Notícia

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) participa da IV Escola de Direitos Humanos, que ocorrerá de 4 a 28 de agosto em Santa Cruz, Bolívia. Este evento, promovido pela REPAM com o apoio de Manos Unidas, visa fortalecer as capacidades de líderes e defensores dos direitos humanos na Pan-Amazônia, especialmente no contexto de crescente violência contra os povos da região e suas lideranças.

Neste ano, o Brasil enviará quatro duplas de lideranças para representar casos emblemáticos de violações de direitos humanos no território amazônico. A REPAM-Brasil está encaminhando uma dupla que representa o caso da Reserva Extrativista Jaci-Paraná, em Rondônia, onde o Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Justiça que a gestão da área seja transferida para a União, devido à falta de fiscalização e proteção ambiental por parte do governo estadual.

A Reserva Jaci-Paraná, criada em 1996, tem sido alvo constante de invasões, desmatamento ilegal e grilagem de terras, o que coloca em risco as populações extrativistas que dependem da terra para sua subsistência. A ação do MPF busca reverter a cessão da reserva ao Estado de Rondônia, transferindo sua gestão para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), visando garantir a proteção ambiental e a desintrusão de invasores.

Durante o evento, Wellington Lamburgini, agente da comunidade, compartilhou sua perspectiva: “A defesa da Reserva Extrativista é a defesa de um modelo de desenvolvimento sustentável, de relação sustentável com a natureza, frente à atividade predatória. A escola abre um espaço importante, junto com a REPAM e toda a estrutura da Igreja, para fortalecer a atuação do Ministério Público Federal para a retomada dessa área para a União. O Estado de Rondônia não cumpriu sua função e permitiu a invasão da área.”

A Escola de Direitos Humanos da REPAM tem sido um importante espaço de articulação e formação para lideranças da Pan-Amazônia. Desde sua criação, já formou centenas de líderes comunitários, agentes pastorais e representantes de organizações indígenas, proporcionando ferramentas educacionais para formalizar denúncias e promover a justiça socioambiental. Este ano, o foco será aprofundar o debate sobre a defesa dos direitos territoriais e fortalecer redes de proteção e solidariedade na região.

Com o apoio de Manos Unidas, a REPAM-Brasil reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos dos povos amazônicos, especialmente frente aos desafios impostos pela exploração predatória e pela violência. As duplas de liderança que participam da escola retornarão com novos conhecimentos e experiências que serão compartilhados em suas comunidades, contribuindo para o fortalecimento da luta pelos direitos humanos na Amazônia.

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