Notícia

Entre os dias 3 e 7 de junho de 2026, a Comunidade Quilombola de Santo Antônio, em São Francisco do Guaporé (RO), acolheu o 6º Encontro da Rede dos Povos e Comunidades Tradicionais de Rondônia. Reunindo quilombolas, povos indígenas, seringueiros, extrativistas, camponeses e representantes de comunidades tradicionais da região do Vale do Guaporé e da fronteira com a Bolívia, o encontro teve como tema “Bebendo da ancestralidade que vem das águas do Rio Guaporé: partilhando saberes e construindo justiça climática”.

Ao final da programação, os participantes divulgaram uma Carta Política na qual reafirmam sua identidade, memória, resistência e compromisso com a defesa dos territórios tradicionais. O documento destaca a importância das águas, das florestas e dos modos de vida ancestrais como elementos fundamentais para a construção da justiça climática e para a preservação da vida na Amazônia.

A Carta denuncia os impactos provocados pelo avanço do agronegócio, dos agrotóxicos, dos grandes empreendimentos de infraestrutura e das iniciativas de mercado que ameaçam transformar a floresta em mercadoria. Também chama atenção para a falta de demarcação e proteção dos territórios indígenas, quilombolas e extrativistas, apontando que essas ausências favorecem a violência, a grilagem, o desmatamento e a violação de direitos.

Os povos e comunidades reafirmaram a Rede como um espaço de articulação autônoma, encontro entre gerações e fortalecimento das lutas coletivas. O documento destaca que a justiça climática passa necessariamente pela garantia dos direitos territoriais, pela proteção comunitária e pelo reconhecimento dos saberes ancestrais como respostas concretas à crise socioambiental.

Entre as principais reivindicações apresentadas estão a demarcação imediata dos territórios indígenas e quilombolas, a proteção dos territórios extrativistas, o respeito à consulta prévia, livre e informada prevista na Convenção 169 da OIT, a proteção de lideranças ameaçadas e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à agroecologia, ao extrativismo sustentável e às cadeias produtivas tradicionais.

A Carta também expressa gratidão às organizações parceiras que apoiam a luta dos povos tradicionais e reforça a solidariedade entre comunidades brasileiras e bolivianas que compartilham o território do Rio Guaporé. Encerrando o encontro, os participantes reafirmaram que seguirão unidos na defesa da vida, dos territórios e da Casa Comum, sustentados pela ancestralidade, pela esperança e pela certeza de que não há justiça climática sem justiça territorial.

“Somos Terra! Somos água! Somos Florestas! Somos sementes!” — proclama a Carta Política do 6º Encontro da Rede dos Povos e Comunidades Tradicionais de Rondônia, reafirmando o compromisso coletivo com a proteção dos povos, dos territórios e das futuras gerações.

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