{"id":17520,"date":"2025-11-07T18:09:49","date_gmt":"2025-11-07T21:09:49","guid":{"rendered":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/?p=17520"},"modified":"2025-11-07T18:09:49","modified_gmt":"2025-11-07T21:09:49","slug":"a-voz-do-marajo-quando-o-clima-muda-o-ritmo-das-mares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/a-voz-do-marajo-quando-o-clima-muda-o-ritmo-das-mares\/","title":{"rendered":"A voz do Maraj\u00f3: quando o clima muda o ritmo das mar\u00e9s\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Entre rios, v\u00e1rzeas e palmeirais, o arquip\u00e9lago do Maraj\u00f3, no Par\u00e1, guarda hist\u00f3rias que se confundem com o pr\u00f3prio pulso da Amaz\u00f4nia. No munic\u00edpio de Afu\u00e1, conhecido como a \u201cVeneza marajoara\u201d por suas casas suspensas sobre palafitas, vive um ribeirinho que se tornou s\u00edmbolo da luta contra os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. <\/p>\n\n\n\n<p>Rafael Monteiro, morador do Rio Guajar\u00e1, ele vive do que o rio oferece, mas o rio j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o mesmo. \u201cA gente sente na pele as mudan\u00e7as. As \u00e1guas n\u00e3o sobem mais como antes, o peixe morre com o calor, o a\u00e7a\u00ed n\u00e3o amadurece no mesmo tempo. Tudo ficou diferente\u201d, descreve. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"714\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/8fa40ef8-8b80-4fec-af45-48d62b7cf2c6-1-714x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17521\" style=\"width:227px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/8fa40ef8-8b80-4fec-af45-48d62b7cf2c6-1-714x1024.jpg 714w, https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/8fa40ef8-8b80-4fec-af45-48d62b7cf2c6-1-209x300.jpg 209w, https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/8fa40ef8-8b80-4fec-af45-48d62b7cf2c6-1-768x1102.jpg 768w, https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/8fa40ef8-8b80-4fec-af45-48d62b7cf2c6-1-1070x1536.jpg 1070w, https:\/\/repam.org.br\/cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/8fa40ef8-8b80-4fec-af45-48d62b7cf2c6-1.jpg 1170w\" sizes=\"(max-width: 714px) 100vw, 714px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7a\u00ed, principal fonte de renda da regi\u00e3o, tem sofrido com a altera\u00e7\u00e3o dos ciclos das mar\u00e9s e o aumento das temperaturas. \u201cO que acontece com o clima n\u00e3o \u00e9 coisa distante pra n\u00f3s. \u00c9 o que muda a nossa comida, o nosso trabalho, o nosso dia a dia.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, ele tem participado de forma\u00e7\u00f5es e encontros promovidos pela Rede Eclesial Pan-Amaz\u00f4nica (REPAM), que apoia comunidades ribeirinhas e extrativistas a compreender e enfrentar os efeitos da crise clim\u00e1tica. \u201cA REPAM chega junto, escuta a gente. <\/p>\n\n\n\n<p>Eles nos ajudam a entender que o que est\u00e1 acontecendo aqui faz parte de um problema global\u201d, explica. Agora, ele se prepara para levar esse testemunho \u00e0 COP30, em Bel\u00e9m. Para ele, a confer\u00eancia \u00e9 uma oportunidade de mostrar ao mundo que as consequ\u00eancias das decis\u00f5es econ\u00f4micas e ambientais recaem sobre os mais vulner\u00e1veis. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente quer ser ouvido. O que acontece aqui \u00e9 resultado do que se decide l\u00e1 fora\u201d, afirma. O relato do ribeirinho \u00e9 um retrato fiel do que vem ocorrendo em dezenas de comunidades amaz\u00f4nicas. As \u00e1guas mais quentes, a pesca escassa e o a\u00e7a\u00ed imprevis\u00edvel n\u00e3o s\u00e3o apenas fen\u00f4menos clim\u00e1ticos, s\u00e3o sinais de uma mudan\u00e7a que amea\u00e7a o modo de vida inteiro. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesejo que as grandes pot\u00eancias pensem que este \u00e9 o \u00fanico mundo que temos\u201d, diz, com a voz calma, mas carregada de urg\u00eancia. Enquanto o Maraj\u00f3 segue dividido entre enchentes e secas, ele se torna uma ponte entre o local e o global. Entre o rio que sustenta sua casa e o mundo que precisa aprender, depressa, a respeitar o ritmo das mar\u00e9s.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre rios, v\u00e1rzeas e palmeirais, o arquip\u00e9lago do Maraj\u00f3, no Par\u00e1, guarda hist\u00f3rias que se confundem com o pr\u00f3prio pulso da Amaz\u00f4nia. No munic\u00edpio de Afu\u00e1, conhecido como a \u201cVeneza marajoara\u201d por suas casas suspensas sobre palafitas, vive um ribeirinho que se tornou s\u00edmbolo da luta contra os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Rafael Monteiro, morador do Rio Guajar\u00e1, ele vive do que o rio oferece, mas o rio j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o mesmo. \u201cA gente sente na pele as mudan\u00e7as. As \u00e1guas n\u00e3o sobem mais como antes, o peixe morre com o calor, o a\u00e7a\u00ed n\u00e3o amadurece no mesmo tempo. Tudo ficou diferente\u201d, descreve. A produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7a\u00ed, principal fonte de renda da regi\u00e3o, tem sofrido com a altera\u00e7\u00e3o dos ciclos das mar\u00e9s e o aumento das temperaturas. \u201cO que acontece com o clima n\u00e3o \u00e9 coisa distante pra n\u00f3s. \u00c9 o que muda a nossa comida, o nosso trabalho, o nosso dia a dia.\u201d Nos \u00faltimos anos, ele tem participado de forma\u00e7\u00f5es e encontros promovidos pela Rede Eclesial Pan-Amaz\u00f4nica (REPAM), que apoia comunidades ribeirinhas e extrativistas a compreender e enfrentar os efeitos da crise clim\u00e1tica. \u201cA REPAM chega junto, escuta a gente. Eles nos ajudam a entender que o que est\u00e1 acontecendo aqui faz parte de um problema global\u201d, explica. Agora, ele se prepara para levar esse testemunho \u00e0 COP30, em Bel\u00e9m. Para ele, a confer\u00eancia \u00e9 uma oportunidade de mostrar ao mundo que as consequ\u00eancias das decis\u00f5es econ\u00f4micas e ambientais recaem sobre os mais vulner\u00e1veis. \u201cA gente quer ser ouvido. O que acontece aqui \u00e9 resultado do que se decide l\u00e1 fora\u201d, afirma. O relato do ribeirinho \u00e9 um retrato fiel do que vem ocorrendo em dezenas de comunidades amaz\u00f4nicas. As \u00e1guas mais quentes, a pesca escassa e o a\u00e7a\u00ed imprevis\u00edvel n\u00e3o s\u00e3o apenas fen\u00f4menos clim\u00e1ticos, s\u00e3o sinais de uma mudan\u00e7a que amea\u00e7a o modo de vida inteiro. \u201cDesejo que as grandes pot\u00eancias pensem que este \u00e9 o \u00fanico mundo que temos\u201d, diz, com a voz calma, mas carregada de urg\u00eancia. Enquanto o Maraj\u00f3 segue dividido entre enchentes e secas, ele se torna uma ponte entre o local e o global. 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