Notícia

A REPAM realizou, nesta manhã, uma visita à comunidade do Rio Tauá, no município de Itauá, para dialogar com as mulheres pescadoras que vivem da pesca artesanal às margens do rio. A atividade faz parte do compromisso da Repam de fortalecer a escuta territorial e de acompanhar as violações socioambientais que atingem povos e comunidades tradicionais da Amazônia.

À beira do rio Tauá — um território de águas abundantes, beleza singular e forte tradição pesqueira — as mulheres relataram suas preocupações diante da iminente perfuração de petróleo na Foz do Amazonas. O avanço desse projeto ameaça diretamente modos de vida centenários, ecossistemas frágeis e a economia comunitária baseada na pesca artesanal.

Arlete Gomes, coordenadora de projetos da REPAM-Brasil e representante da Rede na atividade, destacou:

“Se vier a perfuração de petróleo na Foz do Amazonas, as mulheres, as famílias e todo o território pesqueiro serão afetados. Hoje estamos aqui para escutar, para dialogar e para somar força na luta pela justiça climática.”

A visita incluiu também a apresentação do projeto Água na Moringa, planta de múltiplo uso que poderá contribuir para a segurança hídrica e alimentar da comunidade. A iniciativa faz parte do compromisso da REPAM de apoiar práticas sustentáveis, fortalecer a autonomia local e promover caminhos de cuidado com a Casa Comum.

Denúncias da comunidade

Lideranças locais denunciaram impactos já sentidos e ameaças crescentes sobre o território.
Ana Alaíde Barbosa, pescadora e moradora da comunidade do Espírito Santo, quinta geração de uma família de pescadores, relatou:

“Eu estou aqui hoje para denunciar o petróleo na Foz do Amazonas. Este rio é a extensão da nossa casa. Meu pai, meu avô, meus bisavôs viveram da pesca aqui. E hoje a gente já sente o impacto dessa empresa no nosso território.”

A comunidade também denunciou venda ilegal de áreas de várzea, classificadas como áreas de preservação permanente. Moradores relataram que agentes externos, inclusive autoridades, estariam negociando terras protegidas para fins de especulação, antecipando ganhos futuros com a possível exploração de petróleo.

Um território histórico e ameaçado

Tauá é uma comunidade centenária, marcada pela memória dos Cabanos e pela forte presença da pesca artesanal. Nas décadas de 1980 e 1990, mais de 80 barcos de pesca à vela cortavam suas águas. Depois de décadas de impactos da indústria pesqueira, a comunidade está em processo de retomada e revitalização de seus pesqueiros — agora novamente ameaçados.

“Quando finalmente estamos revitalizando nossos espaços de pesca, surge essa nova ameaça. O licenciamento foi aprovado recentemente, e isso coloca todo nosso modo de vida em risco”, completou uma das lideranças.

Acompanhamento e incidência

A equipe da REPAM-Brasil também percorreu áreas onde há indícios de desmatamento e construção irregular, acompanhando denúncias de que estruturas estariam sendo erguidas em zonas proibidas. Esse monitoramento é essencial para dar visibilidade às violações e apoiar a mobilização comunitária.

Ao longo do dia, serão registradas imagens, vídeos e novos relatos da comunidade, reforçando o compromisso da Rede Eclesial Pan-Amazônica de agir ao lado dos povos da floresta, defender seus direitos e denunciar ameaças que violam a vida e os territórios amazônicos.

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