No dia 9 de outubro de 2025, a REPAM-Brasil promoveu um encontro com o especialista João Pedro Ramalho, militante do Fórum Social Pan-Amazônico e pesquisador do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, para discutir financiamentos florestais e multiescalares, com foco na proteção da Amazônia e no papel das negociações internacionais na COP30.
Durante a reunião, João Pedro destacou que a crise climática é sistêmica, resultado da exploração predatória da natureza, afetando diretamente os modos de vida tradicionais da região amazônica. O debate trouxe à tona os riscos da redução da crise climática à meta de “zerar emissões líquidas”, que pode transferir o ônus para povos e territórios tradicionais, sem garantir soluções efetivas.
Entre os temas abordados, o especialista analisou a evolução histórica do financiamento ambiental, desde os grandes fundos globais da Rio-92 até a crescente participação do capital privado, ressaltando os desafios e contradições do atual modelo de financiamento, incluindo o Fundo de Financiamento das Florestas Tropicais (TFFF). Embora a iniciativa vise remunerar países por hectares de floresta em pé, há críticas sobre a eficácia e a falta de acesso direto às comunidades locais.
A Professora Márcia trouxe sua análise sobre a convivência com os biomas, destacando a importância de valorizar práticas sustentáveis que respeitem o equilíbrio ecológico e os modos de vida tradicionais. Ela reforçou que iniciativas locais, como sistemas agroflorestais e modelos de bem viver, já demonstram soluções eficazes para o desenvolvimento sustentável e devem ser fortalecidas por políticas públicas e financiamento adequado.
O encontro também refletiu sobre a importância da mobilização social, da valorização dos modos de vida amazônicos e do engajamento da juventude na construção de alternativas sustentáveis. Destacou-se a necessidade de fortalecer o protagonismo do Estado e garantir que os recursos de financiamento beneficiem diretamente as florestas e suas comunidades.
O próximo encontro foi agendado para 23 de outubro e abordará transição energética justa e contribuições do Brasil para as metas climáticas globais (NDCs).
A REPAM-Brasil reafirma seu compromisso com a Amazônia, a defesa da vida e a promoção de soluções ambientais justas e sustentáveis, fortalecendo a participação ativa das comunidades locais e dos povos indígenas nas negociações internacionais.

