A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou, no dia 1º de julho, às 10h30, uma coletiva de imprensa em sua sede, em Brasília (DF), para apresentar o documento intitulado “Um Chamado por Justiça Climática e a Casa Comum: Conversão Ecológica, Transformação e Resistência às Falsas Soluções”. Este importante texto refletiu a visão da Igreja Católica do Sul Global sobre a crise climática e as discussões em torno da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, que acontecerá em Belém (PA) em novembro deste ano.
O documento trouxe uma análise profunda sobre os impactos da crise climática, com propostas e denúncias que visam sensibilizar e mobilizar para soluções eficazes e justas. A entrega do documento ao Papa Leão XIV em Roma foi realizada pelo presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, acompanhado dos cardeais Fridolin Ambongo Besungu (representante das Conferências Episcopais da África) e Felipe Neri (representante das Conferências Episcopais da Ásia).
Este documento já tem sido utilizado como base para discussões e posicionamentos da Igreja em eventos internacionais, como a Conferência de Bonn, na Alemanha, em junho deste ano. No Brasil, além da coletiva de imprensa, o documento será entregue à Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, no dia 2 de julho, e também apresentado em audiência pública na Câmara dos Deputados, no dia 3 de julho.
Os bispos presentes à coletiva, Dom João Justino de Medeiros, primeiro vice-presidente da CNBB, e Dom Vicente de Paula Ferreira, presidente da Comissão para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB, reforçaram a importância da Igreja neste processo de reflexão e ação, alinhando-se aos desafios globais e propondo uma visão teológica e prática de cuidado com a “Casa Comum”.
Durante a coletiva, Dom Vicente de Paula Ferreira, presidente da Comissão para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB, destacou três eixos principais do documento:
- Denúncia às falsas soluções: “O capitalismo verde, com suas falsas soluções, não pode ser considerado uma alternativa viável para resolver a crise climática, pois ele é, na verdade, a causa de grande parte do problema.”
- Anúncio de alternativas sustentáveis: “As verdadeiras soluções para a crise climática estão na proteção das comunidades locais, especialmente dos povos indígenas, dos pequenos agricultores, e na defesa das florestas, rios e biodiversidade.”
- O engajamento da Igreja e a leitura teológica da crise climática: “Para nós, a ecologia integral é antes de tudo uma questão teológica de fé. Somos chamados a cuidar da criação, pois somos seus guardiães, e não temos o direito de destruí-la em nome da nossa fé.”
Esses três eixos reforçam a visão da Igreja de que a crise climática exige uma resposta que envolva não apenas a política e a economia, mas também uma reflexão profunda sobre a nossa relação com a criação e a responsabilidade de todos na preservação da Casa Comum.
Este momento foi fundamental para fortalecer o diálogo entre a Igreja e as esferas governamentais, sociais e ambientais, destacando a urgência da ação diante da crise climática e a responsabilidade coletiva na busca por soluções sustentáveis.
Conheça o documento na íntegra:
Um chamado por justiça climática e a Casa Comum

