{"id":17523,"date":"2025-11-10T10:10:15","date_gmt":"2025-11-10T13:10:15","guid":{"rendered":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/?p=17523"},"modified":"2025-11-10T10:10:16","modified_gmt":"2025-11-10T13:10:16","slug":"ahe-kawahiba-a-resistencia-karipuna-que-chega-a-cop30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/repam.org.br\/cop30\/ahe-kawahiba-a-resistencia-karipuna-que-chega-a-cop30\/","title":{"rendered":"Ah\u00e9 Kawahiba: a resist\u00eancia Karipuna que chega \u00e0 COP30\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>No cora\u00e7\u00e3o de Rond\u00f4nia, onde o verde da floresta se mistura ao barulho das motosserras, nasceu Ah\u00e9 Kawahiba, nome tradicional de Adriano Karipuna. Aos 39 anos, ele \u00e9 uma das principais vozes do povo Karipuna, um dos mais amea\u00e7ados da Amaz\u00f4nia. Filho de Abagaju e Katica Karipuna, cresceu em meio \u00e0 luta pela sobreviv\u00eancia de seu territ\u00f3rio, um espa\u00e7o ancestral que vem sendo invadido por grileiros e madeireiros h\u00e1 d\u00e9cadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu nasci dentro da floresta e vi ela mudar. Vi \u00e1rvores sendo cortadas, vi gente entrando onde n\u00e3o devia. O que me move \u00e9 a vontade de garantir que os meus filhos ainda tenham onde viver\u201d, diz Ah\u00e9, com a serenidade de quem aprendeu a resistir sem perder a esperan\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Formado em Direito pela Universidade Federal de Rond\u00f4nia, ele transformou o conhecimento jur\u00eddico em ferramenta de defesa. Foi tesoureiro da Associa\u00e7\u00e3o dos Ind\u00edgenas Karipuna-Abytucu-Apoika e hoje preside o Instituto Etno-Ambiental Tangarei Naripuna (Eitka). Sua atua\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m das fronteiras da aldeia: articula-se com organiza\u00e7\u00f5es nacionais e participa da Articula\u00e7\u00e3o Agro \u00e9 Fogo, que re\u00fane mais de vinte coletivos e movimentos na defesa de territ\u00f3rios amea\u00e7ados por queimadas e expans\u00e3o agropecu\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho de Ah\u00e9 \u00e9 acompanhado e fortalecido pela Rede Eclesial Pan-Amaz\u00f4nica (REPAM), uma articula\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica que h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada apoia povos e comunidades tradicionais na Amaz\u00f4nia. A REPAM promove forma\u00e7\u00e3o, assessoria jur\u00eddica e visibilidade internacional a lideran\u00e7as como a de Ah\u00e9, garantindo que as vozes ind\u00edgenas n\u00e3o fiquem restritas aos limites da floresta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA REPAM nos d\u00e1 estrutura para chegar mais longe, para mostrar que o que acontece aqui afeta o mundo todo. A gente n\u00e3o quer s\u00f3 ser lembrado quando a floresta pega fogo. Queremos ser ouvidos enquanto ainda h\u00e1 tempo\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na COP30, que ser\u00e1 realizada em Bel\u00e9m, Ah\u00e9 leva mais do que den\u00fancias: leva hist\u00f3rias, rostos e mem\u00f3rias de um territ\u00f3rio que insiste em viver. Ele acredita que a presen\u00e7a ind\u00edgena no debate clim\u00e1tico \u00e9 fundamental. \u201cEstar na COP \u00e9 levar o grito da Amaz\u00f4nia pro mundo. \u00c9 dizer que estamos vivos e resistindo\u201d, resume.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto prepara a viagem, Ah\u00e9 carrega consigo um prop\u00f3sito simples e inegoci\u00e1vel: garantir que a floresta continue de p\u00e9, n\u00e3o apenas como um s\u00edmbolo ecol\u00f3gico, mas como casa, sustento e identidade de um povo inteiro.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No cora\u00e7\u00e3o de Rond\u00f4nia, onde o verde da floresta se mistura ao barulho das motosserras, nasceu Ah\u00e9 Kawahiba, nome tradicional de Adriano Karipuna. Aos 39 anos, ele \u00e9 uma das principais vozes do povo Karipuna, um dos mais amea\u00e7ados da Amaz\u00f4nia. Filho de Abagaju e Katica Karipuna, cresceu em meio \u00e0 luta pela sobreviv\u00eancia de seu territ\u00f3rio, um espa\u00e7o ancestral que vem sendo invadido por grileiros e madeireiros h\u00e1 d\u00e9cadas.&nbsp; \u201cEu nasci dentro da floresta e vi ela mudar. Vi \u00e1rvores sendo cortadas, vi gente entrando onde n\u00e3o devia. O que me move \u00e9 a vontade de garantir que os meus filhos ainda tenham onde viver\u201d, diz Ah\u00e9, com a serenidade de quem aprendeu a resistir sem perder a esperan\u00e7a.&nbsp; Formado em Direito pela Universidade Federal de Rond\u00f4nia, ele transformou o conhecimento jur\u00eddico em ferramenta de defesa. Foi tesoureiro da Associa\u00e7\u00e3o dos Ind\u00edgenas Karipuna-Abytucu-Apoika e hoje preside o Instituto Etno-Ambiental Tangarei Naripuna (Eitka). Sua atua\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m das fronteiras da aldeia: articula-se com organiza\u00e7\u00f5es nacionais e participa da Articula\u00e7\u00e3o Agro \u00e9 Fogo, que re\u00fane mais de vinte coletivos e movimentos na defesa de territ\u00f3rios amea\u00e7ados por queimadas e expans\u00e3o agropecu\u00e1ria.&nbsp; O trabalho de Ah\u00e9 \u00e9 acompanhado e fortalecido pela Rede Eclesial Pan-Amaz\u00f4nica (REPAM), uma articula\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica que h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada apoia povos e comunidades tradicionais na Amaz\u00f4nia. A REPAM promove forma\u00e7\u00e3o, assessoria jur\u00eddica e visibilidade internacional a lideran\u00e7as como a de Ah\u00e9, garantindo que as vozes ind\u00edgenas n\u00e3o fiquem restritas aos limites da floresta.&nbsp; \u201cA REPAM nos d\u00e1 estrutura para chegar mais longe, para mostrar que o que acontece aqui afeta o mundo todo. A gente n\u00e3o quer s\u00f3 ser lembrado quando a floresta pega fogo. Queremos ser ouvidos enquanto ainda h\u00e1 tempo\u201d, afirma.&nbsp; Na COP30, que ser\u00e1 realizada em Bel\u00e9m, Ah\u00e9 leva mais do que den\u00fancias: leva hist\u00f3rias, rostos e mem\u00f3rias de um territ\u00f3rio que insiste em viver. 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