Diante da intensificação da crise climática e da necessidade de preparar os territórios amazônicos para possíveis novos períodos de estiagem e outros eventos extremos, a REPAM-Brasil vem fortalecendo, desde o primeiro semestre de 2026, uma agenda de articulação, diálogo e incidência voltada à prevenção e ao enfrentamento dos impactos climáticos na Amazônia.
A mobilização reúne diferentes frentes: diálogo com órgãos do Governo Federal, participação em espaços de discussão sobre políticas públicas, articulação com organizações da sociedade civil, rodas de conversa e mobilização das redes e dos territórios.
Esse trabalho dá continuidade a uma preocupação acompanhada pela REPAM-Brasil desde 2023, quando a seca extrema vivenciada na Amazônia tornou ainda mais evidente a vulnerabilidade das populações diante dos eventos climáticos extremos e a necessidade de respostas que não aconteçam apenas depois das emergências.
Incidência e diálogo
Como parte dessa agenda, a REPAM-Brasil participou de audiência na Secretaria-Geral da Presidência da República para debater estratégias de prevenção e enfrentamento à estiagem prevista para a Amazônia no segundo semestre de 2026.
O encontro reuniu representantes do Governo Federal e da sociedade civil para fortalecer a articulação interinstitucional e discutir formas de antecipar respostas aos impactos das mudanças climáticas nos territórios amazônicos.
Participação da sociedade civil
A articulação também vem alcançando outros espaços de diálogo. No dia 13 de agosto, a sociedade civil da Região Norte participa dos Diálogos Regionais – El Niño 2026/2027, iniciativa da Secretaria-Geral do Governo Federal para debater políticas públicas no cenário das emergências climáticas.
O encontro integra uma mobilização que busca aproximar poder público, organizações e territórios, permitindo que experiências e preocupações de quem vive os impactos da crise climática contribuam para a construção de estratégias de prevenção e resposta.
A agenda terá continuidade no dia 19 de agosto, com o encontro virtual “Fenômeno El Niño – Impactos, prevenção e atuação da sociedade”, promovido pela Cáritas Brasileira em articulação com diferentes organizações e redes.
A iniciativa reunirá especialistas e representantes de instituições e territórios para discutir os impactos climáticos e caminhos para a prevenção, adaptação e fortalecimento da resiliência das comunidades brasileiras.
Participam dessa construção organizações como Cáritas Brasileira, REPAM-Brasil, Rede Cerrado e Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), além de representantes ligados ao debate climático e meteorológico. A REPAM-Brasil estará representada no encontro por Melillo Dinis.
Mais do que participar dos espaços de debate, a Rede também se soma ao esforço de comunicação e mobilização, contribuindo para que informações sobre riscos climáticos, prevenção e políticas públicas circulem entre suas redes, parceiros e territórios.
As diferentes iniciativas realizadas e articuladas ao longo de 2026 apontam para um mesmo compromisso: é preciso agir antes que a emergência climática se instale.
Por isso, a REPAM-Brasil defende uma atuação permanente e articulada, capaz de reunir prevenção, políticas públicas, conhecimento científico, saberes dos povos e comunidades, participação social e capacidade de resposta nos territórios.
Ao fortalecer o diálogo entre Governo Federal, sociedade civil, Igreja, organizações parceiras e comunidades amazônicas, a REPAM-Brasil reafirma que o enfrentamento à crise climática precisa ser construído coletivamente e com os territórios no centro das decisões.
Mais do que responder às emergências, o desafio é antecipá-las, proteger vidas e fortalecer a capacidade dos povos da Amazônia de enfrentar uma realidade climática cada vez mais extrema.

