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O Brasil registrou 23.919 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes em 2025, o que representa uma média alarmante de 66 desaparecimentos por dia, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O número indica um aumento de 8% em relação a 2024 e revela um cenário que exige atenção especial nos territórios amazônicos, onde desigualdades estruturais, fragilidade das políticas públicas e a proximidade com fronteiras internacionais ampliam riscos de violações graves de direitos humanos. 

Na Amazônia Legal, os dados chamam atenção pela concentração de casos em estados fronteiriços. Roraima apresenta a maior taxa do país, com 78,1 desaparecimentos por 100 mil habitantes, seguido por Rondônia (58,11), Mato Grosso (54,24), Amapá (50,59) e Acre (46,7). Esses números reforçam alertas de organizações sociais e pastorais sobre a relação entre desaparecimentos, tráfico de pessoas, exploração sexual e outras formas de violência, especialmente contra meninas e adolescentes. 

Do total de crianças e adolescentes desaparecidos em 2025, 61% são do sexo feminino, evidenciando um recorte de gênero que agrava ainda mais a situação. Embora a legislação brasileira, por meio da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas (Lei nº 13.812/2019), reconheça o desaparecimento como violação de direitos, especialistas apontam que a política ainda enfrenta dificuldades de implementação e de leitura qualificada das realidades regionais. 

Casos recentes, como o desaparecimento das crianças Ágatha Isabelly (6 anos) e Allan Michael (4 anos), no povoado São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal (MA), expõem de forma concreta a vulnerabilidade de comunidades rurais, ribeirinhas e periféricas da Amazônia. As buscas, que mobilizam forças locais e protocolos como o Amber Alert, evidenciam tanto a gravidade das situações quanto a necessidade de respostas mais rápidas, integradas e territorializadas. 

Diante desse cenário, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) acompanha com preocupação o avanço dos desaparecimentos de crianças e adolescentes na região, reafirmando que a proteção da infância é parte inseparável da defesa da vida, dos territórios e da dignidade humana na Amazônia. 

A REPAM diante do desafio da proteção integral da infância 

A REPAM atua nos territórios amazônicos a partir do compromisso com a ecologia integral, reconhecendo que a violência contra crianças está diretamente ligada a contextos de pobreza, ausência do Estado, desestruturação comunitária e avanço de redes criminosas transnacionais. Nesse sentido, o fortalecimento das políticas de proteção, da escuta comunitária e da articulação entre Igreja, organizações sociais e poder público é fundamental para prevenir desaparecimentos e combater o tráfico humano. 

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