Notícia

Um relatório da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) revelou que 13 terras indígenas concentraram 51% de todo o desmatamento registrado em territórios monitorados na Amazônia Legal durante 2025. O dado evidencia que, apesar da redução geral dos índices de devastação, a pressão sobre áreas indígenas estratégicas segue intensa, impulsionada pelo avanço do garimpo, da extração ilegal de madeira, da agropecuária e da ocupação irregular de terras públicas.

Segundo o levantamento, a área total afetada por diferentes formas de destruição da floresta chegou a 81,7 mil hectares em 2025, considerando corte raso, degradação florestal e danos em áreas de regeneração. O número representa uma queda de 36% em relação a 2024, quando foram registrados 128 mil hectares devastados.

Entre os territórios mais impactados estão as terras indígenas Sararé, Kayapó, Cachoeira Seca, Munduruku, Raposa Serra do Sol e Alto Rio Negro, localizadas principalmente nos estados do Pará, Mato Grosso, Maranhão, Amazonas e Roraima, regiões inseridas no chamado “arco do desmatamento”.

O relatório também aponta que o corte raso, modalidade mais agressiva de devastação, atingiu mais de 30 mil hectares em 2025. Embora seja o menor índice da série histórica iniciada em 2016, a devastação continua concentrada em áreas sob forte pressão criminosa e econômica.

Além do desmatamento, o documento alerta para o avanço das queimadas. Em 2025, 195 terras indígenas da Amazônia Legal foram atingidas pelo fogo. Seis territórios responderam por metade da área queimada registrada no período, entre eles Parque do Araguaia, Raposa Serra do Sol e Parque do Tumucumaque.

Os dados reforçam a importância da proteção dos territórios indígenas como estratégia fundamental para o enfrentamento da crise climática e da destruição da Amazônia. Diversos estudos já demonstraram que as terras indígenas estão entre as áreas mais preservadas do bioma amazônico e exercem papel essencial na manutenção da biodiversidade, dos ciclos da água e do equilíbrio climático.

O cenário também evidencia a urgência de fortalecer políticas públicas de fiscalização, proteção territorial e garantia dos direitos dos povos indígenas, especialmente em regiões marcadas pela expansão ilegal de atividades econômicas predatórias.

Para a REPAM-Brasil, defender os territórios indígenas é defender a vida, a floresta e o futuro comum da Amazônia.

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