Mais de 300 quebradeiras de coco e representantes de 28 grupos étnicos se reuniram em Brasília para fortalecer a incidência política dos povos e comunidades tradicionais na luta por justiça climática
Nos dias 8 e 10 de julho de 2025, o espaço Divino Paraíso Núcleo Rural Casa Grande, em Brasília, acolheu um encontro decisivo para a construção coletiva de propostas políticas e climáticas: a Pré-COP das quebradeiras de coco babaçu e dos povos e comunidades tradicionais do Brasil. A iniciativa reuniu lideranças de diversos biomas e territórios tradicionais para fortalecer sua presença e voz no processo preparatório da COP30.
Durante os três dias de evento, foram consolidadas propostas regionais em torno de temas centrais como justiça climática, regularização fundiária, preservação dos babaçuais, fortalecimento da agroecologia, além do acesso direto ao financiamento para enfrentamento às mudanças climáticas. O encontro também reivindicou maior participação nas políticas públicas e a defesa dos direitos dos povos e comunidades tradicionais, reafirmando que não há justiça climática sem justiça social.
“Território é clima. As florestas em pé dependem da proteção das pessoas que nelas vivem. A justiça climática só será possível com a escuta ativa e a participação das quebradeiras de coco.” (trecho da carta final do encontro)

Doris Vasconcelos, articulação REPAM, que esteve presente, destacou a importância simbólica e política do encontro. “Com toda certeza, foi um grande momento de resiliência, de resistência, de luta, de conquista, mas principalmente de um fortalecimento da participação, do protagonismo e das conquistas destes povos, que muitas vezes são invisibilizados nas grandes instâncias decisivas do país. Foi um momento de reivindicação para que esses povos sejam respeitados, reconhecidos e garantido a eles a titularização de seus territórios, para que assim possam, através de suas ações ancestrais, continuar guardando e sendo guardiãs das águas, florestas, terras, campos e cidades, como sempre fazem através de seus movimentos.”
Um dos momentos centrais da Pré-COP foi a aprovação e entrega da carta reivindicatória às autoridades do governo federal. O documento, resultado de uma escuta profunda nas bases, será também encaminhado aos representantes das partes da COP30 e a financiadores, como um chamado à responsabilidade com os territórios e suas populações tradicionais.
O encerramento da atividade foi marcado por uma audiência pública no Congresso Nacional, conduzida pelo deputado Airton Faleiro. Na ocasião, duas mesas de diálogo destacaram tanto os desafios e conquistas da mobilização do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu e da Rede de Povos e Comunidades Tradicionais, quanto os caminhos de incidência rumo à COP30 e à Cúpula dos Povos.
Com o tema “Território é vida, é clima, é resistência: povos e comunidades tradicionais em defesa da justiça climática”, o encontro foi uma demonstração de força e articulação política de grupos historicamente invisibilizados nos espaços de decisão. Foi também um chamado claro à sociedade e às autoridades: respeitar e garantir os direitos territoriais desses povos é essencial para enfrentar a crise climática e proteger os bens comuns.
