No coração da aldeia Akamassyrón, situada em São Domingos do Araguaia, acontecerá, nos dias 13 e 14 de março, o 3º Encontro das Mulheres Indígenas Aikewara. Com o tema “Mulheres Indígenas Aikewara: uma luta pela preservação de sua herança cultural”, o evento busca fortalecer os laços entre gerações, promovendo a troca de saberes e a reafirmação da identidade do povo Aikewara.
Para os povos indígenas, este encontro vai além de um momento de reunião: é uma manifestação de resistência e afirmação de identidade diante dos desafios atuais. É um espaço onde o presente encontra o passado, onde as anciãs compartilham a sabedoria acumulada ao longo dos anos, enquanto as jovens carregam a expectativa de um futuro onde suas tradições continuem vivas.
Nos encontros anteriores, foram discutidos temas essenciais como saúde, direitos e desafios enfrentados pelas mulheres indígenas. Neste ano, o foco estará na ancestralidade cultural: como proteger e perpetuar os costumes diante das pressões externas? Como garantir que a língua, os rituais e o conhecimento ancestral não se percam no tempo?
A paisagem que abriga o encontro representa não apenas um refúgio, mas também um símbolo de resistência. Em meio às adversidades, as mulheres Aikewara seguem firmes na defesa de sua cultura e território.
Vanalda, Comitê REPAM em Marabá, destaca:
_”O encontro de mulheres indígenas do povo Aikewara-Suruí surgiu durante as oficinas de escuta do protocolo de consulta prévia informada e comunitária. Percebemos que, durante as oficinas, as mulheres estavam sempre presentes e sua participação foi fundamental na construção desse documento. Assim, esse grupo de mulheres identificou a necessidade de um espaço onde pudessem refletir e socializar seu papel dentro do território.
Na questão cultural, as festas e os costumes são trabalhados tanto nas escolas quanto nos momentos de conversa com os mais velhos, que preservam especialmente a língua materna. Os mais velhos falam amplamente a língua Aikewara, e nas escolas do território há professores de língua para manter essa tradição linguística viva. As lutas de resistência são tanto culturais quanto territoriais.
A Rede de Mulheres Indígenas do povo Aikewara-Suruí, em articulação com outras etnias, busca fortalecer suas formações na área cultural, ampliar os encontros e discutir temas como acesso a políticas públicas indígenas, principalmente na área cultural e na produção sustentável.
Seria essencial promover oficinas sobre questões culturais, direitos humanos e outros temas relevantes.”_
O 3º Encontro das Mulheres Indígenas Aikewara reafirma a importância da luta pela preservação das tradições e dos saberes ancestrais, garantindo que as próximas gerações possam manter viva a identidade de seu povo.