REPAM-COP30 participa de formação sobre Justiça Climática e Direito à Cidade em Belém

No dia 28 de junho, a Articulação REPAM-COP30 participou do encerramento do Programa de Formação de Lideranças sobre “Direito à Cidade e Justiça Climática na Amazônia”, realizado na Associação Cultural Boi Marronzinho, em Belém (PA). A convite da FASE, o secretário da Articulação, Eduardo Soares apresentou a proposta da Cúpula dos Povos rumo à COP30, destacando a importância da organização da sociedade civil diante da crise climática e do protagonismo dos territórios amazônicos na construção de agendas para a conferência climática. “A formação é de extrema importância para ter informações acerca do evento em si que às vezes carece muito dessa informação técnica. Como se dá a divisão nas discussões, desde o chefe de estado, até outras possibilidades de participação, que são zonas por cores. E também tentar fazer uma articulação realizando uma contextualização a partir da realidade do lugar”, reforça Francisco Batista, do Coletivo Tela Firme. A atividade integrou o último módulo da formação, que teve como foco a COP30 e seus impactos para a Amazônia e para as populações urbanas e periféricas da região. Cúpula dos Povos A Cúpula dos Povos rumo à COP30 é um espaço autônomo e democrático de articulação da sociedade civil brasileira e pan-amazônica frente à Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em 2025, em Belém do Pará. Inspirada em experiências anteriores, como a Cúpula dos Povos na Rio+20, a iniciativa reúne movimentos sociais, organizações populares, redes e coletivos que lutam por justiça climática, ambiental, social e territorial. Seu objetivo é fortalecer a participação dos povos e comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, juventudes e periferias urbanas nos debates sobre a crise climática, propondo alternativas e soluções a partir dos territórios.
4º Fórum Internacional da Amazônia destaca justiça climática e o papel da comunicação popular nos territórios

Realizado na UnB, o evento reuniu lideranças sociais, acadêmicas e governamentais e abriu espaço para experiências de comunicação comunitária rumo à COP30. Realizado entre os dias 10 e 13 de junho na Universidade de Brasília (UnB), o 4º Fórum Internacional da Amazônia reuniu lideranças sociais, acadêmicas, governamentais e representantes de países pan-amazônicos em uma ampla programação voltada à justiça climática, proteção dos territórios e valorização dos saberes tradicionais. Com a presença de povos extrativistas, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, pesquisadores e ativistas, o Fórum foi um espaço de escuta e articulação entre diferentes setores comprometidos com a defesa da Amazônia e dos povos que nela vivem. Ao longo da semana, o evento promoveu debates, oficinas, apresentações culturais e rodas de conversa com temas como transição ecológica, segurança alimentar, educação, juventude, direitos territoriais e enfrentamento à crise climática. Uma feira com produtos da Amazônia também integrou a programação. Comunicação popular como ferramenta de justiça climática No dia 12 de junho, o 4º Fórum Internacional sobre a Amazônia contou com a roda de conversa “COP30 e Amazônia: Comunicação Popular, Justiça Climática e Proteção dos Territórios”, reunindo comunicadores de diferentes regiões, territórios e trajetórias de luta. Participaram da roda Nathalia Purificação (CONAQ), Elisa Estronioli (MAB), Marcos Wesley (Tapajós de Fato / Comitê COP30), Letícia Leite (Vem de Áudio / Escola de Rádio e Clima) e Erisvan Guajajara (Coletivo Mídia Indígena). A atividade foi promovida pela Mobilização COP30, articulada pela REPAM-Brasil, e faz parte de um esforço coletivo de escuta, articulação e fortalecimento dos territórios rumo à Conferência do Clima da ONU, que será realizada em 2025, em Belém do Pará. Durante a conversa, os participantes compartilharam experiências e estratégias que colocam a comunicação como ferramenta de denúncia, memória, formação política e mobilização popular. “Elisa Estronioli, do Movimento dos Atingidos por Barragens, destacou que ‘a comunicação, pra nós, é parte da estratégia do movimento. Ela precisa estar nas mãos da militância, ser uma ferramenta viva de organização e denúncia das violações que os territórios sofrem’.” Letícia Leite, da Escola de Rádio e Clima da UnB, ressaltou o valor dos espaços de formação que valorizam a prática e o aprendizado coletivo: “A gente precisa criar espaços de comunicação onde o erro não seja um problema, onde a gente possa simplesmente se juntar pra falar do que é importante pra nossa cultura — e aprender fazendo.” Na mesma direção, Nathalia Purificação, da CONAQ, afirmou: “Fortalecer a comunicação popular é fortalecer os territórios. A gente precisa se reconhecer como parte de um ecossistema de presença — um sistema vivo, diverso, que se comunica no seu tempo, no seu idioma, com sua força ancestral.” Marcos Wesley, do Tapajós de Fato e do Comitê COP30, trouxe uma crítica à forma como o poder público tem comunicado a COP30: “A COP30 não pode ser só uma vitrine de turismo e negócios. O real debate climático tem que vir dos territórios, das periferias, das comunidades impactadas — e a comunicação popular tem o papel de levar essas vozes até onde as decisões são tomadas.” Já Erisvan Guajajara, do Coletivo Mídia Indígena, apontou que comunicar é, também, um direito coletivo dos povos: “A gente comunica o tempo todo. A comunicação é um direito dos povos indígenas e um instrumento de luta. Estamos organizando uma rede de comunicadores indígenas para atuar de forma coletiva e estratégica, com foco na defesa dos territórios.” Na oficina, a Cartilha ABC das COPs — iniciativa da Articulação da REPAM rumo à COP30 — também teve destaque como um material acessível e didático para abordar os temas da agenda climática com comunidades e territórios. A proposta da Cartilha é democratizar o acesso à informação, levando para além das salas de reunião os debates sobre clima, para que cheguem diretamente às populações indígenas, tradicionais e periféricas. “A Cartilha nasceu do compromisso de traduzir uma linguagem técnica em algo que possa ser vivido e discutido nos territórios. É uma ferramenta feita para que mais pessoas se reconheçam no debate climático e participem ativamente da construção de soluções.” — Natália Mitie, REPAM-Brasil A roda evidenciou que o fortalecimento das vozes da base — com suas linguagens, contextos e práticas próprias — é condição fundamental para uma justiça climática que, de fato, reconheça e valorize os povos e territórios da Amazônia.
Cúpula dos Povos cobra ação real na COP30 e realiza ato contra o PL da devastação ambiental

Terminou nesta segunda-feira (2/6), em Belém do Pará, o encontro internacional da Comissão Política da Cúpula dos Povos rumo à COP30. Durante quatro dias, mais de 60 organizações, redes e movimentos sociais do Brasil, América Latina, África, Ásia e Europa se reuniram para alinhar estratégias de mobilização e denúncia em torno da justiça climática, tendo como horizonte a realização da COP30 em 2025, também na capital paraense. A programação começou no dia 30 de maio com um grande ato político na Universidade Federal do Pará (UFPA), sob o tema “Da Amazônia para o Mundo: Justiça Climática Já!”. O evento reuniu representantes de povos indígenas, quilombolas, juventudes, comunidades periféricas, movimentos populares e organizações nacionais e internacionais que, juntos, proclamaram: não há saída para a crise climática sem a centralidade dos povos originários e tradicionais. “Estamos vivendo tempos em que a crise é clara: injustiça, exploração, insegurança, extrativismo. Em momentos assim, precisamos construir uma solidariedade profunda”, declarou Tasneem Essop, da Climate Action Network (CAN). Durante o ato, foi anunciado que a UFPA será o território oficial da Cúpula dos Povos durante a COP30, um marco simbólico e político para o movimento. “É muito importante ter infraestrutura, mas o mais importante é mudar mentalidades. A Cúpula tem esse papel de provocar reflexão sobre a Amazônia, seus povos e seus direitos”, afirmou o reitor Gilmar Pereira da Silva. Denúncia, memória e resistência A programação incluiu plenárias estratégicas, reuniões temáticas, debates sobre racismo ambiental, transição energética e falsas soluções para a crise climática. Mas também houve espaço para ação direta: no sábado (1/6), já marcando o início da Semana Internacional do Meio Ambiente, organizações parceiras e movimentos sociais realizaram um ato público contra o PL 2159/21, conhecido como o “PL da Devastação”, que ameaça desmontar o licenciamento ambiental no Brasil. A manifestação ocorreu na Praça da República, centro de Belém, e denunciou os impactos da proposta legislativa sobre os povos e os territórios, reforçando o papel da Cúpula como espaço legítimo de resistência e construção de alternativas populares à crise climática. “Essas autodeclarações são declarações de morte. Contra a natureza, contra as pessoas, contra as comunidades, sobretudo aquelas que mais sofrem com o racismo ambiental”, afirmou Pe. Dario Bossi, da Igreja Rumo à COP30, com apoio da REPAM. A crítica à conivência do Estado com grandes empresas também foi ponto de destaque para lideranças da sociedade civil organizada. “Nós somos contra esse PL da devastação. Estamos ao lado da ministra Marina. Eu, como mulher preta e amazônida, me senti ofendida. Ele mexeu com uma, mexeu com todas. E para dizer também: nós compomos a Cúpula dos Povos rumo à COP30, que está em construção, em processo coletivo. Somos autônomos — não estamos, como diz a minha mãe, macomunados com governos ou empresas. Estamos construindo esse espaço com homens e mulheres de 13 países, junto com muitos outros coletivos, para mostrar que há um outro caminho possível”, afirmou Joana Menezes, da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima. A denúncia do PL também ganhou voz nas falas das juventudes negras presentes no ato, que reforçaram o impacto direto da crise e das políticas ambientais injustas sobre os corpos mais vulnerabilizados. “Esse PL tem nome e sobrenome, porque quando a gente pensa quem é que está nos ônibus, atravessando a cidade e seguindo seus trabalhos para a periferia, fritando literalmente, quem é que está sentindo o cheiro da fumaça que é queimada pelo ar? Somos nós, somos mulheres, somos negras, somos povo periférico, somos povo que planta e que alimenta a boca do campo e da cidade”, declarou uma jovem ativista do Movimento Negro Unificado. Diálogos finais e perspectivas No último dia da programação (2/6), a Cúpula dos Povos seguiu com diálogos fundamentais sobre o processo de comunicação coletiva e popular do evento, seus desafios e potências. Também foram realizados webinários sobre os Eixos de Convergência, que estruturam politicamente a proposta da Cúpula: transformações estruturais que coloquem a vida e os direitos coletivos acima do lucro. Esses eixos refletem um projeto de sociedade baseado na equidade, na harmonia com a natureza e no poder popular, em oposição às agendas elitistas e corporativas que dominam os fóruns oficiais. Além disso, foram socializados espaços importantes da construção como o Tapiri Ecumênico e Inter-religioso e a Cúpula das Infâncias, que reforçam o caráter plural, inclusivo e integrador do processo. A proposta é que esses espaços não apenas estejam presentes durante a Cúpula oficial, mas que também sejam reconhecidos na contagem oficial de público e na composição política do evento. A Cúpula dos Povos segue em construção O encontro marcou um passo decisivo na preparação para a Cúpula dos Povos durante a COP30, prevista para novembro de 2025, em Belém. A expectativa é reunir cerca de 15 mil pessoas em uma programação intensa, com barqueata nos rios amazônicos, marcha global, plenárias populares, feira de saberes e articulação de propostas concretas para enfrentar a crise climática com justiça social. A REPAM segue somando forças nesse processo, junto a dezenas de organizações, para garantir que a COP30 escute e respeite as vozes da Amazônia profunda. Como afirmam os movimentos: “Todos os rios levam a Belém. Não há futuro sem nós.”
Comunidade do Maranhão discute COP30 em roda de conversa promovida pela REPAM-Brasil

No dia 30 de maio, a REPAM-Brasil realizou uma roda de conversa sobre a COP30 na comunidade Repartição, localizada na diocese de Brejo (MA). O encontro reuniu cerca de 40 lideranças — entre ribeirinhos, agricultores familiares e artesãs — para refletir coletivamente sobre os impactos das mudanças climáticas nas comunidades tradicionais da Amazônia e construir uma carta de demandas voltada à conferência. A atividade foi organizada pelas artesãs do Projeto Tecendo Sonhos e Esperança, apoiado pela REPAM desde 2020. Além de fortalecer o protagonismo feminino, o projeto é um exemplo de como o cuidado com a Casa Comum se constrói a partir das bases comunitárias. Durante a roda de conversa, as lideranças ressaltaram a importância das ações da REPAM, especialmente por meio da iniciativa Bem Viver, que visibiliza o trabalho das mulheres, apoia projetos sustentáveis e promove formação e informação nos territórios. A elaboração da carta para a COP30 foi vista como um passo estratégico para enfrentar, em unidade, os desafios das mudanças climáticas. A coordenadora de projetos da REPAM, Arlete Gomes, destacou o impacto do encontro: “A COP30 ainda era um tema distante para muitas dessas lideranças. Quando conseguimos traduzir esse debate para a realidade vivida por elas — com escuta, acolhimento e linguagem acessível — o que vemos é um salto na mobilização. A potência desse momento está justamente no protagonismo coletivo que ele despertou.” A escuta atenta, o diálogo aberto e o uso de uma abordagem acessível permitiram que lideranças anteriormente afastadas dos debates climáticos se sentissem parte ativa da construção de soluções. As imagens do encontro registram não apenas um momento de diálogo, mas de fortalecimento das redes de cuidado e resistência. A escuta atenta, o diálogo aberto e o uso de uma abordagem acessível permitiram que lideranças anteriormente afastadas dos debates climáticos se sentissem parte ativa da construção de soluções. Parte das ações da REPAM para democratizar o acesso à informação sobre a COP e a COP30 é a cartilha “ABC das COPs – Entendendo tudo sobre a Conferência do Clima da ONU e a COP30 na Amazônia”. Escrita em português, inglês e espanhol, a cartilha tem sido uma ferramenta fundamental para levar informação qualificada aos territórios, apoiar processos de formação de adultos e jovens e fortalecer o entendimento coletivo sobre o que está em jogo na COP30.
Amazônia recebe reunião internacional da Cúpula dos Povos rumo à COP 30 com ato político no dia 30 de maio.

REPAM e mais de 60 organizações do Brasil e do mundo estão em Belém para traçar estratégias de resistência global e exigir justiça climática De 30 de maio a 2 de junho, Belém do Pará, na Amazônia brasileira, será o centro de uma articulação global por justiça climática. A cidade sedia pela primeira vez o encontro presencial da Comissão Política da Cúpula dos Povos rumo à COP 30, reunindo mais de 60 organizações, redes e movimentos sociais do Brasil, da América Latina, África, Ásia e Europa. A agenda começa com um ato político no dia 30, às 16h, na Universidade Federal do Pará (UFPA), sob o tema “Da Amazônia para o Mundo: Justiça Climática Já!”. Com o lema “Todos os rios levam a Belém. É hora de ouvir as vozes dos territórios. Não há futuro sem nós”, o ato será um chamado internacional à ação e à denúncia contra o racismo ambiental, as falsas soluções e o colapso climático que avança sobre os territórios e corpos mais vulnerabilizados. A mobilização ocorre em um cenário crítico para o planeta. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), 2024 foi o ano mais quente já registrado, com uma temperatura média global de 1,55°C acima dos níveis pré-industriais. Este aumento representa um marco preocupante, pois ultrapassa pela primeira vez o limite de 1,5°C estabelecido como meta no Acordo de Paris para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. Enquanto isso, as Conferências da ONU (COPs) falham em garantir financiamento climático real para os países mais impactados. A COP 29, realizada em Baku, aprovou um financiamento muito abaixo do necessário e abriu espaço para empréstimos que podem endividar ainda mais o Sul Global. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva em janeiro de 2025 para retirar o país do Acordo de Paris pela segunda vez, reforçando o isolamento dos EUA nas iniciativas globais contra as mudanças climáticas. No Brasil, a tragédia climática no Rio Grande do Sul, com mais de 160 mortes por enchentes em 2024, evidencia a ausência de políticas públicas de adaptação. Além disso, o recente avanço do Projeto de Lei 364/19 no Congresso brasileiro ameaça povos indígenas, flexibiliza licenciamentos ambientais e abre ainda mais espaço para o agronegócio e o garimpo ilegal. Na América Latina, África e Ásia, cresce o número de projetos que, sob o discurso de “transição verde”, expulsam comunidades tradicionais de seus territórios em nome da compensação de carbono e da bioeconomia de mercado. A violência contra defensoras e defensores ambientais também aumenta: em 2023, foram 177 assassinatos de ativistas ambientais no mundo, 88 deles na América Latina, segundo a Global Witness. Denúncias das Periferias Escancararão Contradições da COP30 O Ato Político na UFPA se propõe não apenas como um momento simbólico, mas como um espaço concreto de denúncia das falsas soluções apresentadas nos fóruns oficiais da COP30. Lideranças de diversos territórios estarão presentes para mostrar que as respostas reais à crise climática já estão sendo construídas nas periferias urbanas, nas comunidades tradicionais e nos quilombos — e que ignorar essas soluções é perpetuar os problemas. A Cúpula se afirma, assim, como um contraponto popular e legítimo à narrativa institucional que privilegia grandes obras e interesses econômicos em detrimento das vidas nos territórios. Entre os casos que serão denunciados no ato estão os das comunidades da Vila da Barca e do território quilombola do Abacatal, que ilustram com clareza o que movimentos sociais e ambientais têm chamado de racismo ambiental: decisões tomadas sem consulta, que deslocam os impactos negativos para populações negras, periféricas e vulnerabilizadas, enquanto se promove uma imagem “verde” voltada ao exterior. Vila da Barca: Racismo Ambiental em Nome da Revitalização Na Vila da Barca, uma das maiores comunidades de palafitas da Amazônia, os moradores têm convivido com os impactos diretos das obras da Nova Doca — um dos projetos de infraestrutura urbana vinculados à preparação de Belém para sediar a COP30. Entulhos e esgoto oriundos de bairros nobres vêm sendo despejados próximos à comunidade, sem diálogo ou qualquer processo de consulta. O que é apresentado como revitalização tem significado, na prática, degradação ambiental, remoções e violação de direitos. “É racismo ambiental, sim, porque só despejam o que não presta nos lugares onde moramos”, afirma Suane Barreirinhas, educadora popular e liderança comunitária. Essa realidade será levada ao ato como exemplo do abismo entre o discurso de sustentabilidade promovido internacionalmente e as ações concretas implementadas nas cidades amazônicas. Quilombo Abacatal: A Estrada Que Ameaça um Território Quilombola Também será denunciado no ato o caso do quilombo Abacatal, localizado em Ananindeua, que será diretamente impactado pela construção da Avenida Liberdade — uma rodovia de 14 km planejada para “melhorar a mobilidade urbana” na região metropolitana de Belém. A estrada cortará áreas do território quilombola, comprometendo fontes de água, espaços de produção agrícola e locais de valor histórico e espiritual para a comunidade. Mesmo com a elaboração de um Estudo do Componente Quilombola (ECQ), que apontou que 100% dos moradores são contrários à obra, o governo do Pará seguiu com o projeto sem cumprir a Convenção 169 da OIT, que exige consulta prévia, livre e informada. A denúncia da violação de direitos será um dos pontos centrais trazidos pelas lideranças quilombolas à Cúpula. Os Territórios Apresentarão Soluções Reais As experiências e denúncias que serão compartilhadas durante o ato reforçarão o propósito da Cúpula: desmascarar as soluções de mercado apresentadas como sustentáveis e afirmar as práticas ancestrais, comunitárias e populares como caminhos concretos e viáveis para enfrentar a crise climática com justiça social. As soluções já estão sendo construídas nos territórios — em forma de agroecologia, reflorestamento comunitário, gestão popular da água, economia solidária, saberes indígenas e quilombolas. Tornar essas vozes protagonistas é o que dará legitimidade às transformações que a Amazônia e o mundo precisam. Da Amazônia para o mundo: os povos têm as soluções A Cúpula dos Povos propõe uma agenda enraizada nos territórios, conectando as lutas por justiça climática com bandeiras históricas: reforma agrária, agroecologia, soberania alimentar, transição energética justa, combate ao racismo e
Mobilização participa de seminário na Câmara sobre rumos da COP30

A Frente Parlamentar Mista Ambientalista, por meio do Grupo de Trabalho sobre Clima, promoveu na terça-feira (06/05) um seminário na Câmara dos Deputados para apresentar os aprendizados da última Conferência do Clima e discutir caminhos para a próxima – a COP30, que acontecerá em novembro, em Belém (PA). O evento reuniu representantes do governo federal, parlamentares e diversas organizações da sociedade civil com o objetivo de reforçar a importância de uma participação mais ampla e efetiva nos processos preparatórios da conferência. Entre os participantes estavam o diplomata Pedro do Nascimento Filho, do Ministério das Relações Exteriores; Monique Ferreira, chefe de gabinete da presidência da COP30 no Ministério do Meio Ambiente; representantes da Coalizão Nacional de Juventudes pelo Clima (Conjuclima), do Instituto Alana, da Plataforma Cipó, da Rede Vozes Negras pelo Clima, além de parlamentares como Tarcísio Motta (Psol-RJ). Durante o seminário, Mayara Lima, comunicadora do projeto Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, articulação da REPAM rumo à COP30, destacou a necessidade de descentralizar o debate climático e garantir que a agenda da conferência chegue até a base das comunidades. Ela apresentou a cartilha ABC da COP, criada para facilitar o acesso à informação e fortalecer a atuação de territórios e populações tradicionais. “Não dá pra incidir sobre o que não se entende. Se a informação continua restrita a diplomatas e pequenos grupos, como os territórios vão construir caminhos de participação real?”, questionou. Mayara Lima também destacou as articulações que vêm sendo construídas pela sociedade civil para garantir participação efetiva nos debates climáticos, mesmo fora dos espaços oficiais da COP30. Ela citou iniciativas como a Cúpula dos Povos, a COP das Baixadas e a COP do Povo, que acontecerão paralelamente à conferência oficial em Belém. “Sabemos que a sociedade civil não conseguirá estar integralmente dentro da COP30, por isso esses espaços autônomos são caminhos fundamentais para ampliar a incidência e articular as vozes dos territórios de forma estratégica e organizada”, afirmou. Thalia Silva, coordenadora da Conjuclima, também cobrou mais espaço para a juventude nas negociações internacionais. “A COP29 mostrou que nós, enquanto juventude, não estamos pedindo um lugar à mesa. Agora, exigimos fazer parte das decisões e negociações”, afirmou. O seminário foi organizado pelas comissões de Legislação Participativa e de Meio Ambiente da Câmara, com apoio da Frente Parlamentar Ambientalista, a partir de requerimento dos deputados Ivan Valente (Psol-SP) e Talíria Petrone (Psol-RJ).
Articulação da REPAM para a COP30 participa de sessão especial sobre justiça climática em Belém

A Câmara Municipal de Belém realizou, nesta quinta-feira (24), uma Sessão Especial para discutir justiça ambiental e mudanças climáticas. A atividade foi proposta pela vereadora Marinor Brito (PSOL), integrante da Comissão de Meio Ambiente da Casa, e teve como objetivo ampliar o debate sobre os efeitos do desequilíbrio climático na capital paraense. Eduardo Soares, secretário da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima – articulação da REPAM rumo à COP30 – participou da sessão como representante da Cúpula dos Povos rumo à COP30. Em sua fala, destacou a importância de garantir a participação efetiva da sociedade civil nos processos de planejamento e execução das políticas relacionadas à Conferência do Clima. “Não podemos falar de COP30 sem falar da realidade das periferias de Belém. Justiça climática não é só reduzir emissões; é garantir que as obras, os planos e os investimentos considerem quem mais sofre com as desigualdades ambientais. Estamos aqui para exigir que a cidade seja pensada a partir dos territórios, com participação popular e compromisso real com os povos da Amazônia”, afirmou Eduardo Soares. Durante a sessão, foi retomada a discussão sobre o Plano Local de Ação Climática e o Fórum Municipal de Mudanças Climáticas, além da exposição dos impactos socioambientais causados pelas obras em andamento na cidade, realizadas no contexto da preparação para a COP30. O evento também teve como foco a vulnerabilidade de regiões afetadas por alagamentos, calor extremo e outros desastres ambientais, com atenção especial às populações que vivem em áreas de risco e com menor acesso à infraestrutura urbana e serviços públicos.
Encontro – Roda de Conversa: Desafios e perspectivas da Amazônia rumo à COP30

Na tarde de ontem (18/12), na sede da CNBB em Belém, ocorreu a roda de conversa “Desafios e Perspectivas da Amazônia Rumo à COP30” , reunindo cerca de 40 pessoas entre organizações, lideranças amazônicas e defensores socioambientais. O encontro foi promovido no âmbito da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima – Avanços Rumo à COP 30, com o objetivo de fortalecer as alianças, propor pautas concretas e debater os desafios e perspectivas para a defesa da Amazônia e de seus povos. Sara Pereira , coordenadora da FASE Amazônia e articuladora da Cúpula dos Povos Rumo à COP30, destaca: “É frustrante perceber que muitas vezes nossas expectativas sobre ações concretas são limitadas por decisões que ignoram as vozes dos territórios. Precisamos garantir que a COP30 seja marcada por compromissos reais com financiamento climático e justiça socioambiental, e não por promessas vazias.” Marcos Wesley, do Comitê COP30, reforça a necessidade de ampliar a participação popular e a pluralidade nas discussões: “A Amazônia não pode ser vista apenas como um ativo econômico, mas como o coração de um modelo sustentável e inclusivo. Nossa luta é por uma transformação que valorize os povos e proteja a floresta.” O encontro também destacou o papel estratégico de mobilização local e internacional para garantir que a COP30, a ser realizada em Belém em 2025, seja um marco de avanços concretos na agenda climática global. Participantes como Marcelo Corrêa, da Malungo , enfatizaram a urgência de construir ações que reflitam a realidade dos territórios e assegurem a proteção dos direitos das comunidades amazônicas. No segundo momento do encontro, foram apresentadas as articulações que têm desempenhado um papel fundamental na mobilização rumo à COP30, como a Cúpula dos Povos, a COP das Baixadas, a COP do Povo e o Comitê COP30. Cada grupo compartilhou os avanços e conquistas obtidos ao longo deste ano, destacando ações concretas, aprendizados e desafios enfrentados. Além disso, os representantes trouxeram suas expectativas para o próximo ano, com foco na ampliação da participação popular, no fortalecimento das redes de colaboração e na consolidação de propostas que reflitam as demandas dos territórios amazônicos. A roda de conversa reforçou a importância de manter o diálogo aberto e de esforços articulados para garantir que as demandas da Amazônia estejam no centro das discussões climáticas globais. Os próximos passos incluem a consolidação de propostas para apresentação nas etapas preparatórias da COP30 e o fortalecimento das coalizões regionais e internacionais. A REPAM-Brasil exerce um papel, liderando a Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima como parte dos preparativos para a COP30, em Belém-PA. Sua articulação é essencial para unir vozes diversas e engajadas na construção de uma transição sustentável e na defesa da Amazônia.
Povos indígenas do Brasil, Austrália e Pacífico lançam troika de enfrentamento à crise climática

Lideranças reivindicam co-presidência indígena na COP30 no Brasil para incluir os povos indígenas nas tomadas de decisão sobre políticas climáticas *Matéria publica no site da Coiab Para fortalecer a participação global dos povos indígenas nas negociações climáticas, lideranças indígenas do Brasil, Austrália e Ilhas do Pacífico lançaram a ‘Troika Indígena’ durante a COP29, em Baku, no Azerbaijão, nesta quarta-feira (13). A estrutura pretende assegurar o reconhecimento dos povos indígenas como verdadeiras autoridades climáticas e reivindica, entre outros pontos, uma co-presidência indígena na COP30, que será realizada no Brasil em 2025. A iniciativa foi apresentada pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), ao lado das organizações Indigenous Peoples’ Organisation-Australia e Pacific Islands Climate Action Network. O evento teve a participação da ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara, da presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, e do ministro de Assuntos Internos, Mudanças Climáticas e Meio Ambiente de Tuvalu, Maina Talia, além de indígenas de diferentes países participantes da COP. Segundo Alana Manchineri, gerente de comunicação e articuladora internacional da Coiab, a estratégia foi pensada para reafirmar o papel dos povos indígenas como verdadeiras autoridades do clima e da biodiversidade, garantindo que a contribuição deles para o equilíbrio climático seja reconhecida e que suas pautas e interesses sejam priorizados nos espaços de decisão. “Diferente dos governos que continuam negociando metas climáticas insuficientes e financiamentos vazios, nós temos liderado pelo exemplo, cuidando de nossos territórios, que são as áreas mais preservadas e ricas em biodiversidade da floresta amazônica. Se há uma autoridade climática no Brasil hoje, essa autoridade somos nós”, afirmou Alana. A representante da Coiab também destacou a necessidade da COP30, na Amazônia, ser um espaço inclusivo para todos os povos indígenas do mundo, com representatividade real nos processos da conferência. Por isso, a co-presidência indígena na COP30 é uma reivindicação da troika, como reconhecimento da autoridade dos povos indígenas na pauta climática, uma vez que são eles os principais defensores dos biomas que funcionam como sumidouros de carbono. Ainda segundo Alana, uma co-presidência indígena seria uma oportunidade única de transformar o modo como as negociações climáticas são realizadas no cenário global. Isso incluiria a valorização dos sistemas de conhecimento tradicionais e a inclusão dos povos indígenas no centro das negociações, promovendo uma verdadeira justiça climática. “A COP-30 será no nosso território. Não aceitaremos que as negociações aconteçam sem a participação das nossas vozes e da nossa autoridade climática. Nada que ameace o futuro da vida será tolerado”, completou Alana. A troika planeja ser um espaço aberto para todos os povos indígenas compartilharem suas demandas e, juntos, construírem estratégias de incidência na agenda climática global. Para isso, está prevista a realização de uma ação global conjunta no dia 5 de setembro, dia da Amazônia, como manifestação da aliança entre os povos indígenas de diferentes países. “A aliança reflete as consequências de más decisões e o clamor de socorro da nossa Mãe Terra. A força das culturas indígenas pode transformar. Minha história é a do Pacífico, que sofre com a crise climática. Nosso propósito é repassar nossa cultura e valores, e isso é poderoso”, disse Rufino Varea, do Pacific Islands Climate Action Network. Veja os objetivos da Troika Indígena – Estabelecer uma aliança global que represente povos indígenas e seus aliados para advogar por ações climáticas ambiciosas e efetivas em fóruns globais; – Ampliar a incidência indígena nos níveis internacional, nacional e local, unindo lutas, compartilhando saberes e recursos, e gerando maior visibilidade e resultados efetivos; – Pressionar as nações ricas para cumprirem suas responsabilidades no financiamento climático e aumentar o financiamento direto para iniciativas lideradas por povos indígenas, garantindo que os recursos cheguem aos mais vulneráveis; – Encerrar a era dos combustíveis fósseis com uma transição energética justa, aprofundando o que foi acordado na COP 28, com ações urgentes para acelerar a transição, sem prejudicar os povos indígenas e seus territórios; – Atuar para que as metas climáticas dos países estejam alinhadas com o desafio de redução das emissões de gases de efeito estufa e de proteção da vida no planeta, de acordo com as metas estabelecidas no Acordo de Paris, inserindo nas suas NDCs a demarcação e titulação de terras indígenas como política climática e de biodiversidade. Fotos: Pepyaká Krikati
Declaração dos Agricultores Familiares, Povos e Comunidades Tradicionais para a Cúpula Social do G20

A Declaração dos Agricultores Familiares, Povos Indígenas, Comunidades Tradicionais, Camponeses, Afrodescendentes, Pastores e Pescadores Artesanais representa um marco de diálogo e construção coletiva, realizada sob a liderança do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf) e seu Comitê de Assuntos Internacionais. O documento contém a participação de movimentos sociais e internacionais, reafirmando o protagonismo desses grupos na construção de políticas inclusivas e sustentáveis. Reunidos no Rio de Janeiro, os representantes desses povos e comunidades levam à mesa do G20 uma mensagem urgente e transformadora: a agricultura familiar, os sistemas agroecológicos e os saberes tradicionais são pilares para a soberania alimentar global, a biodiversidade e a resiliência climática. No entanto, para que essas práticas prosperem, é necessária uma transformação profunda do sistema alimentar global e o respeito integral aos Direitos Humanos. Principais Demandas e Compromissos da Declaração: Mensagem aos Governos do G20: As vozes dos agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais não podem ser ignoradas. Esses grupos, guardiões da biodiversidade e da cultura, reafirmam seu direito de decidir sobre seus modos de vida e subsistência. A Cúpula Social do G20 deve marcar um ponto de inflexão, reafirmando compromissos concretos para um planeta mais justo, sustentável e inclusivo. Que este encontro seja o início de uma transformação real, ancorada na solidariedade, respeito e justiça intergeracional. Acesse o documento completo e saiba como apoiar essas iniciativas.