{"id":16362,"date":"2025-07-31T15:33:10","date_gmt":"2025-07-31T18:33:10","guid":{"rendered":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/?p=16362"},"modified":"2025-08-04T17:09:00","modified_gmt":"2025-08-04T20:09:00","slug":"universidade-federal-do-para-sedia-os-dialogos-amazonicos-2025-etapa-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/universidade-federal-do-para-sedia-os-dialogos-amazonicos-2025-etapa-brasileira\/","title":{"rendered":"Universidade Federal do Par\u00e1 sedia os Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos 2025 \u2013 Etapa Brasileira"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/amazonianacop.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_8985-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3432\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), em Bel\u00e9m, foi sede, nesta ter\u00e7a-feira (29), do encontro&nbsp;<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1OvA8c5TlUSEFs933HF5piWllfRZXqJCX\/view?usp=sharing\">Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos 2025 \u2013 Etapa Brasileira<\/a>, realizado em formato h\u00edbrido. O evento reuniu representantes de povos tradicionais, organiza\u00e7\u00f5es sociais, autoridades e especialistas para discutir os principais desafios e caminhos para o futuro da Pan-Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>A etapa brasileira marca o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o coletiva das propostas que ser\u00e3o levadas \u00e0 V C\u00fapula de Presidentes da Amaz\u00f4nia, que acontecer\u00e1 em agosto, na Col\u00f4mbia. A programa\u00e7\u00e3o foi estruturada em torno de tr\u00eas grandes pain\u00e9is tem\u00e1ticos: Direitos, Territ\u00f3rios e o Acordo de Escaz\u00fa; O Desafio de Proteger a Amaz\u00f4nia do Ponto de N\u00e3o Retorno; e Alternativas Sustent\u00e1veis, Financiamento e Reflorestamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os organizadores, mais do que um evento pontual, os Di\u00e1logos se consolidam como uma inst\u00e2ncia viva e institucional de escuta, proposi\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o \u2014 agora com papel estrat\u00e9gico na prepara\u00e7\u00e3o rumo \u00e0 COP30, que ser\u00e1 realizada em Bel\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/amazonianacop.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/snapedit_1753878698743.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3433\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O reitor da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), Gilmar Pereira da Silva, destacou a relev\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o popular nos processos pol\u00edticos, especialmente rumo \u00e0 COP30. Ele celebrou o envolvimento da universidade nos Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos e na sistematiza\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m, defendendo que n\u00e3o h\u00e1 COP leg\u00edtima sem os povos amaz\u00f4nicos e os movimentos sociais. Gilmar reafirmou o compromisso da UFPA em colocar seu conhecimento e estrutura a servi\u00e7o da luta por justi\u00e7a social, enfrentando os desafios impostos por uma realidade ainda marcada pelo colonialismo e pelas desigualdades. Para ele, \u201cpensar a Amaz\u00f4nia \u00e9 pensar o pa\u00eds a partir de uma perspectiva popular, inclusiva e transformadora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mar\u00edlia Closs, coordenadora de projetos da Plataforma CIP\u00d3, apresentou um balan\u00e7o da implementa\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m, assinada em 2023, destacando que o documento, com seus 113 compromissos distribu\u00eddos em 16 eixos tem\u00e1ticos, \u00e9 um instrumento potente para a coopera\u00e7\u00e3o internacional na prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. A plataforma acompanha cerca de 1.400 a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas relacionadas \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o da declara\u00e7\u00e3o, constatando que 65% dessas iniciativas ainda est\u00e3o em est\u00e1gio preliminar, como cria\u00e7\u00e3o de grupos de trabalho e reuni\u00f5es t\u00e9cnicas. Apesar dos avan\u00e7os, principalmente na prote\u00e7\u00e3o das florestas, ela ressaltou o atraso causado por entraves burocr\u00e1ticos, falta de financiamento e a sobrecarga de poucos atores envolvidos. Mar\u00edlia enfatizou a necessidade de maior urg\u00eancia e efic\u00e1cia para transformar o compromisso pol\u00edtico em a\u00e7\u00f5es concretas, colocando a Plataforma CIP\u00d3 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para contribuir com a constru\u00e7\u00e3o de propostas para a pr\u00f3xima etapa, a ser discutida na C\u00fapula da Amaz\u00f4nia em Bogot\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Pedro, coordenador de Articula\u00e7\u00e3o do Coletivo Pororoka, membro do Comit\u00ea Internacional do F\u00f3rum Social Pan-Amaz\u00f4nico (FOSPA) e representante da Assembleia Mundial pela Amaz\u00f4nia, destacou a resist\u00eancia hist\u00f3rica da regi\u00e3o frente ao modelo capitalista global, que ele classificou como predat\u00f3rio e voltado exclusivamente ao lucro. Para ele, o Sul Global (em especial as florestas tropicais da Amaz\u00f4nia, \u00c1frica e Indon\u00e9sia) sustenta a vida no planeta, e \u00e9 injusto que recaia apenas sobre esses territ\u00f3rios a responsabilidade de proteger o futuro da Terra. Jo\u00e3o Pedro enfatizou que n\u00e3o pode haver pol\u00edtica p\u00fablica para a Amaz\u00f4nia sem a presen\u00e7a efetiva da sociedade civil amaz\u00f4nica e defendeu a cria\u00e7\u00e3o de um mecanismo de participa\u00e7\u00e3o social permanente dentro da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Coopera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nica (OTCA), a chamada OTCA Social. Essa estrutura permitiria que movimentos sociais e popula\u00e7\u00f5es locais tivessem assento leg\u00edtimo para acompanhar e influenciar decis\u00f5es pol\u00edticas, garantindo que a implementa\u00e7\u00e3o de compromissos internacionais, como os assumidos rumo \u00e0 COP30, ocorra com democracia e efetividade.<\/p>\n\n\n\n<p>O embaixador Jo\u00e3o Marcelo Queiroz, do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, ressaltou que os Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos representam um momento estrat\u00e9gico para articular posi\u00e7\u00f5es comuns entre os pa\u00edses da regi\u00e3o rumo \u00e0 COP30. Ele destacou a proposta brasileira do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFF) como uma iniciativa promissora para viabilizar o financiamento clim\u00e1tico em larga escala voltado \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o das florestas tropicais. Segundo ele, a segunda edi\u00e7\u00e3o dos Di\u00e1logos, que ser\u00e1 realizada na Col\u00f4mbia, representa mais um passo relevante na constru\u00e7\u00e3o de um modelo s\u00f3lido de di\u00e1logo e engajamento entre os Estados e a sociedade civil amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/amazonianacop.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/vlcsnap-2025-07-30-10h19m59s107-Pica-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3440\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Joana Menezes, da Rede Eclesial Pan-Amaz\u00f4nica (REPAM), ressaltou a import\u00e2ncia da presen\u00e7a efetiva dos povos amaz\u00f4nicos nas decis\u00f5es que afetam a regi\u00e3o, reafirmando que nada deve ser discutido sem a participa\u00e7\u00e3o direta das popula\u00e7\u00f5es locais. Como mulher negra amaz\u00f4nida, compartilhou sua viv\u00eancia em di\u00e1logo com comunidades de pescadoras, quilombolas e quebradeiras de coco, apontando que, embora os impactos socioambientais variem entre os territ\u00f3rios, todos os povos da Amaz\u00f4nia sofrem com as consequ\u00eancias do atual modelo de explora\u00e7\u00e3o. Joana destacou que a sabedoria ancestral das mulheres, juventudes e povos tradicionais oferece caminhos concretos para a prote\u00e7\u00e3o da sociobiodiversidade e refor\u00e7ou a import\u00e2ncia da OTCA Social como mecanismo institucional de participa\u00e7\u00e3o popular nas inst\u00e2ncias de decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Germ\u00e1n Ni\u00f1o, coordenador do Grupo de Economias Transformadoras da Latindadd, integrante do Comit\u00ea Internacional do F\u00f3rum Social Pan-Amaz\u00f4nico (FOSPA) e do F\u00f3rum Social Mundial de Economias Transformadoras (FSMET) Col\u00f4mbia 2024, alertou para os retrocessos socioambientais na regi\u00e3o, mencionando casos como a fus\u00e3o dos minist\u00e9rios de minera\u00e7\u00e3o e meio ambiente no Equador e o avan\u00e7o de projetos extrativistas que colocam comunidades e natureza em risco. Criticou o desinteresse de alguns governos em participar dos Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos e relembrou que a exclus\u00e3o da sociedade civil j\u00e1 foi evidenciada em f\u00f3runs globais, como a IV Confer\u00eancia Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento. Germ\u00e1n defendeu a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos permanentes de participa\u00e7\u00e3o com protagonismo de mulheres, povos ind\u00edgenas, juventudes e comunidades tradicionais, e o reconhecimento dos direitos da natureza. Ressaltou ainda a import\u00e2ncia de integrar saberes cient\u00edficos e ancestrais, fortalecer a justi\u00e7a tribut\u00e1ria, enfrentar emerg\u00eancias clim\u00e1ticas com rapidez e promover uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica popular. Para ele, a Amaz\u00f4nia carrega uma agenda de futuro \u2014 e o futuro \u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/amazonianacop.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/snapedit_1753879938345-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3435\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Vanessa Grazziotin, diretora executiva da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Coopera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nica (OTCA), explicou que o organismo intergovernamental re\u00fane oito pa\u00edses amaz\u00f4nicos (excluindo a Guiana Francesa por ser territ\u00f3rio franc\u00eas) e funciona com base no princ\u00edpio da unanimidade. Criada inicialmente como um tratado em 1978, a OTCA se tornou uma organiza\u00e7\u00e3o com sede em Bras\u00edlia e secretariado pr\u00f3prio, cujo papel \u00e9 executar as decis\u00f5es tomadas pelos pa\u00edses-membros. Vanessa destacou que o principal desafio atual da OTCA \u00e9 implementar a Declara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m, aprovada na IV C\u00fapula da Amaz\u00f4nia, realizada em 2023, que resultou em 29 resolu\u00e7\u00f5es. Uma delas prop\u00f5e uma emenda ao tratado para transformar os chefes de Estado, e n\u00e3o mais os ministros das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, na inst\u00e2ncia m\u00e1xima de decis\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o. A proposta, se aprovada por unanimidade, precisar\u00e1 ser ratificada sem altera\u00e7\u00f5es pelos parlamentos dos oito pa\u00edses. Ela tamb\u00e9m mencionou avan\u00e7os importantes na estrutura\u00e7\u00e3o de um mecanismo amaz\u00f4nico conjunto de povos ind\u00edgenas e na cria\u00e7\u00e3o de f\u00f3runs tem\u00e1ticos, como o de culturas e l\u00ednguas ind\u00edgenas e, futuramente, uma rede de autoridades clim\u00e1ticas. Para Vanessa, \u201ca nova l\u00f3gica da OTCA reconhece que conservar a Amaz\u00f4nia exige escutar n\u00e3o apenas os governos, mas sobretudo os povos que nela vivem e lutam h\u00e1 s\u00e9culos\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Participaram ainda os representantes da Secretaria Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica; Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (COIAB); FASE Amaz\u00f4nia\/ F\u00f3rum Social PanAmaz\u00f4nico (FOSPA); Movimento Seres e Saberes; Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal; Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos; Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Brasileiras (AMB); Quilombo do Abacatal\/CONAQ; Universidade Popular (UNIPOP); e Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT).<\/p>\n\n\n\n<p>Texto: Ana Teresa Brasil \u2013&nbsp; Movimento Ci\u00eancia e Vozes da Amaz\u00f4nia, com a colabora\u00e7\u00e3o de Camila Gaspar Queiroz<\/p>\n\n\n\n<p>Imagens: Nat\u00e1lia Almeida<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), em Bel\u00e9m, foi sede, nesta ter\u00e7a-feira (29), do encontro&nbsp;Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos 2025 \u2013 Etapa Brasileira, realizado em formato h\u00edbrido. O evento reuniu representantes de povos tradicionais, organiza\u00e7\u00f5es sociais, autoridades e especialistas para discutir os principais desafios e caminhos para o futuro da Pan-Amaz\u00f4nia. A etapa brasileira marca o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o coletiva das propostas que ser\u00e3o levadas \u00e0 V C\u00fapula de Presidentes da Amaz\u00f4nia, que acontecer\u00e1 em agosto, na Col\u00f4mbia. A programa\u00e7\u00e3o foi estruturada em torno de tr\u00eas grandes pain\u00e9is tem\u00e1ticos: Direitos, Territ\u00f3rios e o Acordo de Escaz\u00fa; O Desafio de Proteger a Amaz\u00f4nia do Ponto de N\u00e3o Retorno; e Alternativas Sustent\u00e1veis, Financiamento e Reflorestamento. Segundo os organizadores, mais do que um evento pontual, os Di\u00e1logos se consolidam como uma inst\u00e2ncia viva e institucional de escuta, proposi\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o \u2014 agora com papel estrat\u00e9gico na prepara\u00e7\u00e3o rumo \u00e0 COP30, que ser\u00e1 realizada em Bel\u00e9m. O reitor da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), Gilmar Pereira da Silva, destacou a relev\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o popular nos processos pol\u00edticos, especialmente rumo \u00e0 COP30. Ele celebrou o envolvimento da universidade nos Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos e na sistematiza\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m, defendendo que n\u00e3o h\u00e1 COP leg\u00edtima sem os povos amaz\u00f4nicos e os movimentos sociais. Gilmar reafirmou o compromisso da UFPA em colocar seu conhecimento e estrutura a servi\u00e7o da luta por justi\u00e7a social, enfrentando os desafios impostos por uma realidade ainda marcada pelo colonialismo e pelas desigualdades. Para ele, \u201cpensar a Amaz\u00f4nia \u00e9 pensar o pa\u00eds a partir de uma perspectiva popular, inclusiva e transformadora\u201d. Mar\u00edlia Closs, coordenadora de projetos da Plataforma CIP\u00d3, apresentou um balan\u00e7o da implementa\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m, assinada em 2023, destacando que o documento, com seus 113 compromissos distribu\u00eddos em 16 eixos tem\u00e1ticos, \u00e9 um instrumento potente para a coopera\u00e7\u00e3o internacional na prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. A plataforma acompanha cerca de 1.400 a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas relacionadas \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o da declara\u00e7\u00e3o, constatando que 65% dessas iniciativas ainda est\u00e3o em est\u00e1gio preliminar, como cria\u00e7\u00e3o de grupos de trabalho e reuni\u00f5es t\u00e9cnicas. Apesar dos avan\u00e7os, principalmente na prote\u00e7\u00e3o das florestas, ela ressaltou o atraso causado por entraves burocr\u00e1ticos, falta de financiamento e a sobrecarga de poucos atores envolvidos. Mar\u00edlia enfatizou a necessidade de maior urg\u00eancia e efic\u00e1cia para transformar o compromisso pol\u00edtico em a\u00e7\u00f5es concretas, colocando a Plataforma CIP\u00d3 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para contribuir com a constru\u00e7\u00e3o de propostas para a pr\u00f3xima etapa, a ser discutida na C\u00fapula da Amaz\u00f4nia em Bogot\u00e1. Jo\u00e3o Pedro, coordenador de Articula\u00e7\u00e3o do Coletivo Pororoka, membro do Comit\u00ea Internacional do F\u00f3rum Social Pan-Amaz\u00f4nico (FOSPA) e representante da Assembleia Mundial pela Amaz\u00f4nia, destacou a resist\u00eancia hist\u00f3rica da regi\u00e3o frente ao modelo capitalista global, que ele classificou como predat\u00f3rio e voltado exclusivamente ao lucro. Para ele, o Sul Global (em especial as florestas tropicais da Amaz\u00f4nia, \u00c1frica e Indon\u00e9sia) sustenta a vida no planeta, e \u00e9 injusto que recaia apenas sobre esses territ\u00f3rios a responsabilidade de proteger o futuro da Terra. Jo\u00e3o Pedro enfatizou que n\u00e3o pode haver pol\u00edtica p\u00fablica para a Amaz\u00f4nia sem a presen\u00e7a efetiva da sociedade civil amaz\u00f4nica e defendeu a cria\u00e7\u00e3o de um mecanismo de participa\u00e7\u00e3o social permanente dentro da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Coopera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nica (OTCA), a chamada OTCA Social. Essa estrutura permitiria que movimentos sociais e popula\u00e7\u00f5es locais tivessem assento leg\u00edtimo para acompanhar e influenciar decis\u00f5es pol\u00edticas, garantindo que a implementa\u00e7\u00e3o de compromissos internacionais, como os assumidos rumo \u00e0 COP30, ocorra com democracia e efetividade. O embaixador Jo\u00e3o Marcelo Queiroz, do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, ressaltou que os Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos representam um momento estrat\u00e9gico para articular posi\u00e7\u00f5es comuns entre os pa\u00edses da regi\u00e3o rumo \u00e0 COP30. Ele destacou a proposta brasileira do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFF) como uma iniciativa promissora para viabilizar o financiamento clim\u00e1tico em larga escala voltado \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o das florestas tropicais. Segundo ele, a segunda edi\u00e7\u00e3o dos Di\u00e1logos, que ser\u00e1 realizada na Col\u00f4mbia, representa mais um passo relevante na constru\u00e7\u00e3o de um modelo s\u00f3lido de di\u00e1logo e engajamento entre os Estados e a sociedade civil amaz\u00f4nica. Joana Menezes, da Rede Eclesial Pan-Amaz\u00f4nica (REPAM), ressaltou a import\u00e2ncia da presen\u00e7a efetiva dos povos amaz\u00f4nicos nas decis\u00f5es que afetam a regi\u00e3o, reafirmando que nada deve ser discutido sem a participa\u00e7\u00e3o direta das popula\u00e7\u00f5es locais. Como mulher negra amaz\u00f4nida, compartilhou sua viv\u00eancia em di\u00e1logo com comunidades de pescadoras, quilombolas e quebradeiras de coco, apontando que, embora os impactos socioambientais variem entre os territ\u00f3rios, todos os povos da Amaz\u00f4nia sofrem com as consequ\u00eancias do atual modelo de explora\u00e7\u00e3o. Joana destacou que a sabedoria ancestral das mulheres, juventudes e povos tradicionais oferece caminhos concretos para a prote\u00e7\u00e3o da sociobiodiversidade e refor\u00e7ou a import\u00e2ncia da OTCA Social como mecanismo institucional de participa\u00e7\u00e3o popular nas inst\u00e2ncias de decis\u00e3o. Germ\u00e1n Ni\u00f1o, coordenador do Grupo de Economias Transformadoras da Latindadd, integrante do Comit\u00ea Internacional do F\u00f3rum Social Pan-Amaz\u00f4nico (FOSPA) e do F\u00f3rum Social Mundial de Economias Transformadoras (FSMET) Col\u00f4mbia 2024, alertou para os retrocessos socioambientais na regi\u00e3o, mencionando casos como a fus\u00e3o dos minist\u00e9rios de minera\u00e7\u00e3o e meio ambiente no Equador e o avan\u00e7o de projetos extrativistas que colocam comunidades e natureza em risco. Criticou o desinteresse de alguns governos em participar dos Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos e relembrou que a exclus\u00e3o da sociedade civil j\u00e1 foi evidenciada em f\u00f3runs globais, como a IV Confer\u00eancia Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento. Germ\u00e1n defendeu a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos permanentes de participa\u00e7\u00e3o com protagonismo de mulheres, povos ind\u00edgenas, juventudes e comunidades tradicionais, e o reconhecimento dos direitos da natureza. Ressaltou ainda a import\u00e2ncia de integrar saberes cient\u00edficos e ancestrais, fortalecer a justi\u00e7a tribut\u00e1ria, enfrentar emerg\u00eancias clim\u00e1ticas com rapidez e promover uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica popular. Para ele, a Amaz\u00f4nia carrega uma agenda de futuro \u2014 e o futuro \u00e9 agora. Vanessa Grazziotin, diretora executiva da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Coopera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nica (OTCA), explicou que o organismo intergovernamental re\u00fane oito pa\u00edses amaz\u00f4nicos (excluindo a Guiana Francesa por ser territ\u00f3rio franc\u00eas) e funciona com base no princ\u00edpio da unanimidade. Criada inicialmente como um tratado em 1978, a OTCA se tornou uma organiza\u00e7\u00e3o com sede em Bras\u00edlia e secretariado pr\u00f3prio, cujo papel \u00e9 executar<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":16365,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[13,14,15,16,17,18,19,7,8],"class_list":["post-16362","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-amazonia","tag-conferencia-do-clima-da-onu","tag-cop-30","tag-cupula-dos-povos","tag-mudanca-climatica","tag-populacoes-tradionais","tag-povos-indigenas","tag-repam","tag-repam-brasil"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_8985-1-scaled.jpeg",2560,1139,false],"landscape":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_8985-1-scaled.jpeg",2560,1139,false],"portraits":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_8985-1-scaled.jpeg",2560,1139,false],"thumbnail":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_8985-1-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_8985-1-300x133.jpeg",300,133,true],"large":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_8985-1-1024x455.jpeg",800,355,true],"1536x1536":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_8985-1-1536x683.jpeg",1536,683,true],"2048x2048":["https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_8985-1-2048x911.jpeg",2048,911,true]},"rttpg_author":{"display_name":"Comunica\u00e7\u00e3o Cop30","author_link":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/author\/comunicacaocop30\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/category\/noticias\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcias<\/a>","rttpg_excerpt":"A Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), em Bel\u00e9m, foi sede, nesta ter\u00e7a-feira (29), do encontro&nbsp;Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos 2025 \u2013 Etapa Brasileira, realizado em formato h\u00edbrido. 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