Boletim Especial COP30 reúne as vozes dos territórios na Amazônia

A Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima lança o Boletim Especial COP30 – Vozes dos Territórios, que sistematiza aprendizados, articulações e narrativas construídas ao longo da articulação. A publicação reafirma a COP30, realizada em Belém do Pará, como parte de um processo coletivo que nasce nos territórios e fortalece o protagonismo dos povos que vivem e cuidam da Amazônia. Resultado de um percurso marcado pela escuta ativa e pelo diálogo, o boletim destaca a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas, ribeirinhas, juventudes e organizações populares, além do fortalecimento de redes de comunicação, formações e espaços autônomos da sociedade civil. Ao longo desse caminho, a comunicação se consolidou como uma ferramenta estratégica de justiça climática e incidência política. Mais do que um balanço da Conferência, o Boletim Especial COP30 celebra os legados construídos, as alianças fortalecidas e as narrativas que seguem vivas nos territórios. A publicação reforça que a justiça climática se constrói a partir da vida concreta dos povos e de seus modos de existência. Acesse o Boletim Especial COP30 e conheça as vozes dos territórios que seguem mobilizando caminhos de cuidado, justiça e futuro.
Boletim julho a setembro: mobilização intensifica ações na reta final rumo à COP30

De julho a outubro de 2025, a Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima manteve o ritmo intenso de escuta, diálogo e incidência, ampliando o protagonismo popular na construção do caminho até a COP30, em Belém. À medida que a Conferência do Clima se aproxima, os encontros, formações e ações se multiplicam em diferentes estados da Amazônia. Comunidades tradicionais, juventudes, organizações sociais e movimentos populares se unem em um grande esforço coletivo para levar as vozes dos territórios ao centro do debate climático global. Nesta edição do boletim, destacam-se marcos importantes desse percurso: a consolidação da Carta de Demandas dos Povos da Amazônia, novos espaços de formação e mobilização em estados como Pará, Maranhão, Amazonas e Roraima, além da presença ativa da mobilização em eventos e fóruns internacionais. A Mobilização dos Povos reafirma, assim, seu compromisso com uma escuta ativa e um diálogo enraizado nos territórios, garantindo que as histórias, lutas e saberes da Amazônia estejam no centro das decisões que moldarão o futuro do planeta. Acesse o boletim completo e acompanhe como essa mobilização, que nasce das florestas, das águas e das periferias, segue crescendo e inspirando caminhos de justiça, memória e cuidado rumo à COP30.
Mobilização COP30 participa do Seminário de Governança Climática em Brasília

Entre os dias 9 e 11 de setembro, a Mobilização COP30 marcou presença no Seminário de Governança Climática e no 2º Encontro Cidades Verdes Resilientes, realizado em Brasília pela Câmara Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM). O encontro teve como destaque o lançamento das Câmaras Consultivas do CIM, instâncias que vão fortalecer o diálogo entre governo federal, estados, municípios, sociedade civil e comunidade científica na construção das respostas brasileiras à crise climática. A Mobilização COP30 acompanha de perto esse processo por meio da participação de Joana Menezes, articuladora da Mobilização e representante da REPAM, na Câmara de Participação Social. “É fundamental que a sociedade civil esteja dentro desses espaços, não apenas como espectadora, mas como voz ativa na definição das políticas climáticas do país. A COP30 será uma vitrine para o Brasil, mas só terá legitimidade se refletir a diversidade dos territórios e das populações que vivem na linha de frente da crise climática”, afirmou Joana Menezes. A iniciativa é estratégica para o país às vésperas da COP30, em Belém, e reforça o compromisso com uma governança climática participativa, multinível e orientada a resultados. Ao longo do seminário, foram discutidos temas como adaptação, mitigação, financiamento climático, transição justa e soluções baseadas na natureza, além da articulação entre União, estados e municípios. Para a Mobilização COP30, a realização do seminário representa um avanço no fortalecimento do federalismo climáticoe uma oportunidade de ampliar o engajamento da sociedade civil na definição das políticas que vão guiar o Brasil diante dos desafios da emergência climática.
Casa da Cúpula dos Povos é inaugurada em Belém e se torna espaço estratégico rumo à COP30

Belém (PA) passou a contar, desde 5 de setembro, com um novo espaço de mobilização popular: a Casa da Cúpula dos Povos. Localizada na Travessa Chaco, nº 1949, a iniciativa surge como ponto de encontro, articulação e construção coletiva para movimentos sociais e populares que caminham rumo à Cúpula dos Povos, marcada para ocorrer entre 12 e 16 de novembro de 2025, no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), em paralelo à COP30. A Casa nasce como espaço de resistência e criação, reunindo povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas, camponesas, juventudes e organizações urbanas na defesa de justiça climática, direitos ambientais e territoriais. O local será palco de debates, oficinas, encontros e mobilizações que reforçam um horizonte comum: a vida acima do lucro. “A Casa da Cúpula dos Povos tem uma importância imensa para Belém e para a Amazônia, porque é um espaço que amplia vozes e dá visibilidade às lutas que partem dos territórios”, afirmou Joana Menezes, articuladora da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima. “Aqui nos encontramos, nos fortalecemos e reafirmamos que a Amazônia é centro das soluções para a crise climática.” A inauguração reuniu falas políticas potentes e a presença de representantes de diferentes movimentos sociais. A REPAM Brasil, por meio da articulação rumo à COP30, esteve entre as organizações que participaram do lançamento, somando-se à construção coletiva do espaço. Até novembro de 2025, a Casa será referência de mobilização, apoio e acolhimento às delegações populares que se somarão à Cúpula dos Povos em Belém. O espaço também terá papel estratégico na articulação de redes nacionais e internacionais em defesa da floresta e dos povos da Amazônia. “Rumo à COP30, a Casa será um lugar vivo, pulsante, que seguirá articulando ideias, lutas e resistências. Representa tanto um ponto de apoio às delegações quanto um espaço de incidência e de organização popular”, ressaltou Eduardo Soares, da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima. De agora até a realização da Cúpula, a Casa segue ativa, “pulsando lutas, ideias e encontros que fortalecem nosso caminho comum”, como destacou a programação de abertura.
Cúpula dos Povos lança Chamado Global à Ação antes da COP30 pedindo marchas de solidariedade em todo o mundo no dia 15 de novembro.

Movimentos sociais e ambientais de todo o mundo lançaram hoje um apelo à ação para um Dia Global de Ação em 15 de novembro de 2025, coincidindo com as negociações climáticas da COP30 das Nações Unidas. Como parte da Cúpula dos Povos, milhares de pessoas devem sair às ruas de Belém, Brasil, exigindo justiça climática e mudança de sistema. O apelo exorta movimentos, organizações e povos de todos os lugares a organizarem suas próprias marchas e ações locais em solidariedade, unindo lutas além das fronteiras na luta contra a desigualdade, o racismo ambiental e a impunidade corporativa. Vozes do chamado: “Da Amazônia para o mundo, estamos dizendo que já basta. O dia 15 de novembro não se trata apenas de marchar em Belém. Trata-se de mostrar que pessoas de todos os lugares estão se levantando juntas. O Dia Global de Ação demonstrará que a justiça climática é inseparável da justiça para os povos, territórios e gerações futuras.” Cleidiane Vieira – Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) “Marchamos pela vida. O dia 15 de novembro será um momento histórico, mostrando aos governos e às corporações que o mundo está observando e que exigimos mudanças. Esta é nossa oportunidade de nos unirmos além das fronteiras, para exigir reparações, responsabilizar as corporações e afirmar que a vida e a dignidade valem mais do que o lucro e a destruição.” Kirtana Chandrasekaran – Amigos da Terra Internacional “O Dia Mundial de Ação é uma oportunidade para amplificar as vozes das comunidades que defendem a terra, a água, os empregos, as florestas e as cidades. É um apelo à solidariedade internacional, que lembra ao mundo que o poder da resistência está nas mãos das pessoas comuns e das suas diferentes formas de organização, e não nas mãos das empresas e dos governos.” Ivan González – CSA-TUCA “O dia 15 de novembro não é uma marcha simbólica. É um ato coletivo de desafio contra o sistema que destrói nossas vidas e nossas terras. De Belém às ruas de todas as cidades, os povos indígenas e comunidades tradicionais mostrarão que se recusam a deixar que as corporações e os governos nos sacrifiquem em nome do lucro. Mostraremos que nossas vozes não podem ser silenciadas e somos essenciais para a construção de soluções coletivas. A resposta somos nós!” Toya Manchineri Representante Indígena da COIAB
Mobilização COP30 participa de Círculo de Diálogo sobre Educação, Crise Civilizatória e Justiça Socioambiental nas Amazônias

No dia 26 de agosto, a Universidade Estadual do Pará (UEPA) sediou o Círculo de Diálogo “Educação, Crise Civilizatória e Justiça Socioambiental nas Amazônias”, realizado no âmbito do XX Seminário do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED). O encontro reuniu discentes, docentes e convidados/as em um espaço de reflexão crítica sobre os desafios contemporâneos. Eduardo Soares, da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, participou como expositor representando a Comissão Política da Cúpula dos Povos rumo à COP30, ao lado do Dr. Sérgio Corrêa (PPGED/UFPA). Sua fala trouxe um resgate histórico sobre os sistemas que têm agravado a emergência climática no Brasil e no mundo, destacando como a educação, em diálogo com a justiça socioambiental e a partir das Amazônias, pode oferecer caminhos para respostas transformadoras. “Estamos diante de uma crise civilizatória que exige de nós coragem e criatividade coletiva. A educação, enraizada nas Amazônias e conectada à justiça socioambiental, pode ser um farol para construir alternativas de vida mais justas, sustentáveis e solidárias”, destacou Eduardo Soares. Durante a atividade, também foram prestadas homenagens ao Mestre Lourival Igarepé e ao Mestre Verequete, por ocasião do Dia Municipal do Carimbó, e ao Mestre Damasceno, falecido na mesma data.
Mobilização COP30 participa de seminário sobre transição energética no Nordeste

Entre os dias 21 e 23 de agosto, foi realizado em Fortaleza (CE) o II Seminário: “Transição ou Transação Energética? Conflitos, Violações de Direitos, Clima e o Poder Digital”. O encontro foi fruto de uma construção coletiva com mais de 45 organizações sociais e movimentos populares do Nordeste e de âmbito nacional, reunindo cerca de 200 participantes. A Articulação esteve presente representando a Comissão Política da Cúpula dos Povos rumo à COP30, no painel “Um balanço dos Acordos, Tratados e Políticas das COPs e da Cúpula dos Povos”. Na ocasião, foi apresentado o processo de organização, articulação e mobilização em andamento, a partir dos eixos de convergência e de outras dinâmicas que fortalecem a participação da sociedade civil antes, durante e depois da COP30. O seminário também foi espaço de denúncia das populações tradicionais, rurais e urbanas do Nordeste, que enfrentam violações territoriais marcadas por impactos climáticos e pela financeirização da natureza. Os relatos destacaram que, com apoio de gestões públicas, corporações nacionais e internacionais têm flexibilizado leis ambientais, violado direitos e mercantilizado bens comuns — como água, energia e terra — por meio da instalação de grandes usinas eólicas e solares centralizadas, além da chegada de data centers sob o discurso da sustentabilidade. A atividade encerrou-se com a elaboração de encaminhamentos relacionados à Carta Política do seminário, bem como com a definição dos próximos passos da articulação nordestina de organizações sociais e movimentos populares, sobretudo na preparação para a Cúpula dos Povos rumo à COP30.
Mobilização dos Povos participa de debate com o MAB sobre os desafios rumo à Cúpula dos Povos e COP30

Foto: Jordana Ayres/MAB
Presidente da COP30 confirma presença na Cúpula dos Povos e leitura de Declaração dos Povos na Conferência

Compromisso assumido em reunião abrange apoio para livre manifestação, incluindo solidariedade à Palestina e aproximação da Cúpula dos Povos Reprodução: Ascom Operativo Nacional da Cúpula: Sandra Rocha Belém (PA) – O presidente da 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), embaixador André Corrêa do Lago, confirmou que participará da Cúpula dos Povos no dia 16 de novembro, data de encerramento do encontro que reunirá milhares de representantes de movimentos, redes e organizações sociais de todo o mundo em Belém. As organizações encaram a presença como um avanço nas negociações políticas pelo reconhecimento dos movimentos sociais nas decisões da agenda política sobre o clima. André Lago e a diretora executiva da COP 30, Ana Toni, tiveram uma reunião com representantes do Comissão Política da Cúpula na tarde desta segunda-feira, 11. Presencialmente, estavam Maureen Santos (Fase), Doris Vasconcelos (Rede Eclesial Pan Amazônica – Repam), Gisele Barbieri (Comitê Brasileiro de Defensores de Direitos Humanos). Virtualmente, participaram Rachitaa Gupta (Global Campaign to Demand Climate Justice – DCJ), Lise Masson (Friends of the Earth International), Francisco Kelvim (Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB) e Miguel Izaga (Via Campesina). “Considerando que a Cúpula não é uma construção apenas local, territorial, nem nacional, mas amplamente global envolvendo vários continentes, esse espaço de reconhecimento e de participação junto ao evento oficial da COP 30, queremos ver como vocês estão vendo, sentindo e percebendo a Cúpula dos Povos nesse momento tão importante para o país e para o planeta”, pontuou Doris ao introduzir as demandas. Durante a reunião, Lago reconheceu a importância da Cúpula enquanto espaço legítimo dos movimentos sociais e defendeu que as demandas da sociedade civil devem estar conectadas ao processo oficial da conferência climática. Ele convidou à maior integração com a agenda de ação e com os enviados, canais que podem incorporar os debates acumulados pela Cúpula. Ao responder sobre a sua participação em audiência da Cúpula programada para o dia 16 de novembro a entrega da Declaração da Cúpula dos Povos em espaço oficial, o documento consolidará diretrizes e ações consideradas imprescindíveis para enfrentar a crise climática, ele foi categórico em confirmar. “Tenho o maior prazer em receber a declaração dos povos dia 16. Ter a leitura na plenária oficial seria mais do que natural. Incluir as questões que vocês discutiram, acho que a gente tem que incorporar na agenda de ação. Sou absolutamente favorável. Temos que apoiar”, disse. Quanto à demanda apresentada pelo Comitê, por credenciais para representantes de movimentos sociais, ele disse que a distribuição desses passaportes é mais difícil. Maureen Santos pontuou que muitas organizações da sociedade civil já possuem as suas por atuarem como observadoras, mas entidades de base, não. Rachitaa reforçou a importância de se garantir a participação para além de grupos que estão sendo contemplados, como os indígenas. “É importante que essas badges sejam distribuídas entre lideranças”, defendeu. Além do diálogo sobre a agenda climática, o presidente da COP30 também foi provocado por Rachitaa a garantir que as ações de solidariedade à Palestina aconteçam livremente, uma vez que em Bonn, Alemanha, o secretariado da UNFCCC impediu atos no espaço oficial. Lago se comprometeu a tratar de pautas relacionadas a direitos humanos e liberdade de expressão dentro dos espaços oficiais da conferência, incluindo manifestações em solidariedade à Palestina. “Como brasileiro, apoio a Palestina. Nesse estágio, é inacreditável o que está acontecendo na Palestina. Tenho que checar e se tiver autoridade para fazer algo, farei”, disse após explicar que a sociedade civil enfrenta restrições para se manifestar nas conferências da ONU e que é fundamental garantir que vozes históricas, como as que defendem o povo palestino, tenham espaço e sejam ouvidas. Declaração dos Povos – o documento que será entregue a Lago no dia 16, reunirá propostas construídas a partir de seis eixos temáticos que abrangem temas como a transição justa e combate ao racismo ambiental, a defesa das cidades e periferias vivas, a soberania alimentar e popular, além do feminismo popular e resistência das mulheres nos territórios. A Cúpula dos Povos acontecerá de 12 a 16 de novembro no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), constituindo o maior espaço autônomo e crítico da sociedade civil global, em paralelo à COP30, que será realizada de 10 a 21 de novembro em Belém. Como processo, está sendo organizado como parte de um processo que não terminará em 2025. “A gente tem feito uma construção de processo porque a ideia é que a gente não pare em Belém, mas essa Cúpula sirva como um espaço para a sociedade civil global enraizar, construir alianças políticas, convergências em cima de temas que são essenciais”, explicou Maureen. Com informações: Ascom Operativo Nacional da Cúpula: Sandra Rocha
Universidade Federal do Pará sedia os Diálogos Amazônicos 2025 – Etapa Brasileira

A Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, foi sede, nesta terça-feira (29), do encontro Diálogos Amazônicos 2025 – Etapa Brasileira, realizado em formato híbrido. O evento reuniu representantes de povos tradicionais, organizações sociais, autoridades e especialistas para discutir os principais desafios e caminhos para o futuro da Pan-Amazônia. A etapa brasileira marca o início da construção coletiva das propostas que serão levadas à V Cúpula de Presidentes da Amazônia, que acontecerá em agosto, na Colômbia. A programação foi estruturada em torno de três grandes painéis temáticos: Direitos, Territórios e o Acordo de Escazú; O Desafio de Proteger a Amazônia do Ponto de Não Retorno; e Alternativas Sustentáveis, Financiamento e Reflorestamento. Segundo os organizadores, mais do que um evento pontual, os Diálogos se consolidam como uma instância viva e institucional de escuta, proposição e ação — agora com papel estratégico na preparação rumo à COP30, que será realizada em Belém. O reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilmar Pereira da Silva, destacou a relevância da participação popular nos processos políticos, especialmente rumo à COP30. Ele celebrou o envolvimento da universidade nos Diálogos Amazônicos e na sistematização da Declaração de Belém, defendendo que não há COP legítima sem os povos amazônicos e os movimentos sociais. Gilmar reafirmou o compromisso da UFPA em colocar seu conhecimento e estrutura a serviço da luta por justiça social, enfrentando os desafios impostos por uma realidade ainda marcada pelo colonialismo e pelas desigualdades. Para ele, “pensar a Amazônia é pensar o país a partir de uma perspectiva popular, inclusiva e transformadora”. Marília Closs, coordenadora de projetos da Plataforma CIPÓ, apresentou um balanço da implementação da Declaração de Belém, assinada em 2023, destacando que o documento, com seus 113 compromissos distribuídos em 16 eixos temáticos, é um instrumento potente para a cooperação internacional na proteção da Amazônia. A plataforma acompanha cerca de 1.400 ações políticas relacionadas à implementação da declaração, constatando que 65% dessas iniciativas ainda estão em estágio preliminar, como criação de grupos de trabalho e reuniões técnicas. Apesar dos avanços, principalmente na proteção das florestas, ela ressaltou o atraso causado por entraves burocráticos, falta de financiamento e a sobrecarga de poucos atores envolvidos. Marília enfatizou a necessidade de maior urgência e eficácia para transformar o compromisso político em ações concretas, colocando a Plataforma CIPÓ à disposição para contribuir com a construção de propostas para a próxima etapa, a ser discutida na Cúpula da Amazônia em Bogotá. João Pedro, coordenador de Articulação do Coletivo Pororoka, membro do Comitê Internacional do Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA) e representante da Assembleia Mundial pela Amazônia, destacou a resistência histórica da região frente ao modelo capitalista global, que ele classificou como predatório e voltado exclusivamente ao lucro. Para ele, o Sul Global (em especial as florestas tropicais da Amazônia, África e Indonésia) sustenta a vida no planeta, e é injusto que recaia apenas sobre esses territórios a responsabilidade de proteger o futuro da Terra. João Pedro enfatizou que não pode haver política pública para a Amazônia sem a presença efetiva da sociedade civil amazônica e defendeu a criação de um mecanismo de participação social permanente dentro da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), a chamada OTCA Social. Essa estrutura permitiria que movimentos sociais e populações locais tivessem assento legítimo para acompanhar e influenciar decisões políticas, garantindo que a implementação de compromissos internacionais, como os assumidos rumo à COP30, ocorra com democracia e efetividade. O embaixador João Marcelo Queiroz, do Ministério das Relações Exteriores, ressaltou que os Diálogos Amazônicos representam um momento estratégico para articular posições comuns entre os países da região rumo à COP30. Ele destacou a proposta brasileira do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFF) como uma iniciativa promissora para viabilizar o financiamento climático em larga escala voltado à conservação das florestas tropicais. Segundo ele, a segunda edição dos Diálogos, que será realizada na Colômbia, representa mais um passo relevante na construção de um modelo sólido de diálogo e engajamento entre os Estados e a sociedade civil amazônica. Joana Menezes, da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), ressaltou a importância da presença efetiva dos povos amazônicos nas decisões que afetam a região, reafirmando que nada deve ser discutido sem a participação direta das populações locais. Como mulher negra amazônida, compartilhou sua vivência em diálogo com comunidades de pescadoras, quilombolas e quebradeiras de coco, apontando que, embora os impactos socioambientais variem entre os territórios, todos os povos da Amazônia sofrem com as consequências do atual modelo de exploração. Joana destacou que a sabedoria ancestral das mulheres, juventudes e povos tradicionais oferece caminhos concretos para a proteção da sociobiodiversidade e reforçou a importância da OTCA Social como mecanismo institucional de participação popular nas instâncias de decisão. Germán Niño, coordenador do Grupo de Economias Transformadoras da Latindadd, integrante do Comitê Internacional do Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA) e do Fórum Social Mundial de Economias Transformadoras (FSMET) Colômbia 2024, alertou para os retrocessos socioambientais na região, mencionando casos como a fusão dos ministérios de mineração e meio ambiente no Equador e o avanço de projetos extrativistas que colocam comunidades e natureza em risco. Criticou o desinteresse de alguns governos em participar dos Diálogos Amazônicos e relembrou que a exclusão da sociedade civil já foi evidenciada em fóruns globais, como a IV Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento. Germán defendeu a criação de mecanismos permanentes de participação com protagonismo de mulheres, povos indígenas, juventudes e comunidades tradicionais, e o reconhecimento dos direitos da natureza. Ressaltou ainda a importância de integrar saberes científicos e ancestrais, fortalecer a justiça tributária, enfrentar emergências climáticas com rapidez e promover uma transição energética popular. Para ele, a Amazônia carrega uma agenda de futuro — e o futuro é agora. Vanessa Grazziotin, diretora executiva da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), explicou que o organismo intergovernamental reúne oito países amazônicos (excluindo a Guiana Francesa por ser território francês) e funciona com base no princípio da unanimidade. Criada inicialmente como um tratado em 1978, a OTCA se tornou uma organização com sede em Brasília e secretariado próprio, cujo papel é executar