Notícia

Na noite de ontem (9), a REPAM-Brasil realizou uma reunião virtual reunindo 32 participantes de diversos estados do Brasil, reforçando o caráter plural da caminhada rumo à COP30, que acontecerá em Belém em novembro. 

O encontro começou em clima de espiritualidade, com um momento de oração conduzido por Eduardo Soares, da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, seguido da bênção de Dom Evaristo Spengler, que recordou a Carta dos Bispos da Amazônia, alertando para os retrocessos da Lei Geral do Licenciamento Ambiental e chamando à vigilância sobre a manutenção dos vetos presidenciais. 

A noite também contou com um momento de apresentação e uma dinâmica de integração entre as/os participantes, valorizando a diversidade e criando um espaço de escuta. Esse diferencial foi marcado por ribeirinhos/as, agricultores/as, bispos, técnicos e profissionais colocados lado a lado para refletir sobre a COP30, numa horizontalidade que expressa a essência da pastoral, da educação popular e da sinodalidade. Uma prática que permite uma escuta que acolhe, valoriza, ensina e aprende, fazendo da preparação para a COP30 um verdadeiro exercício de corresponsabilidade e comunhão. 

Paulo Martins, da comunicação, resgatou o percurso da REPAM no processo de incidência internacional e apresentou os nove temas prioritários levantados para a preparação da COP30: 

  • Contribuições Nacionalmente Determinadas (MDCs), 
  • Financiamento climático e fundos florestais, 
  • Precificação global do carbono, 
  • Transição energética justa e descarbonização, 
  • Justiça climática, 
  • Justiça de gênero e raça, 
  • Florestas como centro da ação climática, 
  • Bioeconomia, 
  • Financiamento multiescalar e adaptação climática. 

Mayara Lima, comunicadora da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, destacou as ações já realizadas pelo projeto, como rodas de conversa em diferentes territórios, a construção de uma carta de demandas entregue a autoridades e a distribuição da cartilha ABC das COPs, que tem servido como subsídio formativo em comunidades da Amazônia. 

Melillo Dinis, consultor jurídico da REPAM-Brasil e da CNBB, reforçou que a diversidade de povos, territórios e lideranças reunidos expressa a concretude da ação da REPAM, que tem territorializado e dado visibilidade às lutas locais. Ele enfatizou que Belém não deve ser apenas palco de negociações internacionais, mas espaço de protagonismo amazônico. 

Entre as contribuições dos parceiros, esteve em evidência a pastoral da educação, que recordou a necessidade de compreender a educação como processo coletivo, ligado à justiça climática de gênero e racial, em que todos ensinam e aprendem uns com os outros. Também foram destacados os sete pontos da REPAM, a urgência de olhar para a questão hídrica, a preservação dos mananciais e o direito à água tratada, lembrando situações concretas como a crise vivida em municípios amazônicos — a exemplo de Afuá (PA), onde a escassez de água potável expõe a contradição de viver sobre rios e, ainda assim, enfrentar a falta de acesso à água limpa. 

Como encaminhamento, a REPAM-Brasil propôs a realização de mais três encontros de formação até novembro — um em setembro e dois em outubro — intercalados pela produção de boletins formativos com textos e subsídios sobre os temas levantados. A proposta é fortalecer uma preparação contínua, que permita que os participantes cheguem à COP30 com segurança e subsídios para serem porta-vozes das vozes amazônicas. 

O encontro reafirmou a missão da REPAM-Brasil de articular povos e comunidades na defesa da vida, transformando a COP30 em uma oportunidade histórica para reafirmar a justiça climática, a ecologia integral e o direito à água e à dignidade dos povos da Amazônia. 

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