Notícia

Confira aqui o estudo.

Em 2016, um estudo da Câmara dos Deputados já apontava o Arco Norte como uma alternativa estratégica para o escoamento da produção nacional por meio dos portos localizados na Amazônia, defendendo investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias e terminais portuários para ampliar a competitividade brasileira.

Passados dez anos, a realidade demonstra que os desafios previstos não apenas permaneceram, como se agravaram. A expansão da infraestrutura logística veio acompanhada de uma crescente pressão sobre os territórios amazônicos, tanto por atividades econômicas legalizadas quanto por dinâmicas ilícitas que impulsionam o desmatamento, a grilagem de terras, a mineração ilegal e a violência contra povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades tradicionais.

O próprio estudo já reconhecia que a consolidação do Arco Norte exigiria enfrentar questões relacionadas ao planejamento estatal, ao licenciamento ambiental e à governança dos investimentos. No entanto, a fragilização dos mecanismos de proteção socioambiental e a aceleração da ocupação econômica da região aprofundaram conflitos e ameaças à integridade dos territórios amazônicos.

Para a REPAM-Brasil, o debate sobre infraestrutura não pode ser reduzido à lógica da eficiência econômica ou da ampliação das exportações. A Amazônia é um território vivo, habitado por povos que há séculos protegem a floresta e garantem a manutenção da sociobiodiversidade. Qualquer projeto de desenvolvimento precisa respeitar o direito à consulta prévia, livre e informada, assegurar a proteção dos bens comuns e colocar a vida acima dos interesses econômicos.

Hoje, mais do que em 2016, torna-se evidente que o futuro da Amazônia depende da construção de modelos que conciliem mobilidade, produção e justiça socioambiental. Sem a participação efetiva dos povos e comunidades tradicionais, grandes corredores logísticos podem transformar-se em corredores de degradação, violência e perda de direitos.

A REPAM reafirma que defender a Amazônia significa defender seus territórios, suas águas, suas culturas e os povos que nela vivem. O desenvolvimento só será legítimo se caminhar junto com a proteção da Casa Comum e com o Bem Viver das populações amazônicas.

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