mais importantes espa\u00e7os do circuito de artes da Am\u00e9rica Latina.<br><br>Segundo Daiane H\u00f6hn, uma das organizadoras da mostra, as arpilleras materializam a for\u00e7a e coragem da luta coletiva, que \u00e9 a base de resist\u00eancia das mulheres. Para ela, a arte \u00e9 um instrumento n\u00e3o s\u00f3 de den\u00fancia, mas, tamb\u00e9m, de elabora\u00e7\u00e3o e proposi\u00e7\u00e3o de novas possibilidades de vida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mulheres em Luta<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Conhe\u00e7a algumas das mulheres que, com suas hist\u00f3rias e determina\u00e7\u00e3o, representam a for\u00e7a e a diversidade do MAB:<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tatiana Rodrigues: a busca por repara\u00e7\u00e3o de um dos maiores crimes ambientais do pa\u00eds<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/53154894790_ab4956518a_k-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59555\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Joka Madruga \/ MAB<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Tatiana Rodrigues \u00e9 moradora de S\u00e3o Joaquim de Bicas (MG), um munic\u00edpio que ainda hoje sofre com os enormes impactos da contamina\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o causadas pelo crime da Vale na Bacia do Paraopeba h\u00e1 seis anos. Depois de ter a vida atravessada pela lama da minera\u00e7\u00e3o, ela entrou para o MAB para lutar por seus direitos e conta que o movimento transformou sua vis\u00e3o de mundo. \u201c\u00c0s vezes, achamos que as coisas s\u00e3o como devem ser, mas h\u00e1 muito a mudar\u201d, afirma. Ela considera que o MAB \u00e9 capaz de mobilizar as pessoas que acreditam nessas mudan\u00e7as e provocar reflex\u00f5es importantes. \u201cAprendi que o lucro n\u00e3o pode se sobrepor \u00e0 vida, mas quando isso acontece, precisamos lutar\u201d, afirma.<br><br>Para a atingida, al\u00e9m de estimular um olhar cr\u00edtico para a sociedade, o MAB estimula a solidariedade e o apoio entre os atingidos de diferentes regi\u00f5es. Segundo ela, gra\u00e7as ao Movimento, as vit\u00f3rias locais \u2013 alcan\u00e7adas por meio da luta na Bacia do Paraopeba \u2013 est\u00e3o reverberando nacionalmente e influenciando outras regi\u00f5es. Tatiana destaca o papel fundamental das mulheres nessas conquistas, observando que \u201c80% dos participantes [em lutas e reuni\u00f5es] s\u00e3o mulheres, e s\u00e3o elas que fazem a diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Missay Nobre: a luta como amaz\u00f4nida e transfronteiri\u00e7a<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Foto-Marcelo-Aguilar-MAB-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59362\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fotos: Marcelo Aguilar \/ MAB e reprodu\u00e7\u00e3o Climainfo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Missay Nobre, 26 anos, \u00e9 assistente social e t\u00e9cnica em Administra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ser uma militante ativa no MAB, com foco especial no Coletivo de Sa\u00fade. \u201cSou amaz\u00f4nida, atingida e transfronteiri\u00e7a\u201d, afirma, explicando que sua cidade natal fica na fronteira com a Bol\u00edvia.<br><br>Segundo Missay, sua percep\u00e7\u00e3o sobre sua condi\u00e7\u00e3o de atingida se consolidou ao compreender o modo de atua\u00e7\u00e3o das Usinas Hidrel\u00e9tricas (UHEs) Jirau e Santo Ant\u00f4nio. Ela relata que essas usinas, ao priorizarem o lucro em sua opera\u00e7\u00e3o, agravaram significativamente as piores enchentes do Rio Madeira, que chegaram a deixar sua cidade, Guajar\u00e1-Mirim, completamente isolada. Essa compreens\u00e3o a impulsionou a lutar junto ao Movimento.<br><br>\u201cNesses anos de caminhada e dedica\u00e7\u00e3o ao MAB me possibilitou muitas coisas, principalmente ver a realidade e a sociedade por outros olhos, bem como compreender o modelo de produ\u00e7\u00e3o capitalista que gera as desigualdades que assolam, sufocam e matam nosso povo; e o quanto a mudan\u00e7a \u00e9 necess\u00e1ria e precisa come\u00e7ar pelo povo atingido, a classe trabalhadora, desde a raiz\u201d. Ela ressalta que as mulheres, em sua maioria pretas e pardas no Brasil e no Movimento, s\u00e3o severamente atingidas pelo atual modelo econ\u00f4mico. Por isso, considera fundamental que elas estejam organizadas e em luta para desmantelar essa estrutura e construir uma sociedade na qual a busca por um territ\u00f3rio seguro, liberdade, direitos, trabalho e sal\u00e1rios dignos e uma vida justa para todos e todas n\u00e3o seja uma luta cont\u00ednua.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Dalila Calisto: entre a milit\u00e2ncia, a pesquisa acad\u00eamica e a maternidade<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dalila-1-1-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59260\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fotos: Arquivo pessoal e Gabrielle Sodr\u00e9 \/ MAB<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Dalila Calisto \u00e9 descendente dos povos ind\u00edgenas Jaguaribaras e Tapuias. \u00c9 atingida pela barragem Castanh\u00e3o, no Cear\u00e1, e militante da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do MAB. Sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, com gradua\u00e7\u00e3o em Pedagogia, especializa\u00e7\u00e3o em Energia e Sociedade (UFRJ) e mestrado em Desenvolvimento Territorial (UNESP), culminou na autoria do livro \u201cMercantiliza\u00e7\u00e3o da \u00c1gua\u201d, que discute os efeitos nefastos da privatiza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no Piau\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, o MAB, que na inf\u00e2ncia significou o sonho de casa pr\u00f3pria e reassentamento coletivo para sua fam\u00edlia e comunidade ap\u00f3s o deslocamento for\u00e7ado por conta da obra do A\u00e7ude do Castanh\u00e3o, no interior do Cear\u00e1, hoje \u00e9 um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que a torna cr\u00edtica e organizada. \u201c\u00c9 onde uma mulher de origem simples, do interior do sert\u00e3o nordestino, como eu, encontra possibilidades de ser sujeito da hist\u00f3ria, com protagonismo e autonomia\u201d, afirma. Ela v\u00ea o MAB como um promotor de transforma\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, desmantelando estruturas conservadoras atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o popular. Dalila conta, ainda, que ter se tornado m\u00e3e da pequena Olga intensificou sua combatividade e a defesa do papel da mulher na pol\u00edtica, nas lutas sociais e na vida p\u00fablica. Ela acredita que a Jornada das Mulheres em Bras\u00edlia vai ser um marco, refor\u00e7ando a for\u00e7a coletiva feminina diante de crises, guerras e do avan\u00e7o do fascismo no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Amanda Paulino: atingida na barriga da m\u00e3<\/strong>e<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/amanda-2-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59302\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fotos: Arquivo pessoal e Gabrielle Sodr\u00e9 \/ MAB<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Amanda \u00e9 filha de uma fam\u00edlia que nasceu em meio \u00e0 luta do MAB contra grandes barragens no Nordeste e levou sua experi\u00eancia de resist\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o coletiva para a Amaz\u00f4nia, para fortalecer territ\u00f3rios que enfrentam uma enorme press\u00e3o dos setores mais devastadores do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A jovem est\u00e1 no Movimento desde a barriga da m\u00e3e Cleidiane, que foi atingida pelo a\u00e7ude do Castanh\u00e3o, no Cear\u00e1. Cresceu em meio \u00e0 milit\u00e2ncia dos pais, dedicados a levar justi\u00e7a para os atingidos de diferentes realidades, o que a sensibilizou desde crian\u00e7a. H\u00e1 14 anos, ela mora no Par\u00e1, onde j\u00e1 testemunhou grandes enfrentamentos do MAB, incluindo a luta pelos direitos dos atingidos por Belo Monte, uma das maiores hidrel\u00e9tricas do mundo. \u201cTenho convic\u00e7\u00f5es sobre o nosso papel em construir uma nova sociedade\u201d, diz Amanda. Para ela, ser \u201csemente do MAB\u201d \u00e9 um orgulho, pois esse \u00e9 um movimento constru\u00eddo diariamente \u201cpelas m\u00e3os de quem acredita na luta popular, em especial \u00e0s m\u00e3os das mulheres que est\u00e3o \u00e0 frente, bordando a luta coletiva, de punho esquerdo erguido em todos os cantos do pa\u00eds.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>D\u00e9bora de Moraes da Silva: exist\u00eancia pol\u00edtica e solid\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/deb-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59321\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Comunica\u00e7\u00e3o MAB<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Moradora de Lajeado (RS), D\u00e9bora de Morais luta junto ao MAB para apoiar outros atingidos que sofrem com as enchentes anuais do Vale do Rio Taquari, uma das regi\u00f5es mais afetadas pelas cheias que assolaram o Rio Grande do Sul no \u00faltimo ano. Para ela, participar do Movimento significa fazer a diferen\u00e7a, lutando por um futuro digno e justo para todas as pessoas, principalmente para os grupos minorizados. \u201c\u00c9 l\u00e1 que busco a concretiza\u00e7\u00e3o de uma vida com qualidade e justi\u00e7a social. Como mulher e l\u00e9sbica, minha exist\u00eancia \u00e9 pol\u00edtica\u201d, afirma. Por isso, ela acredita que a luta coletiva \u00e9 o \u00fanico caminho para vencer as injusti\u00e7as sociais impostas pelo capitalismo. \u201cNos organizar enquanto mulheres contra o fascismo \u00e9 de extrema import\u00e2ncia. A luta feminista deve ser pensada para todas n\u00f3s. Nos reconhecermos como protagonistas da nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria e combater o patriarcado, que tanto nos oprime, \u00e9 essencial!\u201d. Sua ida a Bras\u00edlia \u00e9 para reafirmar esse protagonismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Maria Aparecida Pereira Neves: resili\u00eancia urbana contra a crise clim\u00e1tic<\/strong>a<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cida--1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59317\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Gabrielle Sodr\u00e9 \/ MAB<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Cida, como \u00e9 conhecida, mora em Fortaleza (CE), e conheceu o MAB no ensino m\u00e9dio, quando sua comunidade de origem, Gravat\u00e1 (Cariria\u00e7u\/CE), foi amea\u00e7ada por um projeto de aterro sanit\u00e1rio. Na capital, ela e outras fam\u00edlias enfrentam anualmente os alagamentos, intensificados pela crise clim\u00e1tica e pela prec\u00e1ria infraestrutura urbana. Essa situa\u00e7\u00e3o afeta principalmente os bairros mais pobres, gerando problemas de sa\u00fade e comprometendo a seguran\u00e7a. \u201cO que no interior do estado \u00e9 sin\u00f4nimo de fartura, na capital se torna motivo de preocupa\u00e7\u00e3o e noites sem dormir, na tentativa de proteger os filhos e salvar os poucos pertences\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Cida, integrar o MAB \u00e9 uma forma essencial de resist\u00eancia, pois permite compreender que os problemas n\u00e3o s\u00e3o isolados, mas desafios repetitivos causados pela falta de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cA organiza\u00e7\u00e3o popular \u00e9 o \u00fanico caminho\u201d, afirma. Ela considera o encontro em Bras\u00edlia fundamental, especialmente em um momento de avan\u00e7o da crise clim\u00e1tica e do crescimento do fascismo, que afeta diretamente as mulheres com o aumento da viol\u00eancia e a tentativa de controle sobre seus corpos. \u201cIsso \u00e9 um projeto que devemos combater todos os dias\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A For\u00e7a Coletiva das Mulheres do MAB: Bordando a Resist\u00eancia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Essas hist\u00f3rias individuais convergem para um prop\u00f3sito coletivo poderoso. As mulheres do MAB demonstram uma for\u00e7a inabal\u00e1vel e um compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o. Elas s\u00e3o a maioria nas mobiliza\u00e7\u00f5es e na organiza\u00e7\u00e3o das lutas, impulsionando a busca por direitos e justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A participa\u00e7\u00e3o dessas mulheres na Jornada de Lutas em Bras\u00edlia \u00e9 um testemunho de sua resili\u00eancia, de sua capacidade de ir al\u00e9m da dor e de sua voz fundamental. Elas n\u00e3o buscam apenas a repara\u00e7\u00e3o individual, mas a transforma\u00e7\u00e3o de um sistema que precariza suas vidas, violenta seus corpos e nega seus direitos. A luta dessas mulheres \u00e9 um espelho da resist\u00eancia popular brasileira, bordando com garra e determina\u00e7\u00e3o um futuro mais justo e equitativo para todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com diferentes hist\u00f3rias de resist\u00eancia, as mulheres do MAB levam para Bras\u00edlia a for\u00e7a de um Brasil que luta contra crimes ambientais, privatiza\u00e7\u00f5es e os efeitos da intensifica\u00e7\u00e3o da crise clim\u00e1tica por&nbsp;Coletivo Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o do MAB Publicado 30\/05\/2025 &#8211; Atualizado 01\/06\/2025 A partir de 02 de junho, Bras\u00edlia ser\u00e1 palco de uma importante&nbsp;Jornada de Lutas,&nbsp;que reunir\u00e1 mais de mil mulheres de diversas regi\u00f5es do Brasil. Elas v\u00e3o \u00e0 capital federal para reivindicar seus direitos, visibilizar suas causas e denunciar as viola\u00e7\u00f5es sofridas em seus territ\u00f3rios. Mais do que isso, essa jornada \u00e9 um grito coletivo por um futuro mais justo, onde a vida e o bem-estar das comunidades n\u00e3o sejam submetidos ao lucro. Entre as principais reivindica\u00e7\u00f5es, est\u00e1 o arquivamento do PL da Devasta\u00e7\u00e3o (PEC 65\/2012), que busca desregulamentar a prote\u00e7\u00e3o ambiental em todo o pa\u00eds. A Jornada tamb\u00e9m debater\u00e1 a implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Direitos das Popula\u00e7\u00f5es Atingidas por Barragens (PNAB), sancionada em 2023. Mas, afinal, quem s\u00e3o essas mulheres que integram o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que, em sua ess\u00eancia, abra\u00e7a tamb\u00e9m os atingidos pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas? Elas s\u00e3o as vozes da resist\u00eancia, cada uma com uma hist\u00f3ria de luta e resili\u00eancia que se entrela\u00e7a na busca por um pa\u00eds mais justo, em que os direitos de todos \u00e0 vida, \u00e0 terra e \u00e0 sa\u00fade sejam respeitados. S\u00e3o mulheres como Missay, que viu sua cidade ser isolada por uma enchente agravada por usinas, ou Dalila, que transformou sua hist\u00f3ria de luta em pesquisa acad\u00eamica e milit\u00e2ncia. S\u00e3o tamb\u00e9m como Cida, enfrentando os alagamentos urbanos intensificados pela crise clim\u00e1tica, ou D\u00e9bora, que se solidariza com a dor de quem sofre com as enchentes no Rio Grande do Sul. Quem s\u00e3o as mulheres do MAB e o que as une? As mulheres do MAB v\u00eam de realidades diversas: s\u00e3o m\u00e3es, agricultoras, professoras, quilombolas, pescadoras, ind\u00edgenas, negras, moradoras de periferias urbanas e \u00e1reas rurais. Embora as comunidades tradicionais sejam frequentemente as mais impactadas por barragens e grandes projetos, a crise clim\u00e1tica e o modelo econ\u00f4mico predat\u00f3rio afetam mulheres de todas as origens, idades e perfis em todo o pa\u00eds. Algumas nasceram dentro do Movimento, outras foram impelidas a participar dele depois de terem sido v\u00edtimas dos mais diferentes tipos de viol\u00eancias de grandes hidrel\u00e9tricas e outros empreendimentos. H\u00e1, ainda, aquelas que perderam familiares ou companheiras de lutas, v\u00edtimas do feminic\u00eddio e de crimes pol\u00edticos, e lutam tamb\u00e9m como forma de manter suas hist\u00f3rias vivas. O que as une \u00e9 a experi\u00eancia avassaladora de ter suas vidas e seus direitos violados por grandes empreendimentos e eventos extremos, como as secas na Amaz\u00f4nia, os rompimentos de barragens em Minas Gerais, as enchentes no Rio Grande do Sul ou os deslizamentos de S\u00e3o Sebasti\u00e3o (SP). Em muitos casos, elas enfrentam a perda de renda, trabalho e autonomia financeira, com a interrup\u00e7\u00e3o de seus modos de vida e a contamina\u00e7\u00e3o do solo e das \u00e1guas por res\u00edduos t\u00f3xicos da minera\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a sobrecarga do trabalho dom\u00e9stico e de cuidados geralmente se intensifica ap\u00f3s eventos de deslocamento for\u00e7ado e crimes ambientais, pois a impossibilidade de atuar na ro\u00e7a ou na pesca, por exemplo, for\u00e7a muitas mulheres a trabalhos informais e prec\u00e1rios. Isso intensifica as desigualdades de g\u00eanero e viol\u00eancias, que atingem as mulheres nas dimens\u00f5es econ\u00f4micas, ecol\u00f3gicas, pol\u00edticas e culturais. O protagonismo das mulheres no Movimento As mulheres do MAB, no entanto, n\u00e3o s\u00e3o apenas v\u00edtimas; s\u00e3o protagonistas ativas. Elas integram o Coletivo de Mulheres do movimento e se organizam de diversas formas: em reuni\u00f5es, atos p\u00fablicos e oficinas. Por est\u00edmulo do Movimento, passam a estudar na academia temas relacionados aos direitos humanos, ao modelo energ\u00e9tico e a alternativas econ\u00f4micas mais justas e inclusivas para o pa\u00eds. Dedicam-se, portanto, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, \u00e0 articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas relacionadas \u00e0 luta. Elas tamb\u00e9m se unem e se expressam por meio das oficinas de arpillera, telas bordadas que se tornam um poderoso instrumento de den\u00fancia das viola\u00e7\u00f5es de direitos, transformando a dor em arte e visibilidade. Atualmente, as mulheres do MAB assinam a exposi\u00e7\u00e3o \u201cMulheres Atingidas por Barragens: Bordando Direitos\u201d, que est\u00e1 em cartaz no Museu de Arte de S\u00e3o Paulo Assis Chateaubriand (MASP), um dos mais importantes espa\u00e7os do circuito de artes da Am\u00e9rica Latina. Segundo Daiane H\u00f6hn, uma das organizadoras da mostra, as arpilleras materializam a for\u00e7a e coragem da luta coletiva, que \u00e9 a base de resist\u00eancia das mulheres. Para ela, a arte \u00e9 um instrumento n\u00e3o s\u00f3 de den\u00fancia, mas, tamb\u00e9m, de elabora\u00e7\u00e3o e proposi\u00e7\u00e3o de novas possibilidades de vida. Mulheres em Luta Conhe\u00e7a algumas das mulheres que, com suas hist\u00f3rias e determina\u00e7\u00e3o, representam a for\u00e7a e a diversidade do MAB: Tatiana Rodrigues: a busca por repara\u00e7\u00e3o de um dos maiores crimes ambientais do pa\u00eds Tatiana Rodrigues \u00e9 moradora de S\u00e3o Joaquim de Bicas (MG), um munic\u00edpio que ainda hoje sofre com os enormes impactos da contamina\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o causadas pelo crime da Vale na Bacia do Paraopeba h\u00e1 seis anos. Depois de ter a vida atravessada pela lama da minera\u00e7\u00e3o, ela entrou para o MAB para lutar por seus direitos e conta que o movimento transformou sua vis\u00e3o de mundo. \u201c\u00c0s vezes, achamos que as coisas s\u00e3o como devem ser, mas h\u00e1 muito a mudar\u201d, afirma. Ela considera que o MAB \u00e9 capaz de mobilizar as pessoas que acreditam nessas mudan\u00e7as e provocar reflex\u00f5es importantes. \u201cAprendi que o lucro n\u00e3o pode se sobrepor \u00e0 vida, mas quando isso acontece, precisamos lutar\u201d, afirma. Para a atingida, al\u00e9m de estimular um olhar cr\u00edtico para a sociedade, o MAB estimula a solidariedade e o apoio entre os atingidos de diferentes regi\u00f5es. Segundo ela, gra\u00e7as ao Movimento, as vit\u00f3rias locais \u2013 alcan\u00e7adas por meio da luta na Bacia do Paraopeba \u2013 est\u00e3o reverberando nacionalmente e influenciando outras regi\u00f5es. Tatiana destaca o papel fundamental das mulheres nessas conquistas, observando que \u201c80% dos participantes [em lutas e reuni\u00f5es] s\u00e3o mulheres, e s\u00e3o elas que fazem a diferen\u00e7a. Missay Nobre: a luta como amaz\u00f4nida e transfronteiri\u00e7a Missay Nobre, 26 anos, \u00e9 assistente<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":16163,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[15,36,37,17,8],"class_list":["post-16162","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-cop-30","tag-mab","tag-movimento-dos-atingidos-por-barragens","tag-mudanca-climatica","tag-repam-brasil"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mulheres1-2048x1536-1.jpeg",2048,1536,false],"landscape":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mulheres1-2048x1536-1.jpeg",2048,1536,false],"portraits":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mulheres1-2048x1536-1.jpeg",2048,1536,false],"thumbnail":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mulheres1-2048x1536-1-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mulheres1-2048x1536-1-300x225.jpeg",300,225,true],"large":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mulheres1-2048x1536-1-1024x768.jpeg",800,600,true],"1536x1536":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mulheres1-2048x1536-1-1536x1152.jpeg",1536,1152,true],"2048x2048":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mulheres1-2048x1536-1.jpeg",2048,1536,false]},"rttpg_author":{"display_name":"Comunica\u00e7\u00e3o Cop30","author_link":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/author\/comunicacaocop30\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/category\/noticias\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcias<\/a>","rttpg_excerpt":"Com diferentes hist\u00f3rias de resist\u00eancia, as mulheres do MAB levam para Bras\u00edlia a for\u00e7a de um Brasil que luta contra crimes ambientais, privatiza\u00e7\u00f5es e os efeitos da intensifica\u00e7\u00e3o da crise clim\u00e1tica por&nbsp;Coletivo Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o do MAB Publicado 30\/05\/2025 &#8211; Atualizado 01\/06\/2025 A partir de 02 de junho, Bras\u00edlia ser\u00e1 palco de uma importante&nbsp;Jornada de&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16162","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16162"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16162\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16166,"href":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16162\/revisions\/16166"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16163"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}