No dia 15 de setembro, a Articulação Igreja Rumo à COP30 realizou sua Reunião Ampliada em formato híbrido, no Centro Cultural da CNBB e via Zoom, reunindo representantes de diferentes regiões do Brasil para discutir estratégias e preparar a participação da Igreja na COP30. O encontro buscou articular a sociedade civil, movimentos de diversas religiões e comunidades tradicionais em torno da justiça climática, da paz e do cuidado com os territórios amazônicos.
A REPAM esteve presente de forma destacada: presencialmente, representada por Irmã Irene Lopes, Melillo Dinis e Ivete Caixeta; e no formato online, por Arlete Gomes, Camila Del Nero, Eduardo Soares, Joana Meneses e Mayara Lima.
A programação iniciou às 8h30 com acolhida e oração de abertura, seguida da análise de conjuntura pelo painelista Aurélio Viana. Ele contextualizou a importância histórica das COPs e destacou como a agenda ambiental foi se ampliando desde o pós-Segunda Guerra Mundial, com a criação das instituições multilaterais e a institucionalização da pauta ambiental na Rio 92, reconhecendo direitos territoriais indígenas e quilombolas e fortalecendo a proteção das florestas. Aurélio lembrou que somente após a COP de Paris (2015) os direitos territoriais passaram a ser efetivamente reconhecidos como fundamentais no combate às mudanças climáticas.
O painel também trouxe uma análise da situação global atual, marcada por guerras, intolerância e fragilização das instituições multilaterais, apontando desafios concretos para a COP30, como financiamento climático, transição energética e renovação das metas nacionais de redução de emissões (NDCs). Apesar das expectativas modestas de avanços formais, ressaltou-se que a articulação das redes da sociedade civil é estratégica para os próximos passos.
O protagonismo dos movimentos indígenas e quilombolas foi destacado como elemento central da luta contra as mudanças climáticas, com a criação de NDCs próprias e a valorização da proteção territorial e da autonomia financeira como caminho para a paz. Também foi discutido o papel das igrejas e do diálogo inter-religioso, ressaltando a responsabilidade religiosa não apenas na dimensão espiritual, mas também no cuidado com a “casa comum” e na articulação de políticas de justiça ambiental e social.
Após a pausa para almoço, os participantes discutiram a presença da Igreja do Brasil durante a COP30 e as propostas de campanha de comunicação para o período, reforçando a importância de ações integradas e articuladas entre diferentes níveis de atuação, incluindo processos locais, nacionais e internacionais.
A reunião seguiu com grupos de discussão menores, guiados por três perguntas centrais:
- Quais foram os destaques, inovações e elementos significativos do processo da Articulação Igreja Rumo à COP30 desde 2023?
- Quais devem ser as prioridades para o pós-COP, considerando a articulação intraeclesial, intereclesial e com a sociedade civil?
- Como podemos fortalecer ainda mais o cuidado com a casa comum?
Os debates em subgrupos permitiram troca de experiências, escuta ativa e sistematização de contribuições, que serão encaminhadas à coordenação geral da Articulação, composta por membros de diferentes organizações e comissões da CNBB, orientando os próximos passos do trabalho.
A Reunião Ampliada reafirmou a COP30 como um espaço estratégico para fortalecer alianças entre Igreja, sociedade civil e movimentos sociais, promovendo justiça climática, reconhecimento de direitos territoriais e cuidado integral com a Amazônia. O encontro também destacou a necessidade de enfrentar o fundamentalismo e a crise da multilateralidade, mantendo a mobilização e a articulação contínua para a construção de uma agenda de paz, justiça social e ambiental.

