A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) manifesta preocupação diante do avanço do Projeto de Lei nº 2486/2026, que propõe a redução da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no Pará, e amplia a criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) em regiões já pressionadas pelo desmatamento, pela grilagem e pela mineração.
A preocupação é reforçada pela Nota Técnica elaborada pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pelo WWF-Brasil, que aponta que a proposta representa um grave retrocesso ambiental e pode abrir precedentes perigosos para a flexibilização de áreas protegidas na Amazônia.
Segundo o documento, a nova proposta amplia ainda mais a redução da Flona em comparação ao projeto apresentado em 2017, favorecendo áreas já marcadas pelo avanço do desmatamento ilegal e pela ocupação irregular. A nota destaca que a mudança pode incentivar a regularização de áreas griladas e fortalecer a percepção de que crimes ambientais acabam sendo recompensados.
A análise também alerta para os impactos climáticos e sociais da medida, ressaltando que a perda de cobertura florestal compromete o equilíbrio ambiental da região, intensifica períodos de estiagem e aumenta a pressão sobre outros territórios protegidos da Amazônia.
Para a REPAM-Brasil, iniciativas que fragilizam unidades de conservação colocam em risco não apenas a biodiversidade amazônica, mas também os direitos dos povos e comunidades tradicionais, além de aprofundarem a crise climática e os conflitos territoriais.
Em um momento em que o mundo volta seus olhos para a Amazônia e para os compromissos climáticos globais, é fundamental fortalecer políticas de proteção dos territórios e combater qualquer tentativa de legalização da destruição ambiental.
A REPAM-Brasil reafirma seu compromisso com a defesa da Casa Comum, da justiça socioambiental e da proteção integral dos territórios amazônicos.

