Oficina promovida durante o 1º Nortão de Catequese convida a Igreja da Amazônia a escutar os clamores da Casa Comum e assumir seu papel diante da crise climática
Entre os dias 24 e 27 de julho, Castanhal (PA) acolheu o 1º Nortão de Catequese da Amazônia — um encontro inédito que reuniu catequistas e assessores de todas as Igrejas Locais da região para refletir sobre os caminhos da Iniciação à Vida Cristã no chão amazônico. Em meio a conferências, painéis e oficinas, uma atividade especial convidou os participantes a olhar para o futuro com fé e responsabilidade: a oficina “Olhar Profético sobre a COP30”.
A oficina foi uma das 11 temáticas ofertadas no Nortão e buscou preparar a comunidade catequética da Amazônia para um momento histórico: a realização da COP30, em Belém, em novembro de 2025. Pela primeira vez, a Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas acontecerá no Brasil — e será na Amazônia, território que simboliza não só a urgência da crise ambiental, mas também a esperança de novos caminhos para a humanidade.

A atividade se insere no espírito do próprio Nortão, cujo tema — Iniciação à Vida Cristã na Amazônia: anúncio, mistagogia e ecologia integral — expressa o desejo de uma catequese enraizada na realidade, na cultura e na espiritualidade do território amazônico.
Durante a oficina, foi proposto um mergulho profundo nas origens e objetivos da COP, explicando seu papel no enfrentamento das mudanças climáticas e os desafios que a edição de 2025 enfrentará: o cumprimento do Acordo de Paris, a proteção dos biomas tropicais e a promoção da justiça climática.
” A oficina foi ótima, porque os participantes — acredito que a maioria, como eu — não conheciam a COP30, e puderam ter esclarecimentos sobre o que é e o que vai acontecer em Belém. Ficou uma conscientização: que a gente possa, cada vez mais, conservar o nosso meio ambiente, a nossa Amazônia”, conta Magno Rayal, de Castanhal, PA.

“O tema do 1º Nortão da Catequese também trabalha a questão da ecologia integral. Falar de ecologia integral na catequese significa que não podemos nos preocupar apenas com os assuntos internos às paredes da Igreja. É preciso olhar para fora, olhar para a vida concreta das nossas populações. A nossa oficina sobre o “Olhar Profético para a COP30” quis despertar exatamente isso: que ecologia integral não é algo romântico. A ecologia integral é luta, é trabalho, é construção conjunta. Por isso, a necessidade dessa oficina — dessa reflexão aqui e para além daqui”, ressalta Victor Paiva, coordenador do 1o Nortão.
Lambe-lambes e participação coletiva: uma arte que convoca
Na segunda parte da oficina, os participantes foram convidados a expressar de forma concreta e visual o compromisso com a Casa Comum: juntos, criaram e colaram um mural coletivo de lambe-lambes no muro da Escola de Artes São Lucas, em Castanhal. A proposta artística carregava uma mensagem clara e provocadora: a COP30 será um espaço de encontro entre diferentes culturas e países, mas nenhum acordo global terá força se não houver também engajamento local.
“Desde o começo da oficina, achei bastante interessante. Era uma coisa que eu não sabia, não tinha conhecimento. E, a partir do momento em que as meninas começaram a palestra, explicando tudinho, a gente começa a lembrar o que está acontecendo no nosso município, no nosso estado e no nosso Brasil todinho. E quando elas chamaram pra fazer o lambe-lambe, não pensei duas vezes. Eu falei: ‘meu nome é pronto!'”, compartilha Lídia Helena, de São Félix do Xingu, PA.
Cada lambe representava uma parte dessa construção coletiva — uma peça que, isolada, pode parecer pequena, mas que ganha potência quando se junta a outras. A ação foi uma metáfora visual do próprio desafio climático: para gerar impacto real, todos precisam participar. Não basta esperar que os líderes ajam — é preciso que cada pessoa, cada comunidade, cada território também se movimente.


Mais do que um exercício criativo, o mural se tornou um gesto simbólico de mobilização comunitária — um convite à responsabilidade compartilhada, à expressão pública das ideias e à ocupação dos espaços com mensagens de esperança e justiça.
“Uma mensagem coletiva, construída por partes. Um chamado para ocupar espaços e deixar nossas ideias visíveis. Uma ação simples que só funciona quando todos participam.”
Victor Paiva
Ao final, os participantes deixaram uma oração estampada no mural — uma súplica que resume o espírito da oficina e da caminhada da Igreja na Amazônia rumo à COP30:
“Senhor, tomai-nos sob o vosso poder e a vossa luz, para proteger cada vida, para preparar um futuro melhor, para que venha o vosso Reino de justiça, paz, amor e beleza. Louvado sejais!”
Uma arte coletiva, uma prece em forma de ação, um compromisso lançado ao mundo. Porque cuidar da criação é também um ato de fé, coragem e esperança.
