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A segurança alimentar, o acesso à água potável e a permanência das famílias no território seguem entre os principais desafios enfrentados pelas comunidades rurais de Paulino Neves, no Maranhão. A realidade foi compartilhada por Eliane Gentil, agricultora familiar e técnica agropecuária, ao refletir sobre os impactos da falta de infraestrutura e políticas públicas na vida das famílias agricultoras da região.

Segundo Eliane, muitos agricultores do município conseguem produzir apenas durante o período do inverno, devido à ausência de sistemas irrigados e às dificuldades de acesso a equipamentos e investimentos para ampliar a produção. “A maioria dos nossos agricultores trabalha só no período do inverno, porque não tem sistema irrigado. Poucos usam, por falta de políticas públicas e acesso à compra de materiais”, relata.

Outro desafio apontado é o acesso à água potável. Mesmo na sede do município, muitas famílias dependem de poços artesanais nos quintais ou da água dos rios para suprir necessidades básicas. “Esse é um desafio muito grande para nós”, destaca.

Diante dessa realidade, organizações locais têm buscado construir alternativas comunitárias para fortalecer a agricultura familiar e enfrentar a insegurança alimentar. Entre as iniciativas está a articulação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais com o Banco do Nordeste e a Secretaria de Agricultura para facilitar o acesso ao crédito rural, incentivando a implantação de quintais irrigados, criação de galinhas caipiras e fortalecimento das pequenas produções familiares.

As ações já começam a gerar impactos positivos nas feiras da agricultura familiar do município, fortalecendo a geração de renda e o acesso a alimentos produzidos no próprio território.

Outro destaque é a atuação da Casa Família Rural de Barreirinhas, iniciativa que atende os territórios de Paulino Neves, Barreirinhas e Santo Amaro, promovendo a pedagogia da alternância para filhos e filhas de agricultores. O modelo une formação técnica e vivência comunitária, permitindo que os jovens levem o conhecimento adquirido para suas comunidades.

“Queremos fortalecer esses jovens e essas famílias para que permaneçam no seu território”, afirma Eliane. Segundo ela, o fortalecimento da agricultura familiar, do saneamento básico, da infraestrutura e das Casas Família Rurais é fundamental para reduzir o êxodo rural e garantir dignidade às comunidades.

A experiência apresentada pela liderança reforça como o cuidado com a alimentação, a água, a moradia e o território está diretamente ligado ao bem viver das populações e à construção de uma ecologia integral baseada na valorização da vida comunitária.

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