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No marco da COP30, em Belém do Pará, a REPAM participou do debate “A vida depende de um fio: Adaptação, Mitigação e Transição Energética Justa, Transparência e Responsabilidade no Sul Global”, um encontro que reuniu vozes de três continentes para denunciar a gravidade da crise climática e reafirmar o compromisso ético e profético da Igreja com a defesa da vida e dos territórios. O evento, realizado na Zona Verde, no Pavilhão da OEI, contou com a presença de Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB; o Cardeal Fridolin Ambongo (SECAM); o Cardeal Felipe Neri Ferrao (FABC); o Cardeal Pedro Barreto (CEAMA); Valquíria Lima, de Cáritas ALC; e Óscar Elizalde, do CELAM. Juntos, ofereceram uma leitura profunda e realista sobre o momento histórico vivido pelos povos do Sul Global diante da emergência climática. 

O debate destacou que a crise atual não é apenas ambiental, mas humana, espiritual e ética. Ao refletirem sobre adaptação, mitigação e a urgência de uma transição energética justa, os participantes reforçaram que milhões de vidas seguem ameaçadas pelo avanço da destruição ambiental, pelo retrocesso de direitos e pela violência contra aqueles que defendem seus territórios. 

Em sua intervenção, Valquíria Lima enfatizou a centralidade da ação conjunta das igrejas neste momento decisivo e a urgência do compromisso com a vida: 

“É pra isso que estamos aqui hoje durante a COP30. Todas as igrejas — a Igreja do Sul Global, a Igreja do Brasil — nos preparamos muito para este processo de chegarmos até aqui. Estamos aqui para defender a vida em todos os sentidos. ‘A vida por um fio’ é um chamado, é o que nos convoca a nos comprometer cada vez mais, para afirmarmos concretamente que temos respostas à agenda climática e que vamos assumir essa agenda, assumindo a defesa da vida em todos os sentidos. Porque, sem colocar a agenda climática no centro da nossa vida, é muito difícil pensar um futuro. As COPs existem para isso: para estarmos aqui, apresentarmos nossas posições, nossas propostas e nossas experiências aos governos. Este é o nosso chamado para responder às mudanças climáticas.” 

A fala de Valquíria reforçou que assumir a agenda climática é, antes de tudo, assumir o compromisso com a sobrevivência dos povos e da Casa Comum, reconhecendo que o tempo disponível para agir está se esgotando. 

Na mesma direção, Dom Jaime Spengler recordou a gravidade do momento e a responsabilidade da Igreja diante da violência que recai sobre os defensores da vida nos territórios: 

“Em dezembro de 2024, o CELAM lançou, junto à sala de imprensa do Vaticano, uma campanha denominada ‘Vida por um Fio’, e realmente a vida de tantas lideranças nossas, nos interiores da América Latina e do Caribe — mas não só; também em outros continentes — está por um fio. Aqueles homens e aquelas mulheres que, junto às suas comunidades, se empenham por defender os direitos dos povos e dos contextos em que vivem, muitas vezes pagam com a própria vida. Derramam sangue pela causa da vida. Eu diria: são os nossos mártires modernos. E nós, como Igreja do Sul Global, alçamos as nossas vozes em defesa dessa gente. São nossos irmãos e irmãs de pé, que procuram lançar sementes do Reino lá onde se encontram.” 

As falas dos participantes reforçaram que a crise climática atravessa diretamente a realidade das comunidades que há séculos protegem florestas, águas e territórios. A violência dirigida a lideranças e defensores ambientais evidência que a discussão climática não pode ser separada da defesa dos direitos humanos, da democracia e da justiça socioambiental. 

O encontro evidenciou, ainda, a força da articulação entre América Latina, África e Ásia, regiões que compartilham vulnerabilidades comuns, mas também uma profunda capacidade de esperança, resistência e construção de alternativas. Ao reunir essas vozes na COP30, o painel reafirmou que a resposta à crise climática só será legítima se nascer dos territórios, das comunidades que resistem e das alianças construídas no chão da realidade. 

A REPAM, ao integrar este diálogo plural, reafirma seu compromisso permanente com a defesa da Amazônia e com a promoção da ecologia integral, lembrando que a vida — ameaçada, frágil e urgente — segue nos chamando a agir com coragem e responsabilidade. 

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