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A REPAM-Brasil esteve representada ontem por Ivete Caixeita na sessão “Carta do Sul Global: Um Apelo para a Justiça Climática”, realizada na Zona Azul da COP30. O encontro marcou a apresentação conjunta de três cardeais da Igreja Católica provenientes de diferentes regiões do Sul Global — América Latina, África, Ásia e Oceania — que reafirmaram a urgência de colocar as vozes dos povos mais vulneráveis no centro das negociações climáticas. 

O documento destaca que a crise ambiental e a crise social são inseparáveis, exigindo respostas baseadas em justiça, solidariedade e responsabilidade histórica. Os cardeais chamaram atenção para um cenário crescente de conflitos, pobreza, eventos climáticos extremos e novas formas de exploração econômica — realidades muitas vezes invisibilizadas pelo noticiário internacional. 

Entre os exemplos citados estão as enchentes inéditas no Brasil, secas e inundações graves no Chade e no Quênia, e a degradação contínua de territórios em todo o mundo. No continente africano, o cardeal Fridolin Ambongo, da República Democrática do Congo, alertou para os impactos devastadores da exploração mineral controlada por grupos armados: se esse ciclo de violência e espoliação continuar, “o continente pode entrar em colapso — e a paz será a primeira a desaparecer”. 

A Carta do Sul Global reforça que povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais devem ocupar papel decisivo na formulação das soluções, recordando a visão da ecologia integral: tudo está conectado — biodiversidade, pobreza, migrações, conflitos e paz. Essa perspectiva amplia a compreensão de que respostas efetivas ao colapso climático precisam nascer dos territórios e valorizar a sabedoria dos povos. 

Apesar dos desafios, os cardeais também apresentaram sinais de esperança vindos da Ásia, onde comunidades têm impulsionado iniciativas de reflorestamento, recuperação de manguezais, educação ecológica e ações inter-religiosas. Para eles, a verdadeira transformação nasce das bases e é sustentada pela fraternidade humana. 

Inspirada pela Laudato Si’ e pela Laudate Deum, a Igreja reafirma seu papel profético e o chamado para “cuidar e guardar” a criação como dom comum. A Carta sublinha que os pobres não são apenas vítimas — são protagonistas da mudança, e que um multilateralismo realmente transformador só é possível quando há escuta das comunidades e construção de processos de baixo para cima. 

A presença da Igreja na COP30 reafirma esse compromisso: garantir que a transição energética e as decisões globais sejam conduzidas com justiça, verdade e inclusão, para que as próximas gerações possam herdar um planeta habitável e em paz. 

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