Chega ao fim hoje, em Fortaleza (CE), o II Encontro Nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), que reuniu em torno de 1.200 militantes de todo o país. Desde a abertura, a REPAM-Brasil esteve presente, representada por Eliane Gentil, fortalecendo o diálogo com as comunidades atingidas pela mineração e reafirmando o compromisso da Rede com a defesa da vida e dos territórios.
No relato dos últimos dias, Eliane destaca a força das místicas e das expressões culturais vindas de diferentes territórios e povos, que marcaram o início das atividades. “As místicas trazem não apenas a diversidade de culturas, mas também as denúncias vividas nos territórios. Elas nos chamam a olhar para as realidades concretas das comunidades atingidas pela mineração”, afirma.
O encontro contou também com a presença de representantes dos Ministérios de Minas e Energia, das Mulheres, da Tecnologia e da Igualdade Racial, que dialogaram com a militância sobre as responsabilidades do Estado e a urgência de políticas públicas efetivas. Eliane destaca:
“Foi um momento de reflexão sobre como as tecnologias e os recursos da mineração precisam de fato estar a serviço do povo, garantindo que os impostos recolhidos voltem como políticas públicas para quem mais precisa, e não se percam em desvios. Esse diálogo com os ministérios fortalece nossa luta e evidencia que o enfrentamento ao modelo predatório só é possível com organização popular e incidência política.”
Outro ponto forte, segundo Eliane, foram os grupos de trabalho regionais, que aprofundaram a reflexão sobre a formação política e pedagógica do MAM a partir das bases. “O grande desafio é garantir uma formação feita por pessoas que compreendem a realidade dos territórios, para que o movimento siga crescendo de forma enraizada”, ressalta.
O encontro também foi marcado por intercâmbio internacional, com representantes do Canadá, Vietnã, Chile, Angola e outros países, que compartilharam experiências de luta contra a mineração em seus territórios. “Foi muito potente perceber que as dores e os desafios não são apenas nossos. A solidariedade internacional mostra que o enfrentamento ao modelo predatório de mineração é uma luta comum”, sublinha Eliane.
A programação incluiu ainda rodas de conversa específicas, como a das mulheres, que discutiu políticas de enfrentamento às violências nos territórios. “Falamos sobre o machismo e as violências sofridas pelas mulheres, e sobre a necessidade de organização para resistir e transformar essa realidade”, completa.
O encerramento acontece com apresentações culturais e a continuidade da feira da agroecologia e da biodiversidade, que durante três noites trouxe produtos, saberes e trocas entre comunidades. “Foram dias de muita partilha, escuta e denúncia, mas também de esperança e articulação. Saímos daqui mais fortalecidos na defesa dos territórios e da nossa biodiversidade”, conclui Eliane.







