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Experiência no Amapá promove encontro entre conhecimento acadêmico, saberes tradicionais, cuidado com a saúde e compromisso com a Casa Comum

Entre os dias 6 e 8 de agosto, estudantes de Medicina da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), professores e pesquisadores participaram de uma experiência de formação socioambiental junto aos jovens da Paróquia dos Navegantes que integram o projeto Guardiões Ambientais Ribeirinhos, liderado por Benedito Alcântara, parceiro da Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM-Brasil.

A programação começou em Macapá, com um primeiro momento formativo na universidade, e seguiu para as comunidades ribeirinhas, incluindo o Furo dos Chagas. Mais de 40 estudantes, além de professores e pesquisadores, participaram da iniciativa, que propôs uma verdadeira imersão na realidade amazônica, tendo como referência os ensinamentos da encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco.

Liderado por Benedito Alcântara, o projeto Guardiões Ambientais Ribeirinhos tem como uma de suas principais características promover encontros e trocas de saberes entre as comunidades e pessoas de diferentes espaços da sociedade.

Ao longo dos anos, o projeto tem acolhido educadores, pesquisadores, integrantes de universidades, organizações sociais, movimentos, instituições eclesiais e outras iniciativas interessadas em conhecer de perto a vida das comunidades localizadas na foz do Rio Amazonas e nas ilhas situadas entre o Pará e o Amapá.

Desta vez, o encontro com a universidade ganhou uma dimensão especial ao aproximar os jovens ribeirinhos de futuros profissionais da saúde. A proposta foi permitir que os estudantes conhecessem uma realidade que muitas vezes não está presente nas salas de aula e compreendessem que o cuidado com a saúde também está relacionado ao território, à cultura, às condições socioambientais e aos modos de vida das populações.

Saberes tradicionais e conhecimento acadêmico

A vivência possibilitou uma aproximação entre os conhecimentos adquiridos durante a formação médica e os saberes tradicionais transmitidos entre gerações nas comunidades amazônicas.

A maior parte dos estudantes participantes é do Amapá e muitos deverão exercer a profissão no próprio estado. Conhecer as comunidades, portanto, também significa compreender melhor as pessoas, culturas e territórios que poderão fazer parte de sua futura atuação profissional.

Durante as atividades, estudantes e moradores compartilharam conhecimentos relacionados à saúde, à medicina popular, às práticas tradicionais e ao cuidado com a vida. A programação também contemplou momentos de atendimento à comunidade na área da saúde.

Mais do que transmitir conhecimentos, a proposta foi criar uma relação de reciprocidade: a universidade compartilha aquilo que produz no campo científico, enquanto aprende com a experiência, a memória e os conhecimentos construídos pelas populações ribeirinhas.

“São trocas de saberes. Se a gente está aberto, são alargamentos de horizontes”, destacou Benedito Alcântara ao falar sobre a experiência.

Laudato Si’ como caminho formativo

A formação socioambiental foi desenvolvida à luz da Laudato Si’, conectando cada etapa da vivência ao chamado para o cuidado com a Casa Comum.

Durante os encontros, Benedito Alcântara também apresentou a trajetória e a atuação da Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM, destacando a importância da Rede no fortalecimento de experiências de educação socioambiental e na articulação em defesa da vida e dos territórios amazônicos.

A partir da realidade concreta das comunidades, os participantes foram convidados a perceber que saúde humana, equilíbrio ambiental, cultura, território e justiça social estão profundamente relacionados.

A experiência reforçou ainda a importância de uma formação profissional capaz de ir além dos conhecimentos técnicos, permitindo aos futuros médicos conhecer as diferentes realidades amazônicas e compreender os saberes, desafios e potencialidades das populações que vivem nesses territórios.

Ao reunir universidade, juventudes e comunidades ribeirinhas, a iniciativa reafirma que cuidar da Amazônia também significa promover encontros, escutar seus povos e reconhecer os conhecimentos construídos no território.

Entre rios, comunidades, ciência e saberes tradicionais, a experiência deixa um convite que traduz esse caminho: navegar é preciso — mas navegar conhecendo, escutando, partilhando e cuidando da vida.

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