Durante a COP30, em Belém (PA), a REPAM-Brasil promoveu a mesa “Ecos da Amazônia: Verdadeiras Soluções que Nascem dos Povos das Florestas e das Águas”, um espaço de escuta e partilha que reuniu representantes dos regionais da CNBB na Amazônia Legal, lideranças comunitárias e organizações sociais. A atividade foi coordenada por Arlete Gomes, coordenadora de projetos da REPAM-Brasil, e teve início com a lembrança da carta dos povos da Amazônia, entregue a um dos enviados da Conferência, reafirmando o compromisso com a defesa da vida, da floresta e das águas.
O encontro foi conduzido como uma ressonância do chão amazônico, conectando os grandes desafios e sinais de resistência que emergem dos territórios. Participaram representantes de diversos regionais da Amazônia, expressando a diversidade geográfica, cultural e espiritual do bioma: Samuel Reis (Norte 3), Irmã Maria Augusta (Noroeste – Acre), Miguelina Martinha (Oeste 2), George Lucas (Centro de Referência de Direitos Humanos do Marajó), Adriano Karipuna (Noroeste – Rondônia) e Áurea Aguiar (Nordeste 5).

Entre os relatos marcantes, Irmã Augusta, de Rio Branco (AC), apresentou o trabalho desenvolvido junto às comunidades ribeirinhas, seringueiras e extrativistas do Acre — onde a proposta dos empates idealizada por Chico Mendes segue inspirando novas gerações na defesa das florestas em pé e na construção da ecologia integral. Ela destacou a formação de 22 jovens agentes ambientais, atuantes em escolas, movimentos e pastorais, promovendo práticas sustentáveis e mudanças de estilo de vida, como a eliminação do plástico e a compostagem, aliadas à participação nos conselhos e políticas públicas locais.
Da mesma forma, Miguelina Martinha, liderança do Mato Grosso, emocionou o público ao relembrar sua trajetória de resistência como mulher indígena e negra, marcada pela luta por terra, moradia e dignidade. Em seu depoimento, ela reforçou a força feminina nas comunidades tradicionais — “a mulher que gera a vida, a criança que é sagrada, e o idoso que guarda a sabedoria” — e denunciou o avanço do agronegócio e da violência no campo, destacando o aumento dos conflitos e feminicídios no estado. Miguelina também apresentou as alternativas de economia solidária e agroecologia construídas em parceria com universidades e Cáritas, que hoje garantem sustento e autonomia às comunidades rurais.
A plenária seguiu como um processo coletivo de escuta e mobilização, em que as lideranças compartilharam experiências de resistência e de construção do bem viver. As falas ecoaram a espiritualidade da Querida Amazônia e o chamado do Papa Francisco à conversão ecológica, reafirmando que as verdadeiras soluções para a crise climática nascem do cuidado, da presença e da escuta dos povos da floresta e das águas.
“Flui o trabalho quando acontece essa realidade: escuta e presença no território”, destacou Irmã Augusta, resumindo o espírito da mesa.

