Na terça-feira (18/11), a REPAM-Brasil participou da Palestra “Menire – as mulheres do povo Mẽbêngôkre-Kayapó: Resistência, Luta e Esperança da Floresta”, realizada na sede da CNBB – Regional Norte II (Pará e Amapá), em Belém.





O encontro reuniu lideranças, anciãs e jovens dos povos Mẽbêngôkre-Kayapó, Yudjá e Trumai, em um espaço de escuta, afirmação de direitos e fortalecimento do protagonismo das mulheres indígenas na defesa dos territórios e na governança da floresta.
Ao longo da atividade, as mulheres compartilharam suas trajetórias de organização, incidência e resistência – desde a vida cotidiana na aldeia até a participação em decisões políticas. Seus relatos evidenciaram como o trabalho comunitário feminino é central para a proteção da biodiversidade, dos rios, das roças, para o manejo do fogo e para a manutenção da floresta em pé.
As falas também abordaram os impactos das mudanças climáticas nos corpos e nas vidas das mulheres e reafirmaram que os territórios que elas cuidam — mais de 12,9 milhões de hectares contínuos no bloco de Terras Indígenas Mẽbêngôkre, dentro do Corredor de Sociobiodiversidade do Xingu — representam uma parte essencial da cura da crise climática. São áreas que estocam carbono, preservam modos de vida e prestam serviços ambientais fundamentais para toda a humanidade.
A REPAM-Brasil esteve presente reforçando sua missão de articulação e compromisso com a defesa da vida, a proteção da Casa Comum e o reconhecimento do papel estratégico das mulheres indígenas na construção de soluções para a crise climática.
O recado conjunto deixado ao final da atividade foi firme e direto:
o financiamento climático precisa chegar na base, diretamente a quem cuida da floresta; e as organizações representativas devem garantir presença efetiva das mulheres nos espaços de decisão.
A REPAM-Brasil segue ao lado dos povos indígenas, somando forças para que suas vozes, saberes e lutas continuem iluminando novos caminhos de justiça socioambiental na Amazônia.

