Entre os dias 16 e 19 de julho, acontece a 19ª edição da Romaria da Floresta, no município de Anapu (PA), reunindo comunidades, lideranças e organizações em um caminho de fé, memória e compromisso com a vida e a defesa da Amazônia.
A caminhada tem início no Centro São Rafael, às margens do Rio Anapu — local onde está plantada a memória viva de Irmã Dorothy Stang — e segue até o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança, território onde ela foi assassinada em 2005 por sua incansável luta em defesa da floresta e dos povos da terra.
Realizada desde 2006, a Romaria nasceu do desejo coletivo do povo de manter viva a luta e afirmar, com coragem, que não há medo diante das injustiças. É um testemunho público de que a defesa da vida, da terra e da floresta continua, mesmo diante das violências. Apenas durante os anos da pandemia de Covid-19 a caminhada foi interrompida, sendo retomada com ainda mais força nos anos seguintes.
A cada edição, um tema orienta a reflexão e fortalece o compromisso das comunidades antes, durante e após a Romaria. Em 2026, o tema escolhido é:
“Nossas Lutas, Conquistas e Memórias”, com o lema:
“União da Sociedade Organizada em Defesa da Vida e da Casa Comum”.
Segundo Ir. Katia, a Romaria também se constrói como um espaço de diálogo e conscientização sobre temas urgentes que atravessam os territórios:
“Nosso objetivo com a Romaria é gerar conversa sobre os temas. Este ano está se desenhando que será sobre os agrotóxicos. Estamos vendo uma variedade de maneiras de fazer isso.”
Ela também destaca o crescimento e o protagonismo da juventude na caminhada:
“O impressionante é que a participação da juventude vem crescendo. É um momento onde eles mesmos dizem: vivemos algo na romaria que queremos levar para a vida — partilha, companheirismo, cuidado um do outro, respeito e atenção ao meio ambiente.”
A proposta deste ano convida à memória das conquistas já alcançadas, ao reconhecimento das lutas históricas e ao fortalecimento da organização coletiva como caminho para enfrentar os desafios atuais. Em todo esse processo, um sentimento atravessa e sustenta a caminhada: o “esperançar” — uma esperança ativa, que se traduz em ação, resistência e compromisso com o futuro.
Inspirada pela força da Páscoa, a Romaria da Floresta também é sinal de ressurreição: da vida que vence a morte, da esperança que supera o medo e da luz que resiste em meio às sombras. Assim como a Amazônia segue viva e pulsante, os povos que nela habitam continuam se levantando, organizando-se e reafirmando seu papel como guardiões da Casa Comum.
Cada passo da Romaria é expressão de fé que caminha, memória que resiste e luta que floresce nos territórios.
A REPAM-Brasil se une a este momento, reafirmando seu compromisso com os povos amazônicos e com a construção de caminhos de justiça socioambiental.
Vem caminhar conosco. A esperança já está em marcha.

