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Atuação em seis estados evidencia avanço de iniciativas comunitárias, protagonismo feminino e articulação rumo à COP30

A REPAM-Brasil (Rede Eclesial Pan-Amazônica) alcançou diretamente 2.093 pessoas em 2025, por meio de iniciativas territoriais voltadas à justiça socioambiental, fortalecimento comunitário e incidência política na Amazônia. Os dados fazem parte da sistematização de resultados da Rede, construída a partir da metodologia de Colheita de Resultados, que avalia mudanças concretas na vida das comunidades.

A atuação se deu em seis estados da Amazônia brasileira (Pará, Maranhão, Tocantins, Acre, Roraima e Amazonas), com presença em mais de 15 territórios, incluindo comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e rurais.

Entre os principais destaques está o fortalecimento do protagonismo feminino em iniciativas produtivas, ambientais e políticas. Em Gurupá e Afuá (PA), por exemplo, 54 mulheres ribeirinhas participaram do cultivo de moringa, com a criação de canteiros comunitários e a distribuição de 500 mudas, ampliando o acesso a práticas sustentáveis de cuidado com a água e alimentação.

No Maranhão, ações de formação e geração de renda envolveram 30 mulheres capacitadas em produção artesanal e mobilizaram 400 famílias agricultoras, com resultados que incluem maior organização territorial, acesso a políticas públicas e fortalecimento da agroecologia.

A atuação da REPAM também avançou na incidência política e na agenda climática, especialmente no contexto preparatório para a COP30, que será realizada em Belém. Em Afuá (PA), uma conferência ambiental reuniu 70 participantes, fortalecendo a organização comunitária e a construção de propostas territoriais. Já em Marabá (PA), um seminário com 88 lideranças resultou na definição de estratégias de incidência e na ampliação da consciência sobre os impactos das mudanças climáticas.

Em Araguaína (TO), comunidades urbanas e rurais elaboraram coletivamente uma carta de demandas socioambientais, direcionada a diferentes esferas do poder público, reforçando a participação social no debate climático.

Outro eixo estratégico foi o fortalecimento de juventudes e povos originários. A Rede apoiou a realização de encontros que reuniram 60 jovens indígenas no Pará e Amapá e 100 mulheres indígenas na Terra Indígena Sororó, ampliando a articulação, a visibilidade e o protagonismo desses grupos na defesa de seus territórios.

Além disso, eventos culturais e formativos mobilizaram centenas de participantes, como o Festival de Cultura Indígena do Eware, que reuniu cerca de 500 pessoas, promovendo a valorização cultural e a conscientização sobre água e mudanças climáticas.

Segundo a REPAM, os resultados demonstram que a transformação nos territórios não se limita às ações realizadas, mas se expressa em mudanças concretas, como o fortalecimento da organização comunitária, o aumento do acesso a direitos, a geração de renda e a ampliação da consciência política e ambiental.

A metodologia de Colheita de Resultados adotada pela Rede parte do princípio de que avaliar é compreender o que mudou na vida das pessoas e comunidades, evidenciando processos de transformação ao longo do tempo, e não apenas a execução de atividades.

Em um cenário de agravamento da crise climática, a atuação da REPAM reforça o papel estratégico dos territórios amazônicos na construção de soluções sustentáveis e na incidência política global, especialmente diante dos debates que se intensificam rumo à COP30.

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