O Papa Leão XIV nomeou o pesquisador brasileiro Carlos Nobre como membro do dicastério responsável pelo Desenvolvimento Humano Integral no Vaticano. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (30) e integra uma série de nomeações para o organismo da Cúria Romana que atua em temas sociais, ambientais e de justiça global.
Reconhecido internacionalmente por suas pesquisas sobre mudanças climáticas e seus impactos na Amazônia, Carlos Nobre é o único brasileiro entre os novos conselheiros. Sua trajetória científica contribuiu para consolidar o debate climático no cenário global e também dentro da Igreja, especialmente após sua participação no Sínodo da Amazônia, em 2019, quando esteve com o Papa Francisco.
Ao comentar a nomeação, Nobre destacou a urgência do momento:
“Estamos vivendo uma emergência climática que coloca todos nós em risco. O que está em jogo é o futuro da humanidade. Fico muito feliz em ver a mobilização da Igreja para incluir o meio ambiente nesse conselho e honrado por ter sido escolhido.”
A presença de Nobre no dicastério reforça a crescente articulação entre ciência, fé e justiça socioambiental — um caminho que tem sido fortalecido pela Igreja, especialmente a partir da encíclica Laudato Si’ e dos compromissos assumidos com os povos e territórios amazônicos.
Referência global sobre a Amazônia
Engenheiro eletrônico formado pelo ITA e doutor em meteorologia pelo MIT, Carlos Nobre construiu uma carreira dedicada ao estudo da Amazônia e das mudanças climáticas. Foi um dos primeiros cientistas a alertar para o risco de “savanização” da floresta, fenômeno associado ao desmatamento e ao aquecimento global.
Com atuação destacada no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e no Instituto de Estudos Avançados da USP, Nobre tornou-se uma das principais vozes na defesa da floresta e na produção de conhecimento científico voltado à preservação ambiental.
Em 2022, foi eleito membro da Royal Society, uma das mais prestigiadas academias científicas do mundo — sendo o primeiro brasileiro a receber o título em mais de um século.
Igreja, ciência e cuidado com a Casa Comum
A nomeação sinaliza o fortalecimento do compromisso da Igreja com a agenda climática e com o cuidado da Casa Comum. Para a REPAM-Brasil, iniciativas como essa reafirmam a importância do diálogo entre saberes científicos e os conhecimentos dos povos da Amazônia, na construção de caminhos de justiça, cuidado e defesa da vida.
A presença de vozes comprometidas com a Amazônia em espaços de decisão internacional é um passo fundamental diante dos desafios impostos pela crise climática e pelas ameaças aos territórios e povos da região.

