Notícia

Dados oficiais divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que o Brasil atingiu, em 2025, um novo recorde na liberação de agrotóxicos e defensivos biológicos. Ao todo, foram 912 registros aprovados, número 37% superior ao registrado em 2024, que já havia marcado o maior patamar da série histórica iniciada no ano 2000. 

O crescimento ocorre após uma breve interrupção da tendência de alta em 2023 e reacende alertas sobre os impactos do atual modelo de produção agrícola na saúde humana, no meio ambiente e nos territórios, especialmente aqueles habitados por povos indígenas, comunidades tradicionais e populações do campo, das florestas e das águas. 

Crescimento dos biológicos não reduz preocupações 

Entre os registros aprovados, 162 correspondem a defensivos biológicos, um aumento superior a 50% em relação a 2024. Esses produtos, desenvolvidos a partir de organismos vivos como vírus, insetos e hormônios, são considerados de menor risco ambiental. 

Ainda assim, o volume de agrotóxicos químicos segue elevado, incluindo a liberação de 25 novos produtos inéditos, além de centenas de produtos formulados e técnicos. Do total autorizado, 589 registros referem-se a produtos formulados — aqueles que chegam diretamente ao uso agrícola — e 323 a produtos técnicos, utilizados como matérias-primas na indústria de pesticidas. 

Segundo o próprio Mapa, parte significativa desses registros não chega a ser comercializada. Em 2024, 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos químicos e 13,6% dos ingredientes ativos não foram efetivamente vendidos. 

Como funciona a aprovação de agrotóxicos no Brasil 

A liberação de agrotóxicos no país depende da análise conjunta de três órgãos federais, sendo obrigatória a aprovação de todos eles: 

  • Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa): avalia a eficácia do produto no controle de pragas e doenças agrícolas, com base em estudos apresentados pelas empresas interessadas no registro. Para aprovação, é exigido um índice mínimo de eficácia de 70%. 
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): analisa os riscos à saúde humana, considerando efeitos agudos e crônicos sobre aplicadores, trabalhadores rurais e consumidores, além de definir os limites máximos de resíduos nos alimentos. 
  • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama): avalia os impactos ambientais dos produtos, incluindo sua persistência no solo, na água e no ar, bem como os efeitos sobre a fauna e os ecossistemas, classificando o grau de periculosidade ambiental. 

Para a REPAM, os dados reforçam a urgência de um debate público qualificado, com base no princípio da precaução, na transparência e na defesa da vida. O avanço contínuo da liberação de agrotóxicos impõe desafios diretos à saúde coletiva, à qualidade da água e do solo e aos direitos dos povos e comunidades que vivem e protegem os territórios. 

À luz da ecologia integral, torna-se cada vez mais necessário fortalecer políticas públicas que promovam a agroecologia, a soberania alimentar e modelos de produção que respeitem os limites da natureza e a dignidade humana. 

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *

Postar Comentário