A campanha “Água na Moringa: da semente à água — saberes que salvam”, lançada pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) durante a Semana Mundial da Água, tem como objetivo promover, incentivar e disseminar o cultivo da Moringa Oleifera1 na Amazônia, oferecendo alternativas sustentáveis e comunitárias para famílias sem acesso à água potável. Três comunidades foram priorizadas: Santana (MA), Gurupá (PA) e Afuá (PA), municípios em que muitas famílias enfrentam diariamente o desafio de obter água limpa. É com alegria que compartilhamos os primeiros movimentos desta campanha nos territórios.
Nos impressiona como a força coletiva floresce junto com a Moringa — planta de uso múltiplo, reconhecida pelo poder de clarificação da água e pelo símbolo de esperança que desperta nas comunidades locais que necessitam de água limpa. Por ser ainda pouco conhecida nestes municípios, a curiosidade das famílias sinaliza um caminho de aprendizado contínuo, e asseguramos enquanto rede que outras publicações acompanharão o crescimento da planta nas comunidades. Cada comunidade desenvolveu sua própria dinâmica formativa, começando pelo estudo do solo e pela descoberta da origem da Moringa.
Santana (MA): preparando o solo para a esperança

Participantes do encontro formativo da ONARMA em Santana (MA), estudando o solo para o cultivo da moringa.
No dia 13 de setembro, a ONG Amigos do Rio Magu – ONARMA promoveu um encontro formativo sobre o cultivo da Moringa. O estudo do solo confirmou que Santana possui condições ideais para a planta, e agora a comunidade avança na estruturação do canteiro.

Gurupá (PA): Diálogo formativo e viveiros comunitários
As Mulheres ribeirinhas do Distrito do Itatupã, em Gurupá (PA), participaram de um diálogo formativo sobre a Moringa no dia 25 de setembro. A oficina, realizada pela Associação de Mulheres Ribeirinhas de Gurupá, em parceria com a REPAM – Brasil, teve como objetivo a implantação de um sistema de uma planta com múltiplos usos na alimentação humana e tratamento de água — um desafio diário para a vida ribeirinha.

A ação, pioneira no município, contou com o apoio técnico de Fábio dos Santos Muniz, diretor dos Povos Tradicionais e Ribeirinhos da prefeitura local. O resultado foi a criação de viveiros comunitários, fortalecendo o cultivo da planta como aliada na clarificação da água e na construção de alternativas sustentáveis para territórios com acesso limitado à água potável.
Afuá (PA): educação e autonomia em prática
Em Afuá (PA), o Instituto de Educação Amazônia Pará – IEAP realizou, no dia 27 de setembro, um encontro com cerca de 40 estudantes e lideranças do Projeto Guardiões Ambientais. A manhã formativo de acordo com os participantes foi marcada por aprendizado, descobertas, troca de experiências e fortalecimento da autonomia comunitária, motivando o grupo a iniciar o cultivo da planta em suas comunidades.
Aldenice Monteiro ressalta que a Moringa é, acima de tudo, um símbolo vivo de resistência, sabedoria e esperança, cultivada pelas mãos das pessoas que cuidam e preservam a Amazônia.


Semeando futuro, esperança e transformação

REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica
Nesse caminhar junto aos povos, a REPAM-Brasil reafirma seu compromisso social e eclesial, atuando como uma rede de vida que escuta, acompanha e fortalece as comunidades da Amazônia. Inspirada nos ensinamentos da Encíclica Laudato Si’, que nos lembra da responsabilidade de cuidar da casa comum, e nas orientações de Querida Amazônia, que destaca a importância de ouvir e proteger os povos e territórios da região, a REPAM reconhece que a água potável é um direito humano fundamental. A defesa desse direito se entrelaça com a missão da Rede de promover solidariedade, cuidado e justiça socioambiental, cultivando esperança, dignidade e vida plena para todos os povos da nossa Querida Amazônia.
1A Moringa oleifera Lamarck (MO) é uma planta da família das Moringaceae, nativa dos Himalaias e que
se adaptou nos diversos continentes, sendo amplamente cultivada na Ásia, África e Américas. De
crescimento rápido, a planta toda tem uma grande variedade de aplicações na dieta e na medicina popular.
Devido suas propriedades de flotação e ação antimicrobiana, as sementes têm sido utilizadas na purificação
da água. Trata-se de um método de baixo custo, que faz uso de recursos naturais e de fácil manuseio, que
pode oferecer qualidade na água das comunidades pobres. As sementes podem adsorver poluentes como
herbicidas, metais pesados, medicamentos e atuar como larvicidas e antimicrobianos natural.
scielo.br/j/abc/a/9ppZsNnmptdcf3vP97dr5LL/?format=pdf&lang=pt

