A REPAM-Brasil esteve presente no seminário aberto “Da colonização ao Arco Norte: logística da destruição e resistência na Amazônia”, realizado no sábado, 15 de agosto, em Marabá (PA). A Rede foi representada por Vanal Araújo. Também participou do encontro a Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Marabá, representada por Geuza Morgado, somando-se às lideranças, pesquisadores, movimentos e organizações da sociedade civil presentes no debate.
Realizado no campus I da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), o encontro reuniu lideranças de diferentes territórios, pesquisadores, representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil. Ao longo do dia, as discussões relacionaram o processo histórico de ocupação e exploração da Amazônia ao avanço dos atuais corredores logísticos voltados principalmente ao transporte de commodities agrícolas e minerais.
Entre os principais temas esteve a expansão da infraestrutura de transportes na região dos rios Tocantins e Araguaia, especialmente os projetos previstos para o rio Tocantins. Uma das intervenções que mais preocupa as comunidades é o derrocamento do Pedral do Lourenção, formação rochosa de aproximadamente 35 quilômetros localizada entre Marabá e Itupiranga.
O projeto integra a implantação de uma hidrovia no Tocantins e prevê intervenções como a retirada de formações rochosas, dragagens e estruturas portuárias para permitir a circulação de grandes comboios de cargas. Lideranças e comunidades da região alertam para possíveis consequências sobre a dinâmica das águas, a biodiversidade, os peixes, a pesca artesanal e a vida das populações que mantêm uma relação direta com o rio.
Infraestrutura, direitos e participação dos povos
O seminário também colocou no centro do debate uma questão fundamental: quem participa das decisões sobre os grandes projetos de infraestrutura planejados para a Amazônia e a quais interesses essas obras atendem.
As discussões reforçaram a importância de garantir a participação efetiva dos povos e comunidades tradicionais nas decisões que afetam seus territórios, com respeito ao direito à consulta prévia, livre e informada, previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A programação foi organizada em cinco mesas temáticas: “Da colonização ao Arco Norte”, “A infraestrutura da destruição”, “A infraestrutura que queremos”, “Rios Vivos” e “Pedral do Lourenção somos nós”. Os diferentes momentos permitiram discutir tanto os impactos socioambientais das grandes obras quanto alternativas de infraestrutura construídas a partir das necessidades e perspectivas dos próprios territórios.
A presença da REPAM-Brasil, por meio de Vanalda Araujo, reafirma o compromisso da Rede em acompanhar e fortalecer espaços de diálogo, articulação e defesa da Amazônia, especialmente diante de projetos que podem provocar profundas transformações nos rios e na vida das comunidades.
Para a REPAM-Brasil, pensar o futuro da infraestrutura amazônica exige colocar no centro das decisões a proteção dos rios, dos territórios, da biodiversidade e dos direitos dos povos e comunidades que vivem e cuidam da Amazônia.




