Seminário em Santarém reúne representantes de 12 estados para construir posicionamentos sobre a crise climática e reafirmar a defesa dos territórios das águas
Entre os dias 24 e 26 de julho de 2025, pescadoras e pescadores artesanais de diversas regiões do Brasil estiveram reunidos em Santarém (PA) para o Seminário de Preparação à COP30. A atividade teve como objetivo fortalecer a organização e a incidência política do segmento frente à 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Belém, no próximo ano.
Durante o encontro, foram debatidos os impactos da crise climática nos territórios pesqueiros, as ameaças dos grandes empreendimentos e os riscos representados pelas chamadas “falsas soluções”, como os créditos de carbono e outros mecanismos de mercado que desconsideram os modos de vida tradicionais e aprofundam desigualdades.
O seminário também foi espaço para a construção coletiva de propostas e posicionamentos das comunidades pesqueiras, reforçando a importância da escuta aos povos das águas no processo preparatório da COP30. Ao final da programação, o grupo realizou uma marcha pelas ruas de Santarém, denunciando os retrocessos socioambientais em curso — como o chamado PL da devastação — e reafirmando a defesa dos territórios e da vida.
A importância do seminário também foi destacada por lideranças do movimento. Josana Pinto, reforçou o papel da formação e da articulação nacional:
“O principal objetivo foi o empoderamento das lideranças para participarem da COP — para a gente entender, de fato, o que significa uma conferência do clima e como podemos nos inserir nesse espaço. Foi muito importante, porque contou com a participação de pescadoras e pescadores de 12 estados brasileiros, o que permitiu um intercâmbio entre realidades e experiências. Também foi uma oportunidade de reencontrar e conhecer novos companheiros e companheiras da região do Baixo Amazonas, que estão integrados na luta do movimento. Houve um grande comprometimento das lideranças em participar do seminário e também da COP30, fortalecendo cada vez mais o Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais em nível nacional. A participação da juventude foi essencial, pois mostra que o movimento está crescendo com base na formação de novas lideranças. Estamos nos empoderando das informações para garantir nossa presença e saber como reivindicar nossos direitos.”
A juventude também teve protagonismo nas discussões. Para Carla Atanásio, jovem liderança do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP) de Sergipe, a mobilização das juventudes é fundamental para o futuro dos territórios:
“Pensando no movimento hoje, demos um avanço no protagonismo da juventude, coisa que há dois anos não se via. A juventude militante, como muitas outras, tem sede, tem garra e quer ser peça fundamental na luta por uma sociedade mais igualitária, com justiça socioambiental, na luta por soberania alimentar e pelos territórios de povos e comunidades tradicionais. Sabemos do declínio que ocorreu, porém ainda é notável a participação e o desejo por um mundo melhor e mais acessível. Precisamos trabalhar muito para mudar essa realidade, mostrar nossa força no combate a toda e qualquer injustiça no território, nos mobilizar e articular estratégias para enfrentar a luta em defesa dos nossos territórios. Ser protagonista nas decisões, conscientizar outros jovens sobre as crises climáticas e mostrar que não somos os principais causadores da devastação da casa comum.”
Durante o seminário, também foi realizada a entrega da Cartilha ABC das COPs ao público participante. O material, desenvolvido pela Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, foi pensado como ferramenta de formação política e popular sobre o funcionamento das conferências climáticas da ONU, além de apresentar os espaços de participação da sociedade civil.
“A presença da Articulação COP30 nesse encontro é parte do nosso compromisso em garantir que pescadoras, pescadores e juventudes dos territórios estejam bem informados e fortalecidos para incidir nos debates da COP30. Contribuir com a formação e entregar a cartilha foi uma forma concreta de apoiar esse processo de organização popular e ampliar as vozes que precisam ser ouvidas”, destacou Eduardo Soares, da Secretário da Articulação REPAM COP30.
A REPAM-COP30 acompanha e apoia as mobilizações que colocam no centro do debate climático a realidade, as vozes e as propostas dos povos e comunidades tradicionais da Amazônia.



