Notícia

Imersão na realidade amazônica e leitura de carta da Secretaria da REPAM-Brasil marcam o encerramento do encontro, reafirmando o protagonismo das mulheres na defesa da vida e dos territórios

O Encontro das Mulheres Cirandeiras, realizado em Santarém (PA), foi encerrado no dia 28 de março com um momento profundo de reflexão, espiritualidade e compromisso com os territórios amazônicos. A programação final foi dedicada à imersão na realidade amazônica e ao fortalecimento da missão das Cirandeiras junto às mulheres da região, culminando na construção de seus planos de ação.

A atividade reafirmou o papel das mulheres como protagonistas na defesa da vida, dos direitos e dos territórios, fortalecendo processos de organização em rede, escuta e incidência. Em meio aos desafios enfrentados na Amazônia, o encontro se consolidou como um espaço de partilha, resistência e esperança ativa.

Um dos momentos mais marcantes do encerramento foi a leitura da carta da Secretaria Executiva da REPAM-Brasil às Cirandeiras, realizada por Arlete Gomes, trazendo palavras de reconhecimento, incentivo e compromisso institucional com a caminhada das mulheres amazônicas.


Carta da Secretaria da REPAM-Brasil às Mulheres Cirandeiras

Queridas mulheres, cirandeiras,

Recebam nosso abraço fraterno, cheio de respeito, admiração e compromisso.

Unimo-nos a vocês neste tempo de encontro e resistência, reconhecendo que é dos territórios e das águas que brota a força que sustenta a vida na Amazônia.

O Encontro das Mulheres Cirandeiras, em Santarém, é um sinal profundamente profético. Em meio a ameaças e violações de direitos, a presença e a organização de vocês expressam resistência, denúncia e anúncio de novos caminhos.

Inspiradas pela mística — “Direitos, Justiça e Ação brotam da Terra e das Águas” — reafirmamos que a defesa da vida é inseparável da justiça socioambiental. Como recorda o Papa Francisco em Laudato Si’, vivemos uma única e complexa crise socioambiental (LS 139).

Sabemos que somos nós, mulheres, que sustentam a vida, guardam os saberes e enfrentam, com coragem, as múltiplas violências. Como reconhece Querida Amazônia, são mulheres que defendem com heroísmo a terra e os povos (QA 8).

Como REPAM-Brasil, reafirmamos nosso compromisso de caminhar com vocês na incidência política, na denúncia das injustiças e na defesa dos territórios e dos direitos dos povos amazônicos.

Que este seja um tempo de fortalecimento, coragem e esperança ativa.

Como vocês nos ensinam: quando uma mulher se levanta, a vida se levanta com ela.

Com firmeza profética e compromisso,


O encerramento do encontro deixa como marca o fortalecimento das Cirandeiras como sujeito coletivo de transformação, reafirmando a importância do protagonismo das mulheres na construção de alternativas que nascem dos territórios, da espiritualidade e da defesa da vida na Amazônia.

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *

Postar Comentário